C´mon, Nigga, show me your cherry blossom!

Postado em 29/03/09 na categoria Música, por

Imaginem o seguinte estereótipo: Americano negro, na casa dos vinte e poucos anos, calças largas, tênis, boné, cordões no pescoço, passos arrojados de dança. Qual estilo musical você acha que ele canta?  Acertou quem, obviamente, disse ENKA!

O nome da figura é Jero. Seu nome real é Jerome, e ele possui uma avó japonesa, raiz suficiente para despertar  interesse pela cultura de lá no coração do rapaz, que após se formar em Ciência da Informação se mandou para o Japão, em 2003. Por lá ele trabalhou um tempo na área da informática, e também como professor de Inglês, mas logo começou a participar de concursos musicais na Tv, tudo para pagar uma promessa que fizera à sua avó, de um dia participar do famoso Kohaku Uta Gassen, um festival anual, sempre mencionado nos animes e mangás. Super Shonen, isso, não?

Finalmente no final do ano passado ele conseguiu realizar seu sonho, e participou do Kohaku, usando uma camisa com uma foto de sua avó estampada. Aqui no Jcast nós o descobrimos por acaso, e pusemos algumas de suas músicas na trilha do Mark I #9. Vou por um vídeo dele aqui, e me digam se não é bizarro quando ele abre a boca, e começa a sair a voz de um Tio japonês de 70 anos!

http://www.youtube.com/watch?v=m8NBwrcs_R8

E eis que, em 27 de Março de 1912, o prefeito de Tóquio presenteou Washington, nos Estados Unidos, com árvores de flor de cerejeira. Todos os anos então se celebra na capital norte-americana o Festival da Flor de Cerejeira, ou Cherry Blossom Festival. E esse ano, nosso amigo Jero fez uma apresentação especial.

Em uma entrevista para promover o festival desse ano, o embaixador japonês Ichiro Fujisaki disse belas palavras a respeito de Jero: “Poucos japoneses esperam que um americano vá cantar daquela forma… mas ele apareceu e fisgou os sentimentos de todos, ele realmente canta essas canções com alma japonesa (…) Se realmente a música não tem fronteiras, as pessoas vão gostar muito”.

É um contraste bem interessante, ver como ele ao mesmo tempo segue a tradição do Enka, e desafia os conceitos estabelecidos, já que não sua quimono. Em meio às muitas entrevistas que deu durante sua passagem pelo ocidente, ele comentou que: “Eu vivi em Pittsburgh até os 21 anos, o quimono nunca fez parte de quem eu sou, e eu nunca quis vestir um. Eu não quero me tornar outra pessoa quando estou no palco, eu quero ser eu mesmo, quero ser verdadeiro comigo.”

Muito bonito, e fica mais, quando saem faíscas de seus olhos, e tudo em volta começa a pegar fogo. Aí embaixo, um vídeo da apresentação no festival, e no youtube tá cheio de outros, passem lá e dêem uma olhada.

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