O "cenário otaku" no Brasil e senso crítico

Postado em 18/03/09 na categoria Uncategorized, por

Olhando meus feeds no Google Reader, cheguei à assustadora conclusão de que não tinha nada de interessante pra postar aqui no JCast. Ao invés de só postar os rankings da semana, resolvi aproveitar e fazer algo que já queria fazer à um tempo aqui, posts puramente críticos e de opinião, ao invés de me basear em alguma notícia.

Um dos objetivos definidos internamente (e de forma gradativa) no JCast é o de trazer mais “conteúdo” para os fãs de anime e mangá brasileiros. Mas antes de tudo, é preciso ver o que há de errado. Olhando por aí, e já excluindo de cara os fãs de Naruto e Bleach que não conhecem mais nada e vão pro evento fim de semana comprar bandana e pedir abraços grátis, podemos identificar alguns grupos dentre os otakus brasileiros: existem os que não se dedicam muito ao hobby, assistem um anime de vez em quando, e não conhecem muita coisa; os que devoram absolutamente tudo que passar pela frente, numa tentativa de desenvolver uma lista enorme de animes assistidos; e aqueles que compram mangá na banca, e lêem mangá no pc. Óbvio, existem muitos outros, mas nesse post quero falar sobre esses três grupos em especial.

Os “otakus de fim de semana” apenas assistem um anime aqui e ali, às vezes pra se juntar a um grupo, por recomendação de um ou outro amigo. É, alguém que vê anime assim como qualquer outra obra, de qualquer outra nacionalidade, sem muita distinção. É o consumidor casual. Não há muito o que discutir sobre ele, já que é apenas um otaku em potencial, alguém que pode vir ou não a se interessar mais pelas peculiaridades das obras japonesas. O problema é que muitas dessas pessoas acabam tendo uma visão negativa do cenário otaku (não gosto muito de usar esse termo, mas “grupo de pessoas que gostam de anime e mangá” fica muito extenso e eu sou preguiçoso) por culpa dos já citados e descartados narutards de evento. Otaku no Brasil, pro pessoal de fora que já foi em evento ou têm meia dúzia de conhecidos que gostam de Naruto, virou sinônimo de retardado: a primeira imagem que vem à mente são adolescentes de 13 anos com uma touquinha ou uma bandana na cabeça e uma plaquinha de “Procura-se uma namorada”. Como desvincular essa idéia? Já chegaremos lá.

Às vezes, pra fugir dessa definição, surgem os que se interessam apenas por “anime-arte”. Akira, Ghost in The Shell, Evangelion ou qualquer anime com temática cyberpunk ou uma trama mais psicológica e complexa vão virar seus favoritos, e passarão a ser tratados como um seleto grupo de animes que prestam. Assumir essa postura tem, no fim, o mesmo efeito que os que não dão uma chance à um anime ou mangá por ser “coisa de retardado”: afasta um público em potencial, que poderia vir a gostar de algo dentro da variada gama de obras que existem por aí, mas se limitam à um número pequeno pra “não se meter com essa gente” e pegar a má fama.

Passando para o próximo grupinho, temos os downloaders compulsivos devoradores de anime. Também tentam fugir do estigmatizado narutard, consumindo o maior número possível de obras e visando se tornar um database humano de animes. Esse é o grupo que mais se aproxima dos otakus japoneses, pelo menos os que não estão envolvidos com o cenário doujin, pois consomem compulsivamente e muitas vezes dedicam suas vidas à isso, o que, obviamente, não é nem um pouco saudável. O principal fator que diferencia os de lá dos de cá está no título do post: senso crítico. O público otaku é conhecido como um dos mais ranzinzas, extremistas e passionais do Japão. Se não os agrada, eles vão descer o pau sem piedade, às vezes muito mais do que o necessário.

Faço uma pausa pra explicar o que eu quero dizer com senso crítico. Não, não é a busca por uma história complexa, cheia de conteúdo e inovadora, nem um character design peculiar, único e artístico, nada disso. Eu leio shonen de ação, e shonen de ação não foi feito pra ser profundo, muito menos inovador; o que ele precisa é trazer os elementos básicos do shonen de forma competente, lutas que te fazem vibrar como uma criança, ou as histórias batidas de coragem, persistência e amizade que te dão a esperança de uma criança. Isso é o shonen padrão de ação, eles são feitos pra crianças, e não precisam ir além disso: eles só precisam fazer isso bem. Se o mangá se propõe, pegando o exemplo de Naruto, a ser isso que citei, e no meio acaba perdendo o seu brilho, mudando o seu foco de forma precária e forçada, ele deixa de ser bom dentro daquilo que você procurava, do que você esperava dele. Agora, se você gosta de ver crateras gigantescas e falar “wow, que massa véio!!!” e tem consciência disso, Naruto agora é bom pra você, e antes não era. E o que te faz ter consciência do que você gosta é o senso crítico.

Falando assim parece besta, mas é muito frequente. Às vezes você pergunta pra alguém seus 5 animes preferidos, e depois pergunta o porquê, e a pessoa simplesmente não tem resposta. No máximo um “porque é legal” ou “porque sim”. Em escala pequena isso é inofensivo. Em escala pequena mas um pouco maior que a anterior, isso pode prejudicar a imagem de um grupo. Em uma escala grande, a falta de senso crítico é prejudicial à sociedade. O senso crítico é o que dá forças pra mudança, e atualmente é bem normal as regras só serem aceitas, nunca questionadas, principalmente em um país católico e de democracia recente como o nosso.

Enfim, não é sobre política que quero falar, então vamos para o grupo final: os consumidores de mangás, na banca mesmo. Muitos deles compram mais de 100 reais mensais em títulos, seja com seu árduo salário, seja com a mesada que a mãe dá, mas uma coisa é fato: meia hora no orkut e você encontra comunidades onde essas pessoas discutem os novos lançamentos, seus gostos pessoais, se meio-tankohon é bom ou não, porque a editora tal tá atrasando tanto, e até mesmo pessoas que importam mangá dos EUA, da Europa ou até do Japão mesmo. O que diferencia essas pessoas do otaku compulsivo que assiste 2 séries de 26 episódios por semana? Se você falou senso crítico, acertou na trave. Na verdade é o mesmo motivador do senso crítico japonês: o fato de você estar gastando com isso.

Ora, eu posso baixar um monte de anime e assistir sem me preocupar com a qualidade, é de graça mesmo! O máximo que vou perder é tempo. Agora, quando você compra mangá, a não ser que você tenha MUITO dinheiro (e espaço em casa…), é impossível comprar todos os títulos disponíveis, e olha que não devemos chegar à um quinto dos títulos que os americanos têm. Você precisa escolher à dedo o que comprar, afinal existe um limite de títulos que você pode acompanhar. As pessoas mais velhas que ainda acompanham animes e mangá (e que, convenhamos, são a minoria) desenvolvem um senso crítico por outro motivo: falta de tempo. Limitações forçam o surgimento do senso crítico.

Mas se eu tenho todo o tempo do mundo e não pago um centavo pelos meus downloads, por que diabos deveria desenvolver um senso crítico? Sem entrar no mérito de como isso pode te economizar tempo pra que você possa ter outros interesses, um cenário otaku crítico resolveria um problema lá de cima, quebria o estigma de que somos todos retardados de plaquinha na mão. A maior parte das pessoas ainda procura o opinião alheia pra dar uma chance para uma coisa nova, e se o fanbase é bem estruturado e consome de forma crítica, as pessoas de fora acabam olhando para o produto de uma forma mais positiva. Eu definitivamente não teria dado uma chance à Marvel por exemplo, depois de anos de preconceito, se 99% do que eu achasse na internet de opinião sobre o Universo Marvel fosse meia dúzia de adolescentes falando sobre como o Magneto parte o Wolverine ao meio depois de retirar o adamantium do corpo dele. Pensando bem, eu cresci nos anos 90, isso explica os meus anos de preconceito com comics…

Não é como se da noite pro dia tudo fosse mudar, mas se aos poucos as pessoas parassem de consumir tão cegamente, e passassem a analisar melhor o que consomem, a imagem ruim que os narutards criam e que sobra pra gente se dissipe, e possamos ser vistos como um hobby tão sério quanto os que gostam de seriados, ou de filmes pipoca, ou de comics, ou de qualquer outra mídia pop. Os otakus brasileiros ainda são em sua maioria adolescentes, já que efetivamente só temos uns 10 anos de existência, mas muitos já estão crescendo e até deixam o hobby de lado por conta do preconceito. Por que não repensar um pouco os motivos que nos atraem pros animes e mangás, além do costume ou de fazer amiguinhos?

  • cynthia says:

    concordo com vc em algumas coisas… realmente na minha escola os otakus só eram lembrados por causa d uma babaca q ia com a bandana d naruto pra escola –' (olha q ele já tinhas uns 18 anos)
    mas n gosto desses papos sobre o "verdadeiro otaku" e o "otaku poser", acho q a gente deve fazer o q quiser, eu li mangás durante a infancia inteira e só fui descobrir q existia uma tribo q só se dedicava a isso ha uns 2 anos atras. tenho um amigo q só assiste gundam, e nem por isso ele é menos otaku q outros q baixam milhoes d animes só pra poder falar q assistiu. e entre os otakus, acho q os brasileiros são os mais lucidos, pq pra mim os otakus estadunidenses e japoneses são ultraconsumistas e ficam admirando sua figures d personagens vestidas d maids em vez d curtir a vida XD

  • cynthia says:

    ah, e acho q vcs podiam fzr mais posts d opinao, iam render varias polemicas aqui XD

  • DGC says:

    Bom post!

    Interessante, embora meio irrelevante em alguns pontos.
    Em qual destes grupos vc se encaixa então Darkonix? Já que isso pode revelar muito de seu caráter.
    Particularmente me considero um otaku casual, dado os grupos citados. Mas não por querer fazer parte de determinados grupos ou por ver com preconceito um fã mais "hardcore" (não gosto dessa palavra), mas pq no geral sei do que gosto (já vi muita coisa pra tal afirmação) e independo de indicações alheias.
    Nem mangá compro, por exemplo. E assisto Naruto e Bleach por ainda gostar do estilo dos dois, já há muito antes dos narutards.
    Possuo amigos que são downloaders compulsivos e igualmente consumistas de mangás, mas à sua tal falta de "senso crítico" eu considero falta de bom gosto mesmo.
    As pessoas escolhem, mas nem por isso escolhem bem.
    Eu sou contra qualquer tipo de consumismo desenfreado e baixar anime só por que vc pode de graça, não é exatamente um exemplo louvável.
    Mais válido do que a imagem do otaku perante a sociedade, seria o "otaku" enquanto consumidor informal aqui.

  • Darkonix says:

    Cynthia: Em momento nenhum eu levantei uma discussão de "verdadeiro otaku" ou "otaku poser", primeiro porque não existem otakus no Brasil, nem em nenhum outro país que não seja o Japão, só a cultura deles permite isso, e segundo porque ser um verdadeiro otaku definitivamente não é algo nem um pouco positivo, muuuuito pelo contrário. Eu chamo de otaku, como disse no texto, pela falta de um termo prático pra definir os fãs de anime e mangá. A crítica, se é que foi uma crítica, é quanto a chance que esses fãs mais "hardcore" tem de trazer um pouco mais de conteúdo pro cenário, e assim contrabalancear a visão negativa que o teu amigo de 18 anos e bandana na escola traz. Sim, é um hobby e essa discussão não deveria existir, mas as pessoas com um senso crítico são uma minoria tão esmagadora (e se escondem tanto) que é uma questão que não consigo ficar sem levantar.
     
    DGC: Cada caso é um caso. A intenção do post não foi generalizar, e sim separei alguns grupos, que não são aplicáveis a todos os otakus, são só alguns grupos que estão intimimamente ligados ao que eu quis passar. Em momento nenhum ataquei os otakus casuais, aliás, em momento nenhum ataquei ninguém, só propus uma solução pra má imagem que nós temos, principalmente entre o público mais velho. Quanto em qual grupo me encaixo, acho que nenhum dos citados, mas se for pra escolher um, o casual. Acompanho os mangás da Shonen Jump e mais alguns semanalmente, mas fora isso leio e assisto uma média de 2 ou 3 séries por mês, isso quando estou focado em animes e mangás, pois gosto de mais uma porrada de coisa. Por fim, falar de bom gosto é complicado, gosto é que nem cu. O problema é o senso crítico mesmo, se a pessoa gosta de algo que eu acho ruim, mas tem argumentos, isso já está de bom tamanho, o problema é a falta de argumentos…

  • Gilgamesh says:

    Sou uma database humana de Anime,mangá, doujinshi e Hikikomori downloader compulsivo, será que isso naum é saudável?HELL NO…mas é isso minha alegria, sobre os Narutards…cara só tenho um pouco de ódio desses..mas se eles sao felizes sendo ridículos..bom pra eles, eu naum tenho vida social mas mesmo assim feliz, entaum tá valendo, pelo menos estou no meu canto sem encher o saco dos outros.

  • Sofia says:

    Eu sou otaku poser mesmo, soh que nao gosto de Naruto, mas andei com puseira do Kyo por um ano inteiro e soh leio manga desconhecido… (aka projetos de scanlations obscuras). Só fui em uma convençao na minha vida e pretendo ir pro Japão… Alem das minhas melhores amigas serem japonesas e eu gostar de Clamp desda segunda serie e me apaixonar por Inuyasha na quarta ateh a setima (oque me rendeu algumas brigas de puxar o cabelo nessa mesma quarta serie), digo que sou poser, só pra ninguem reclamar. Mas comparado a certas pessoas que conheço, eles diriam que eu sou hardcore, mundo Estranho esse. Ou será que eu seia considerada Casual?

  • Lucano Lobo' says:

    Não desmerecendo outros post's, mas acho que esse foi o melhor. Darko, aqui o Brasil a gente chama de otaku exatamente quem gosta de anime e mangá. Tudo bem que no Japão é outra coisa, mas eh como outdoor, a gente usa desse jeito, logo, AQUI, significa isso. Por isso acho válido usar-mos otaku no significado "brasileiro" da palavra, não importa o quanto a gente lute ou grite "mas naum tem logica, isso significa uma coisa diferente…" o mundo vai continuar girando e os outros vão continuar se chamando de otaku.

    Cynthia, desculpa ai, mas Otaku poser existe sim e por sinal são bem chatos, não vou entrar nem no quesito deles apenas conhecerem meia duzia de animes assistidos cortados na TV, até por que o cara gostar de anime e naum ter internet não é culpa dele. O chato é que eles, mesmo a gente emprestando os dvds, dando conselhos e tudo mais, eles se fecham a um grupinho de animes e ficam lá sem conhecer outros… Eu tenho um amigo que vai pro SANA (evento de anime daki) e acha que Video Girl Ai/Len é o melhor anime de todos, vc pergunta por que ele responde: "Ah, foi o primeiro mangá que eu lí"… Tu fica olhando assim, meio que sem querer ser chato e falar "Cara, meu primeiro anime foi Pokémon, ainda assim é uma bosta, tenho o maior respeito, mas pro meu gosto de hoje é uma obra muito simples." Tudo bem que cada um tem seu gosto, mas tem coisas que realmente, precisam ser reavalizadas, o cara gostar de Video Girl só por que foi o primeiro anime… Isso chega a ser um motivo? Os pais da gente falam de RPG, de anime/mangá, dissem que isso "queima o cérebro", que é "obra do cão"(minha vô anum me deixou assistir DBZ na casa dela depois de saber que existia o Ms. Satan) e só recebem cada vez mais motivos para falar isso ao ver verdadeiros RETARDADOS andando de bandana no meio da escola ou pulando de árvores altas gritando "eu posso voar"(meu vizinho de 14 anos fez isso e veio parar aqui). Realmente deveria haver um aculturamento do publico otaku brasileiro, mostrar que o anime e o mangá podem trazer coisas positivas, tanto para a vida do individuo quanto para o mantimento da sociedade.

  • Hiago says:

    Concordo com a Cynthia q disse q posts como esse poderiam vir mais ^^.
    Comentando agora:
    Não acho q é necessario criticar ou "parabenizar" alguem q venha a pertencer a um desses grupos citados. MINHA humilde opiniao.
    Acho q se os chamados Narutards sao felizes e se divertem pulando de arvores e dizendo q podem voar [adorei isso xP] ou usando bandanas, isso é otimo, afinal estao fazendo algo q os traz felicidade sem ter q se preocupar com o q os outros vao pensar sobre eles.
    Cada um se diverte de determinada forma. Falar q o certo é X ou Y, que nao é muito bacana.
    Tb acho q dizer q todos devem desenvolver o dito "senso crítico" possa ser petulancia de nossa parte, pq estariamos dizendo q a pessoa tem q fazer "isso ou aquilo" pq esta eh nossa vontade.
    Tb acho q assistir um anime e depois que te perguntarem pq vc gostou dele, vc falar q gostou “porque é legal”, nao é nenhum problema. Pura e simples diversão.
    Afinal, quando te perguntam pq vc gostou de tal filme americano, vc nao tem q fazer uma analise do mesmo e listar os pontos q te agradaram. Um "porque é legal" muitas vezes já é o necessário.
    No fim, vc saber o que vc é, ou como vc é, isso sim é imporatante, pq se preocupar com q os outros vao achar de vc, se vao te comparar com fulano de tal, nao vai te trazer bem nenhum, digo isso por experiencia propria. =]
    Enfim, listei um serie de achamentos meus, desculpa se fui desrespeitoso em algum momento, nao foi intençao.
    Resumindo, se divertir vendo só um anime em toda sua vida, ou 3 por semana, qual é a diferença? Divirta-se que tá tudo bão. =D

  • Lucano Lobo says:

    É mas a gente tem que ver uma coisa, o cara que usa bandana, muito raramente vai ser feliz de verdade, ele vai ter uma ilusão de realidade. Ao ver que a ilusão é a única felicidade que ele vai conseguir ele se fecha da realidade e passa cada vez mais a viver uma felicidade de mentiras, em um mundo onde tudo da certo e amigos saum inseparaveis e tudo mais. A gente já está entrando em um campo filosofico demais ao discutir a felicidade, e naum é esse o ponto. O ponto é que, narutards, em sua maioria, são alienados. Assim como todo alienado, ele naum procura argumentos para sua alienação, se naum deixa de ser alienação. E quando ele está envolto nessa alienação e se acha feliz. Tudo bem que a parte de ir contra a sociedade, criar manias e modas novas e tudo mais, eu apoio e até admiro. Agora, se for pra usar uma peça do vestuario, pq a gente naum pega alguma coisa mais inteligente? Pq naum usar akela mexa que a Lain tem com os barbantes e tudo mais? Pq naum começar a usar quinomos no meio da rua? ou andar com as sandalinhas de madeira??? Tem tanta coisa mais interessante que bandanas…

  • Hiago says:

    É, começar a dizer se eles sao felizes ou nao do jeito q sao eh meio complicado, afinal nao somos um Narutard, mas sei lá.
    E as vezes, o carinha nem é tao alienado assim, as vezes ele só parece ser, ou quer se fazer parecer.
    Já esse negocio de bandanas q vc disse entra naquela veeelha frase: "Gosto eh q nem… nariz". hsauhsua
    Eu nao sei se seria mais estranho ver alguem de bandana na rua do q com uma sandalia de madeira ou um kimono. E tb nao to nem aí… hsaushauas

  • Ken-san says:

    Gostei muito da matéria, reflete exatamente o que penso. Percebo que a maioria dos fãs de animes que eu conheço sequer se preocupam em experimentar outros gêneros. A maioria esmagadora gosta exclusivamente de anime shonen, alguns no máximo gostamde algum shoujo ou comédia romantica.

    Aí se vc pergunta quais são os ''melhores'' animes que essa pessoa assistiu a maioria responde: Naruto, CDZ, Dragon Ball, etc. Apesar de ser animes populares convenhamos que não têm uma animação espetacular e um roteiro bem desenvolvido. Não que eu não goste desses animes, pois eu assisto Naruto e me divirto. Mas em termos de animação e roteiro, Naruto ou CDZ nem de longe pode ser comparado a Monster, Ghost in the Shell, Perfect Blue, ou animes do Studio Ghibli, inclusive é uma pena que com exceção de Chihiro quase ninguém conhece as obras-primas desse estúdio, Hotaru no Haka, Only Yesterday, Laputa, Mononoke Hime, só para citar alguns. Têm vários animes atuais muito bons também como Jigoku Shoujo, Lucky Star, Haruhi, que fez um sucesso tremendo no Japão.
    Tem vários animes e mangás excelentes disponiveis para download em português, vários títulos interessantes já forma lançados no Brasil, não custa nada tentar algo novo.

    Outra decepção são os eventos de anime, em vez de serem um meio para conhecer gente que tem o mesmo hobby, torcar informações, fazer cosplay ( a maioria esmagadora dos cosplays são de Bleach ou Naruto, já até perdeu a graça os cosplays em eventos aqui em BH), muitos vão para zoar ou porque ''está bombando''. Muita gente que vai em eventos nem gosta de animes realmente, pude comprovar isso várias vezes aqui na minha cidade.

  • jetset says:

    muito bom este post. Não me considero um otaku propriamente dito. Leio varios tipos de quadrinhos, americanos, europeus, apesar de a preferencia ser mangá. Acho que os otakus, são em sua maioria muito chatos, não pode ter um corte, uma adaptação que eles ja ficam chorando: Ah meu Deus nessa cena a menininha de 12 anos de idade aparece nua e aqui eles cortaram, vou cortar meus pulsos". Acho que gosto é gosto, mas tem um certo limite para retardadisse. No unico evento que fui, o anime friends 2007, me senti meio estranho. Um monte de doido com toquinha de bichinho na cabeça, bandana do Naruto e aquelas plaquinhas de retardado. por isso que são taxados de nerd e retardado. Veja quando passa uma materia sobre isso na TV. Aquela monte de gente com toquinha, falando nya e nyo. Mesmo gostando de anime e mangá me sinto um tanto quanto estigmatizado. Claro que os fas de manga e anime não precisam ser aqueles fãs dos cults e dos classicos, pois estes são os fãs mais chatos, pois se acham superior aos outros, mas acho que mesmo uma pessoa que goste de pokemon e naruto não precisa agir como retardao e andar na rua com estas bandanas ridiculos.

    Até porque quando uma pessoa vier perguntar por que ela gosta de mangá e anime, o otaku simplesmente não vai conseguir responder. Acho que se o fã saber explicar como funciona aquilo que ele gosta, pode ser que a pessoa com quem ele esta falando até passe a se interessar por anime e mangá tambem, ou pelo menos vai saber respeitar um pouco mais o gosto do otaku.

    Façamos com que, não só o magá e anime, mas outros tipos de quadrinhos sejam respeitados como forma de arte que eles realmente são, enão apenas como gosto de doidos que colocam touquinhas de bichinho e ficam tomando mupy

  • dnskun says:

    concordo plenamente com o Darko

  • Saikyo says:

    A meu deus discussão sobre significado de otaku, até parece o maldito finado forúm da Henshin XDDD

  • Mush says:

    Cara, você falou muito doque eu penso nessa matéria… Só discordo do "publico comprador de mangas ser mais critico"… Eu só baixo coisas… E bem, eu sou chamado de "critico maldito" pelos meus amigos… Enqautno vejo dezenas de gente enchendo o rabo de titulos ruins por ai (naruto , bleach, entre outros).

  • Mush says:

    Cara, você falou muito doque eu penso nessa matéria… Só discordo do “publico comprador de mangas ser mais critico”… Eu só baixo coisas… E bem, eu sou chamado de “critico maldito” pelos meus amigos… Enqautno vejo dezenas de gente enchendo o rabo de titulos ruins por ai (naruto , bleach, entre outros).

  • Starfox says:

    Galera, antes de se envolver nesse tipo de discussão precisamos ter em mente o seguinte: vivemos em uma sociedade onde as relações que a move ocorre, antes de tudo, por padrões que foram, pouco a pouco, se arraigando na mentalidade coletiva. Sim, os padrões de "certo e errado", de como se comportar, de como viver, sobre o que acatar e o que descartar, o bonito e o feio, etc. Pois bem, esses padrões ajudam à classe dominante (todo Estado sempre funciona por intermédio de uma elite em detrimento dos subordinados) a conseguir legitimar seu governo. Muito embora, hoje, devido ao rápido acesso às informações, essas noções padronizadas (tidas por verdades sociais) mudam muito rapidamente de acordo com as necessidades da classe dominante. A mídia tem esse papel, evitar que as pessoas desenvolvam senso critico, gerar alienação, pois, obviamente, a alienação facilita o domínio dos que já dominam, cria uma sociedade (me referindo à grande massa) passiva às regras impostas pela classe dominante. Bom, onde quero chegar com isso? Simples! Como toda mídia, no mundo dos animes também temos boas e ruins obras. Ou seja, temos animes com conteúdos ideológicos que irá provocar idéias já pré-formuladas (esperando um resultado "x"), temos animes que não provocará idéia alguma, e temos animes que levará à um certo senso crítico (como cowboy bebop, por exemplo, e vários outros que te faz pensar, de maneira livre, sobre a sociedade, sobre o mundo, etc). No mundo Otaku, porém, temos os alienados e temos os críticos, como em qualquer outra parcela da sociedade. Discutir sobre tribos, posers, animes bons ou ruins, todas essas coisas deveria ter, antes, uma dose de sensibilidade referente ao processo de alienação (necessário à manutenção dessa estrutura social antagônica, favorável à uma classe dominante) cujo o qual se dá pelos meios de comunicação em massa. O mundo dos animes não foge às regras da grande mídia: temos boas obras e também grandes lixos, temos um pessoal mais refinado e também grandes alienados.
    Abraços!!

  • kelvison says:

    bom.. discordo com o autor do post , pois ele foi desrespeitoso para com alguns grupos ,inclusive com aqueles menos previlegiados que veem anime pela tv aberta.E acho que não existe algo mais poser do que " devorar " um monte sem ter parametros para seleção do que seja bom ou ruim.Anime é para o japão o que o cinema é para os EUA(ou algo parecido )e contudo, há animes bons e ruins,infantis(que não se restringe para o publico infantil)e adultos .
    Por que as pessoas tem tanto medo do popular? há alguma vontade enrustida em curtir algo que ninguem curte? Isso pra mim é ser poser de verdade ,pois conheço um rapaz que viu centenas de animes e não tem menor senso critico .Para ser um otaku não precisa ver um monte de anime e sim saber apreciar e se envolver no universo dos animes ,isso requer um pouco de nossa atenção.
    Vejo naruto,pois reflete bem o sistema de politica interna como as relaçoes internacionais entre paise ,inclusive com relação a guerras,nos mostra tambem valores e a mediucridade de alguns governantes … enfim eu julgo ser um ótimo anime devido ao conteudo.

  • Briza says:

    Fiquei feliz ao ler esse post e os comentários.Por mais que não concorde com a maioria dos comentários, a maioria dos argumentos aqui apresentados foram muito bons, e me fizeram pensar.
    Eu admito que já fui um pouco de cada um.Já tive épocas em que defendia um anime "modinha" com unhas e dentes,tendo como o argumento a diferença entre o anime e as séries americanas.Já comprei muitos mangás,gastando dinheiro desnecessário,pois achava a história uma porcaria (o resultado é que agora meus pais não compram mais nem os que eu realmente gostava xD).Já passei horas assistindo animes para depois exibir esse resultado para os narutards e me sentir superior.Acho que só não fui otaku casual,pois é só a minha falta de tempo que não permite que eu entre de cabeça de vez nesse mundo considerado mágico por mim xD

  • Briza says:

    continuação~~~~

    Agora que estou mais velha (14 anos LOL),percebo que foi através dos animes que desenvolvi e descobri qual é o meu senso crítico: Ver e ler o que mais combinar com a situação que eu me encontro. Já que tem tantos tipos de animes,por que não aproveitar o que cada um tem de melhor na hora certa? Por exemplo,tem horas em que eu estou emotiva e quero ver algo fofo e romantico que me faz sonhar (mesmo que a realidade não seja assim),outra hora eu quero ver lutas que me façam vibrar e sorrir com a vitória do mocinho, sem me preocupar com as sensações de dejavu com cenas semelhantes. Outras vezes eu quero algo complexo, que fuja do habitual, devido ao tédio constante.E assim vai.

  • Briza says:

    juro q é a última parte xD

    E,na minha humilde opinião, eu acho que seja necessário sim descrever o sentimento que te faz gostar do anime ou do mangá, porque se você consegue fazer isso as chances de um debate são maiores,podendo proporcionar um desenvolvimento intelectual melhor, e eu acredito que é isso que os otakus precisam.Não é uma questão de quem "vence",é uma questão de ver os dois lados da moeda e quebrar a barreira que impede uma visão mais ampla do mundo.E finalizando, o que me deixa com mais raiva são pessoas que nem sabem de um assunto e querem críticar, eu penso que somente quem já entrou em contato ,já conheceu, é que tem esse direito.
    Adorei o post, espero encontrar mais como esse ^-^

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