A Jump e tudo o que se foi

Postado em 20/03/09 na categoria Mangá, por

Já faz 2 anos que acompanho mangás da Shonen Jump semanalmente, e nesse espaço de tempo vi várias séries – algumas com um enorme potencial, outras nem tanto, e outras que obviamente não dariam certo – morrerem. Será que a Jump realmente é injusta? Nesse post trago todos os títulos que acompanhei e foram cancelados, para que vocês tirem suas próprias conclusões.

Hitomi no Catoblepas – 2 volumes e 15 capítulos

O primeiro cancelamento a gente nunca esquece…Tokio é o descendente de uma família de caçadores de youmas, e possui o poder de parar o tempo por conta de um youma que habita seu olho, Catoblepas. Aí aparecem outras famílias, e outros youmas, e tudo galhofa de vez. Na época, lá nos primórdios do JCast, eu até dei força pro mangá e cheguei a recomendá-lo, mas aprendi a não me precipitar tanto quando o assunto é mangá da Jump: o primeiro capítulo é muito bom mesmo, hiper empolgante, mas dali em diante a coisa só foi gradativamente caindo e caindo, a ponto de a partir do capítulo 8 você já estar morrendo de vergonha alheia. E provavelmente foi por isso que no seu décimo quinto capítulo a série rodou.

Muddy – 2 volumes e 12 capítulos

Muddy veio, passou e eu nem senti. Um jovem cientista é contratado para criar quimeras, mas não satisfaz as expectativas da empresa e é demitido. Revoltado, ele monta um laboratório próprio onde cria algo que nunca foi criado: uma chimera humana, um garoto feito de lama. Muddy, nome hipercriativo dado ao garoto, pode moldar seu corpo e crescer quando come terra. E o mangá vai se arrastando com essa premissa não muito promissora por 12 capítulos, com alguns pontos médios e muitos pontos baixos. Talvez o problema esteja em mim, mas não consegui dar a mínima importância pra série, lia ela semanalmente como leio Naruto, com o mínimo de atenção possível.

K.O. Sen – 2 volumes e 8 capítulos

K.O. Sen é o primeiro do trio que lamento por ter sido cancelado, e de longe o mais injustiçado. 8 capítulos! Tobi Shima Sen é um garoto rebelde e descontrolado que sonha em ser igual ao seu pai, um grande lutador de boxe tailandês. O cara é tão encapetado que a mãe resolve mandá-lo pra passar uns tempos nas montanhas, junto com o velhinho que foi responsável por treinar seu pai. O velhinho, por sua vez, se recusa a treinar o garoto, mas percebe que ele possui o mesmo ponto forte de seu progenitor: uma resistência absurda e sobre-humana. E é isso, K.O. Sen é bem simples e continua com muita luta, muitos personagens com úlcera e muitos desenhos detalhados de fundo de tigres, dragões e afins para representar os personagens. Uma história simples e batida, mas que era bem executada, sem nenhuma novidade, mas gostosa de se ler. Parece que fui o único que pensou assim, e a série foi pro limbo ultraprematuramente.

Hatsukoi Limited – 4 volumes e 32 capítulos

Aaaaah, Hatsukoi Limited…O tempo passa, mas a tristeza de lembrar não sai do meu peito. O mangá não focava em um só plot, se dividindo entre vários romances colegiais que se cruzavam, por ocorrerem no mesmo colégio. Uma gama enorme de personagens carismáticos, tridimensionais e com possibilidades semi-infinitas, dentro de um universo fechado e redondinho, com uma narrativa ultra inovadora e interessante para um mangá. Só que o público da Jump é, em sua maioria, composto por uma pirralhada que não tá nem aí pra isso. A história certa na revista errada. Depois de 32 capítulos suados, que provavelmente só existiram graças aos leitores mais velhos que viam o potencial daquilo e lutavam pela sua sobrevivência, a série foi cancelada. Mas nem tudo é tristeza, e em abril Hatsukoi Limited vira anime! Vamos ver se manterá a qualidade, e, quem sabe, talvez isso dê uma animada na Jump e ela permita que nossa queridinha Mizuki Kawashita termine sua obra prima na Jump SQ. É, não custa nada sonhar…

Double Arts – 3 volumes e 23 capítulos

O terceiro do trio lamentação. Em um mundo fictício que sofre com uma doença fatal chamada Troy, existe um grupo de pessoas, conhecido como as Irmãs, que consegue absorvê-la e salvar a vida dos infectados. Porém essas pessoas não são imunes à doença, apenas mais resistentes, e cedo ou tarde acabam morrendo também. E é quando Elraine chega ao seu limite que ela conhece Kiri, um rapaz completamente imune à doença. Porém, como já estava morrendo quando ele segurou em sua mão, agora ela não pode mais soltá-la, ou a doença surtirá seu efeito e Elraine será história. É assim que ela parte em uma jornada para levar Kiri ao seu QG, onde o garoto será estudado e talvez uma cura para tal praga seja criada. É com uma história meio complexa de se explicar, mas super interessante, que Double Arts cativa o leitor. Os personagens em si não são de cara muito marcantes, mas com o tempo você acaba criando um vínculo com pelo menos um deles. As lutas são exageradas e surreais, mas possuem um tom próprio que as diferencia. Era um mangá com um enorme potencial, e que se situava aos poucos em si mesmo, como se o autor estivesse gradativamente descobrindo as manhas. Mas o público não deu tempo o suficiente, e no capítulo 23 o mangá foi pra fora da revista, pra tristeza de muitos. Ou pelo menos minha e do Laivindil.

Asklepios – 3 volumes e 19 capítulos

Asklepios eu peguei no leito de morte, li 17 capítulos de uma só vez e 2 capítulos depois o mangá foi cancelado. O personagem título é um cirurgião lendário, que a Igreja persegue por considerar o ato de cortar pessoas, mesmo para curá-la, coisa do demônio. Na verdade Asklepios é um título que uma família carrega, que é passado de pai pra filho, e o personagem principal, Buzz Medill, é um inseguro garoto que precisa assumir o posto que seu pai deixou vago ao morrer. Uma outra família de lutadores é responsável por servir como guarda-costas do Asklepios, e esse posto é assumido por Rozari Teresfoss, uma poderosa garota que dá forças à Buzz para seguir seu destino. Basicamente o mangá mostra a trajetoria dos dois por aí, curando pessoas e fugindo da Igreja. Um mangá não muito convencional, com uma premissa interessante, mas que os leitores da Jump não parecem ter engolido muito bem. Eu até gostei, apesar dele ficar um pouco confuso no final, provavelmente por conta de um possível aviso prévio de cancelamento, mas não é nada que deixou saudades profundas como Hatsukoi ou Double Arts.

Meister – 2 volumes e 10 capítulos

Finalmente, o cancelamento mais recente da Jump. Um mangá de futebol, sobre um estranho clube em um colégio onde os jogadores jogam por diversão, com o lema de “vencer se divertindo”. Os dois primeiros capítulos são ótimos e absurdamente promissores. Personagens com um potencial enorme, com uma química que parecia que daria certo. Mas o autor errou ao querer introduzir mais personagens cedo demais, deixando de lado outros que poderiam ter sido melhor aproveitados, além de um protagonista sem nenhum defeito aparente, o que fez o mangá ir perdendo a graça a cada capítulo, e encontrar seu fim no décimo. Esse mangá, junto com K.O. Sen, me gera uma dúvida: como eles podem ter 10 e 8 capítulos, respectivamente, e 2 volumes? O primeiro volume provavelmente tem o padrão de uns 5 ou 6 capítulos, já que eles não esperavam que a série fosse cancelada, então o segundo volume tem 4 ou 3 capítulos, mal chegando a 100 páginas? Ou a Jump já lançou o primeiro volume sabendo do cancelamento, e cada volume tem 4/5 capítulos, com uma mádia de cento e poucas páginas? A dúvida me persegue, se alguém aqui souber a resposta, fico grato.

  • Luis Alexandre says:

    Adorei a capa do Hatsukoi @@

  • Rarcanus says:

    É a Jump só quer saber de achar um "substituto" p Naruto!!!

    Mas será q não existe possibilidade destes mangás cancelados continuarem em outra revista?

    Vai aqui uma pergunta de alguem q não entende da Jump!!! :D

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