Jcast NÃO recomenda: Kanashimi no Belladonna
Postado em 08/01/09 na categoria Cinema, Cultura, por LaivindilPouca gente sabe, mas o grande Osamu Tezuka, o Pai do Anime, o Walt Disney japonês, o inventor dos grandes olhos, e de toda a base para o que se tornou a indústria de animação japonesa, também cometeu seus pecadinhos.
Nós nunca falamos muito de Tezuka aqui no Jcast, e certamente o faremos em futuros especiais, Mark II´s, e coisas assim, já que sua carreira merece, e muito. Sendo assim, é quase que injusto essa primeira menção ser focada em um mico histórico.
Os que curtem arte, e acham que qualquer porcaria pode ser chamada disso que me perdoem: mas Kanashimi no Belladonna é uma bomba, levou sua produtora à falência, e me assusta profundamente.
Antes de mais nada, isso não é um review. Reviews quase sempre serão feitos por áudio, em seu segmento específico, e revisaremos coisas que de fato assistimos. Sim meu povo, eu não vi Kanashimi no Belladonna. E não verei, jamais. É aquela filosofia do não vi, não quero ver, tenho raiva de quem viu, e matei os que insistiram em me contar spoiler.
Osamu Tezuka nem teve contato tão direto com esse filme, no entanto. Ele produzia animações para a Toei, mas se desligou da companhia para montar a sua própria, chamada Mushi Productions. Sob o selo desse estúdio, Tezuka produziu várias adaptações de obras originais suas, como Astro Boy e Kimba The White Lion.
Querendo explorar um público mais adulto, a Mushi Pro lançou uma trilogia chamada Animerama. O primeiro dos três, Senya Ichiya Monogatari, é de 1969, e foi baseado nos contos das mil e uma noites. Tem um estilo de animação bizarro, a música me dá arrepios na alma, e rola muito, muito sexo.
O segundo é Cleopatra. Ou melhor, Kureopatora, ou melhor, Cleopatra: Queen of Sex, título americano do longa, lançado originalmente em 1970, com um estilo de animação bizarro, música que me dá arrepios até a alma, e com muito, muito sexo. Obs: Julio César é verde.
E, em 1973, chegamos nesse que entra pra historia. Ninguém viu essa merda. E não conheço ninguém que goste. Okay, ouvi aqui e ali depoimentos de pessoas que tiveram o desprazer de ter visto, e todas são unânimes: nesse filme não há simplesmente animação bizarra, mas sim pinturas, painéis postos em sequência, com mínimo movimento, tudo muito psicodélico e entorpecente. Também não se contenta apenas com música que dá arrepios, ele nos deprime com acordes melancólicos que quase me fizeram arrancar os olhos, ainda que fosse mais coerente os ouvidos. E não tem só muito sexo, tem muito sexo esquisito, e eu quero conhecer alguém que tenha se excitado com isso. E não me venham com argumentos pseudo-artísticos de bicho-grilo: se sexo é arte, Gretchen é Monet. Você sabe, pelo conjunto abstrato e deformado.
Os ingleses têm preconceito de anime por causa, em grande parte, desse lançamento. A Mushi faliu em 1973, porque nem os tarados japoneses entenderam esse filme. E Tezuka teve a sorte de ter abandonado o barco a tempo, não sendo nem ao menos creditado. Eu nem me abalei procurando pra baixar, já que nunca vou assistir, mas existe aos pedaços no youtube.
Por falar em Tezuka, e mudando de assunto, já que é sempre bom lembrar dos bons momentos de sua carreira, saibam que ele é ameguênho do Maurício de Souza. Se bem que, depois da Mônica em mangá, o pobre mestre deve estar se revirando no túmulo, lamentando-se por não ter conseguido ensinar muita coisa pros brazucas.
Uia, tô nojento hoje.



aquela cena da mulher se partindo no meio desse anime do belladona me fez lembrar uma outra bellandona…
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