Nostalgia perdida
Postado em 14/04/09 na categoria TV, por darkonixEu tinha meus 3 ou 4 anos de idade quando assistia tokusatsu na falecida Manchete. Minha mente mal lembra direito deles. Tenho lembranças claras de alguns episódios de Cybercops e Winspector, mas todo o resto é um borrão indefinido. Pelo menos era, até a estréia de Ryukendo, ontem, na RedeTV.
Acho que todo mundo já passou por isso: aquela lembrança de infância que por mais que você force ela nunca vem com clareza, até que em algum momento algo a ativa e ela volta como um turbilhão. Foi isso que me aconteceu ontem. Ryukendo é um tokusatsu, como o Laivindil definiu, bem de raiz. Ele não tenta ser cinematográfico, os vilões são caricatos, a história é simples e batida e ele não se passa em Tokyo, e sim em uma pequena cidade fictícia. Junte isso tudo à uma dublagem esforçada, mas bamba devido à dificuldade de sincronizar a língua portuguesa ao japonês, e temos uma verdadeira volta ao passado.
Claro, tirando os CGs. Mas antes, um pouco da história: Kenji Narukami é um jovem viajante que, em sua jornada por todo o Japão, acaba chegando na cidade de Akebono. Lá ele encontra policiais pedindo pra que ele se abrigue, e logo entende o porquê, quando uma onda de soldados monstros (ou seja lá como eles se chamam) aparece no horizonte, marchando em direção à cidade. Os policiais correm, mas logo um ser misterioso de armadura chega e os derrota.


Mais tarde, ainda no primeiro episódio, descobrimos que esses monstros são da organização maléfica Jamanga, e que a cidade de Akebono é um foco de uma peculiar energia, mais poderosa do que qualquer outra existente na face da Terra, chamada Minus Energy. A intenção da Jamanga é coletar essa energia, através do medo dos moradores, para despertar seu mestre, que está preso em uma bolota verde (ninguém nunca viu essa história, né?).
Basicamente é isso. Em meio a mais um ataque, dessa vez de uma barata cinza gigante, Kenji é escolhido pela espada GekiRyuuken e se torna Ryukendo. Sobre o roteiro da série, é interessante o caminho que os tokusatsu (e também os doramas de comédia) parecem seguir hoje em dia, com uma estética de mangá e efeitos sonoros bem cartunescos, como de olhinhos brilhando e coisas assim. O humor é bem japonês, bobo e sem noção, o que é muito interessante para crianças. Eu adorei quando Kenji pega um pedaço de pau e ataca o monstro gigante por ele ter devorado o caminhão de croquetes, e agora o casal que vendia nunca mais o poderia fazer, e isso o irritou pois ele havia adorado aqueles croquetes.

A dublagem, como já comentei, é bamba, mas muito esforçada. O texto parece fiel e bem adaptado, mas as interpretações são um pouco danificadas pelo idioma de origem e essa mania que japoneses têm de falar com pausas estranhas e terminar as frases com a boca escancarada. No fundo também gostei disso, pois remete ainda mais aos tempos da Manchete, junto com a interpretação exagerada e pastelona dos atores nos momentos de comédia. A opening foi mantida, completinha e em japonês, mas a ending pelo visto foi pro espaço.
Por fim, o CG. No início, fiquei impressionado com a onda de inimigos que vinha correndo e pulando. Gostei muito, apesar de ser claramente bem porquinho. O cenário é lindo, a cidade pequena dá um ótimo clima, e a barata gigante me fez cair de vez na graça desse CG de ps1. Sério, eu só lembrava dos Digimon World assistindo! Mas esse CG de chiclete me comprou, ele combina com o climão nostálgico que o tokusatsu tem. Eu gosto da tosqueira, das maquetes, e normalmente computação gráfica em tokusatsu me incomoda bastante, mas esse encaixou perfeitamente. Só não gostei da batalha final, ela foi praticamente toda em computação e me senti assistindo a cutscene de algum jogo. Toda hora eu pensava “ok, já deu a boa impressão, chega de CG, volta a ser gente!”, mas o Ryukendo feito de borracha continuava pulando pra cá e pra lá. Por falar dessa cena, a série parece seguir essa temática de religião e templos, o que é ótimo, pois esses budas gigantes dão um impacto enorme.

Enfim, eu adorei, mas não sei o que as verdadeiras crianças vão achar. É o tipo de humor que eu gostava quando tinha a idade delas, bobo mas que não trata o telespectador como um retardado mental, só que as crianças de hoje em dia parecem estar muito acostumadas a serem tratadas como mongolóides. Eu fui criado com os litros de sangue de Cavaleiros do Zodíaco e sou mentalmente sadio (ok, há controvérsias). Só o tempo nos dirá se Ryukendo será bem sucedido, mas aproveitem enquanto é tempo: esse tanto pode ser um novo boom que irá novamente abrir as portas da TV brasileira para o tokusatsu, como também o último que veremos por muito tempo. Todo dia (só não sei quanto aos sábados), às 19 horas na RedeTV!, logo após Pokémon.
P.S.: Os que estão ansiosos pelo podcast, nos desculpem. Estamos correndo atrás pra tirar o atraso, então por volta do final de semana vocês terão pelo menos uma edição, aguentem firme que estamos nos desdobrando em mil!



Pooo!! Eu vou assitir de certeza! Pena que ontem perdi e hoje tenho wushu, mas amanhã eu vejo!:D e vou fazer meus irmaos menores assistirem pra ver se param de ver desenho tosco
Bom, só não irei assistir porque nunca gostei de Tokusatsu, mas fico feliz por investirem nisso nos dias de hoje.
Power Ranger não vale, aquilo é que nem Pokemon, nunca sai da TV e nunca vai sair.)
E concordo que tratam as crianças de hoje em dia como retardadas. Eu, pelo menos, acho acho grande parte dos desenhos de hoje em dia muito toscos e idiotas… E meio nojentos(?). =|
Esse tokusatsu é muito zuado!!!
To assistindo por nostalgia! ele e POkemon(gosto da Ilhas Laranjas).
Eh simples, mas com o espirito japonês dos clássicos, um humor Zem noção tipico para crianças.
Legal… para as crianças… mas vou assistir pra ver oq vira!!!! XD