Otaku ganha pouco (ou A crise no mercado de animes)

Postado em 28/01/09 na categoria Anime, por

Em maio de 2008, a Association of Japanese Animations constatou que o mercado de anime cresceu constantemente entre entre 2003 e 2006, mas em 2007 houve uma queda. E, pelo que tudo indica, de lá pra cá ele tem caído ainda mais. De 2003 a 2006, o mercado cresceu de 1.9 bilhões de dólares pra 2.9 bilhões, mas em 2007 começou a cair, valendo 2.7 bilhões de verdinhas. Mas em que isso repercute?

Semana passada, a Fair Trade Comission do Japão organizou um relatório com uma revelação curiosa. 114 estúdios de anime foram consultados e 42,4% deles admitiram que as companias que os patrocinam insistem em pagar uma quantia muito baixa e em cobrar prazos apertadíssimos, sem respeitar finais de semana e feriados, postura que viola as leis japonesas antimonopólio. Desses estúdios, 62,8% são pequenas companias com capital inferior a 100 mil doletas; 63,7% têm 100 ou menos empregados; e 30,1% possui 10 ou menos empregados. Agora vamos analisar esses dados?

Parando pra pensar, uma quantidade tão grande assim de pequenos estúdios que trabalha em condições abaixo da lei só pode ser resultado de uma única coisa, a mesma coisa que motiva tantos mangakás e cumprirem prazos apertadíssimos pra no final ter seu mangá cancelado por baixa popularidade: paixão. É inegável que a grande maioria do pessoal que trabalha com anime é no mínimo um entusiasta, isso pra não generalizar e dizer que são todos otakus. É um mercado movido pela paixão dos envolvidos por aquilo que fazem, principalmente nos estúdios menores.

É uma questão muito delicada. Apesar da crise estar aí, comendo o rabo de todo mundo, fica mais do que claro que os patrocinadores exploram essa fraqueza do mercado de animes, que conta com apaixonados pela arte que querem crescer e topam esses preços. Além disso, os dvds de anime são mais caros do que os de qualquer outra coisa. O mercado se aproveita da paixão dos otakus pelas séries e personagens, e exploram isso ao máximo, como irei exemplificar melhor no post de amanhã. Claro, muitas questões como cópias digitais e coisas assim ainda influenciam mais ainda na questão, mas não é esse mérito que quero abordar aqui.

A questão é: até onde é certo explorar algo que, mesmo tão naturalmente capitalista como o mercado de animes, é tão passional? E até que ponto isso prejudica a própria indústria? Não vou responder por que não faço a mínima idéia, tenho vários achismos mas nada que possa colocar aqui com segurança. Enfim, o que vocês acham?

EDIT: Eu odeio quando o WordPress come os comentários sem perguntar. Comentem agora, crianças!

  • Mist says:

    Bom, de minha parte os animes vão crescer e se proliferar muito bem, ois dedico todo o tempo nos finais de semana e nas ferias indo a eventos e procurando saber as novidades, e é claro que costumo baixar animes e mangás toda a semana. O que acontece é que o Brasil é um país onde as professoras(os), chefes, etc ocupam muito do tempo dos otakus os fazendo esquecer, os fazendo ficarem menos e menos conectados e então os sites recebem menos verbas o que acaba com o entusiasmo dos nossos amigos, os queridos fansub.

  • Lucano Lobo says:

    Cara, eu to com certo receio que o papel acabe no Japão de novo… Sei lah, eu só tenho 230 yenes, naum vou comprar uma jump vou comprar eu papel higiénico

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