Ocidente X Oriente: uma questão de ótica

Postado em 23/03/09 na categoria Anime, Otaku, por

Já que o pessoal gostou do assunto, resolvi ampliá-lo um pouco mais. Mas antes, aconselho que vocês leiam esse post do Shoujo Café, que traduz um artigo online do jornal Yomiuri, onde os japoneses falam sobre os pontos negativos de sua incursão no mercado americano, levando anime e mangá para o outro lado do oceano.

Resumindo rapidamente, o artigo trata sobre a dificuldade de vender produtos relacionados à anime e mangá nos EUA. Antes de tudo, é bom ter em mente o que é uma convenção voltada para o público otaku no Japão; o principal foco está nas vendas, seja de material doujin ou oficial. Como o artigo disse, em feiras como a recente Tokyo Anime Fair cosplayers amadores são proibidos, para não tirar o foco do evento. Nos EUA isso seria um sacrilégio, e muita gente deixaria de ir, já que os cosplays são um dos principais fatores que atraem às pessoas para os tais eventos (que ocorrem com uma frequência e em uma variedade lugares muito maior do que aqui). Perceberam alguma semelhança com a nossa situação?

Animes atingem um público médio no ocidente que não é atingido no Japão. Lá, quem gosta de anime é otaku, fãs hardcores que se dedicam pra valer ao hobby, comprando todos os produtos de suas séries preferidas e produzindo material doujin em larga escala. Por aqui, como todos sabem, a coisa é um pouco diferente. Como comentamos no Reviews #14, é muito mais uma convenção social do que um evento comercial. As pessoas estão atrás de outras pessoas, que partilham do mesmo gosto (dito peculiar) que elas – ou só pra farrear mesmo, soltar a franga, colocar uma toquinha e sair por aí distribuindo abraços e pedindo uma namorada via plaquinha, com um sorriso amarelo. E não me entendam errado pelo tom do último post, essa é uma realidade brasileira E americana.

Tanto lá no norte como aqui em baixo, narutards são maioria. Isso não é um problema, eles não são seres inferiores, são apenas pessoas que escolheram um modo de vida pra sua adolescência, mesmo que ela dure mais do que deveria. A diferença está no tamanho dessa maioria. Nos EUA existem painéis nos eventos voltados para assuntos mais específicos, você encontra uma quantidade maior de podcasts, todos com muito conteúdo, e de blogs de grande porte que tratam de coisas muito mais obscuras do que o nosso padrão Shonen Jump. Esse parágrafo foi apenas para explicar a motivação por trás do último post: não há problema na existência do narutard, o problema é toda a cultura otaku nacional ser voltada para ele, devido à passividade do resto do fanbase. O artigo do Yomiuri fala de “conteúdo, comunidade e comércio”, e enquanto os EUA têm os 2 primeiros, nós ficamos só com o do meio. Enfim. voltemos ao assunto principal.

Resumindo: americanos não compram o suficiente e isso em parte é culpa da diferença do público alvo. Eu já comentei em algum JCast que os dvds de anime, no Japão, são mais caros do que qualquer outro tipo de dvd. O mercado japonês está acostumado a vender anime caro, e até quando vende os direitos para redistribuição no exterior o preço vai lá em cima. Isso faz com que nos EUA o preço do dvd também seja exorbitante, só que lá não existem otakus dispostos a pagar qualquer preço pelo produto original, e as vendas são aquém do esperado.

Fechando o assunto, uma coisa interessante é como alguns animes possuem uma estética altamente ocidental, como Black Lagoon, e realmente são planejados e produzidos conosco em mente. Um exemplo foi a exibição do trailer do novo ova de Hellsing na Tokyo Anime Fair, que foi exibido na ala direcionada ao público estrangeiro. Eu li em algum lugar por aí uma interessante análise sobre a diferença do público ocidental e japonês, que dizia que o Ocidente está mais focado na ação, gosta de ver as coisas acontecerem, sejam com explosões ou desenvolvimento de uma história ou mundo, enquanto os japoneses preferem os personagens. Por mais monótona que uma história seja, se os personagens forem interessantes (e tiverem moe) e chamarem a atenção dos japoneses, isso já é o suficiente. O foco não está em ritmo, complexidade, narrativa, nada disso, e sim nos personagens. Isso explica muito do porque a atividade doujin é tão grande no Japão. Um bom exemplo é Haruhi. Um anime com os episódios embaralhados, sem muita linearidade, em que, se você for analisar, não acontece muita coisa, mas os personagens são muito bem construidos e carismáticos, fazendo com que você se apegue a eles. Não importa se tem muita coisa acontecendo ou não, você só quer ver mais e mais daqueles personagens, mesmo que em situações corriqueiras ou banais.

Eu estou com os japoneses: prefiro personagens à ação. É visível nas minhas reclamações constantes por menos crateras e mais desenvolvimento em Naruto (aliás, os últimos capítulos me animaram um pouco, apesar da inconsistência). Esse gosto também é facilmente refletido na diferença entre os jogos japoneses, que estão cada dia mais japoneses, e os americanos. Isso que é interessante: como a cultura ocidental e oriental se diferenciam tanto, que é possível gostar da mesma coisa e gostar de coisas completamente diferentes ao mesmo tempo. E você, por que você gosta de anime e mangá?

  • rubio says:

    comcorco plenamete personagens sao muito melhores do q açao, porem quando tem os 2 e otimo xD…esse padrao de dias banias fazem alguns dos meus anime fovoriros(ichigo mashimaro, lucky star, entre outros )

  • Cristie says:

    Oie… Primeira vez que eu comento aqui, apesar de acompanhar o Jcast já faz um boooom tempo. xD
    Então, pra comerçar, adorei o post. LoL
    Ás vezes, eu até me irrito com muitos "otakus" ocidentais que não dão o braço a torcer para comprar um DVD original e nem mesmo um mangá original mesmo tendo dinheiro, pois já leram ou podem assistir e ler na internet. Esses, eu nem ao menos considero fãs. =/
    Muitos "otakus" baixam e assistem seu animêzinho de cada dia no pc, mas não dão a minima para o produto no mercado brasileiro. E depois, reclamam do pouco investimento do gênero no Brasil! ¬¬
    E eu também estou com os japoneses (talvez porque sou descendente, sei lá), eu prefiro mais ver a interação entre os personagens em situações coditianas do que ver ação e porrada o tempo todo. Por isso, eu me irrito muito ao ver aquele bando de gente reclamando de Bleach dizendo o mangá está tendo muita "enrolação" ou que está "ruim", simplesmente porque não estava numa fase onde tem lutas fodonas e sangue jorrando…

  • Lucano Lobo says:

    Cris-chan e Darko estão cobertos de razão. O importante não é aquela luta estrondoza que gasta litros e litros de tinta e sim como os personagens veem (agora o acento caiu^^ nunca soube em qual dos "e"s colocar…-.-") akela explosão ou akela disputa… Por isso muita gente reclama de alguns animes, e por isso que eu reclamo de muitos filmes e quadrinhos americanos. "Por eles estão brigando?" – "Por que o cara da mafia quer botar veneno no rio e esse veneno vai matar todo mundo…" – "mas se a mafia matar todo mundo, vai tirar dinheiro de onde" – "mas é obvio que a mafia vai perder" – "entaum pq eles lutam" – "Pra deixar o filme mais massa"…em contra ponto temos no mangá "por que eles ainda naum estão lutando" – "pq eles ainda estão pensando a melhor estrategia para que poucas pessoas saiam feridas" – "e qual a graça se anum tem sangue" – *o garoto(a) bate na testa, faz um "não" com a cabeça e desiste da discução*…

  • dnskun says:

    Concordo plenamente. Até em shonens como Bleach e Naruto. Prefiro quando o anime está na escola (Bleach) e em Konoha (Naruto). Concerteza gosto mais dos personagens :)

  • Saikyo says:

    Eu acho melhor um equilibrio entre história, personagens e ação.Assim agrada e chama a atenção de fãs mais ocidentais, orientais ou os "massa véi" em uma boa proporção.

    E quadrinhos tá foda, o modelo tá meio desgastado apesar de algumas boas idéia, seria melhor DC e Marvel fazerem um reset conjuntas…

  • Lucano Lobo says:

    No caso da marvel eu nem falo muito, ultimamente eles tem feito varias historias com personagens adolescentes e/ou personagens novos ou naum explorados anteriormente, logo eles tão pegando mais por lado dos personagens e da "psicologia" deles. Eles acabaram de matar o capitão america (tava mais do que na hora dele morrer mesmo) e fizeram uma miniserie mostrando as dores e lembranças de todos os personagens mais influentes da marvel… Agora a DC… Naum posso nem falar muito pq naum leio muito da dc… Mas oq eu li, sempre foi nas mesmas formas assim, tudo igual. O heroi da pau no vilão, por motivos eticos o heroi deixa o vilão vivo, que volta pra dar um pau maior ainda, mata o heroi, que revive de alguma forma pra matar o vilão e chorar quando a mão desse vilão escorrega num dia de chuva em cima de um predio alto…

  • Rarcanus says:

    É… realmente o ocidente não traz lucro p o oriente, pois todos nós (Brazil) temos essa cultura de gostarmos (de MUITAS coisas ao mesmo tempo, como foi dito), mas não de uma maneira Otaku oriental, utilizando apenas do que é "trazido" de forma não convencionalmente correta, ou do Japão ou dos Isteitis.
    Eu faço minha parte na medida do possível para estimular o 3ºC, mas meus "genes ilícitos" de brasileiro não resiste a um Fansuber, Scanlator, Torrent, site de donwload, camelô… -_-'…
    Sou culpado… Gomenasai… -_-'

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