O Braço direito de Deus

Postado em 22/05/09 na categoria Mangá, por

Título melodramático, esse. Bem, mas Tezuka é considerado o deus do mangá e tem um motivo pra isso. Osamu Tezuka (1928-1989), trabalhou que nem o capeta. Mais conhecido por aqui através de Astro Boy e A Princesa e o Cavaleiro, Tezuka na verdade lançou mais de 600 títulos, muitos deles temos a fortuna de ter traduzidos em português. Infelizmente, o trabalho de Tezuka é amplo demais, e o povo aqui do ocidente liga de menos. Até scanlations são complicadas de achar. Quem quer consumir Tezuka, tem que ser muito ninja.

Nesse post eu vou reproduzir trechos de uma entrevista muito interessante que Takayuki Matsutani, 64 anos, deu para Kyodo News e que o JapanToday traduziu. Esse cara foi empresário de Tezuka, e hoje é presidente da Tezuka Productions Co.

“Conheci Tezuka quando era editor  em 1972, e o convidei a contribuir com nossa revista”. Em 73, Matsutani foi trabalhar diretamente com Tezuka, mesmo ano em que sua companhia Mushi Production faliu. Pra quem não sabe, essa companhia criou longas bem controversos, já mencioados aqui no Jcast.

“Como cresci lendo Astro Boy, pensei, francamente, que ele pertencia ao passado”, diz Matsutani. Porém, quando olhou com cuidado o trabalho de Tezuka naquele período, anos 70, viu o novo, estilizado, satírico e desafiador rumo que suas histórias tomavam, animando-se novamente.

“Ele tinha muito bons trabalhos na época, como Black Jack, que saia em uma revista infantil, mas o personagem principal era um médico adulto. Tezuka foi uma pessoa aventureira, revolucionária e maravilhosa”.

Matsutani pinta Tezuka como engrenagem principal no desenvolvimento do mangá durante o pós-guerra, servindo de base e trampolim para que se tornasse o fenômeno cultural que é hoje em dia. Certa vez, ajudando organizadores de uma exposição sobre robôs, Matsutani foi abordado por um dos cientistas. “Ele me contou que a razão pela qual se interessara por robôs humanóides ao invés de máquinas industriais, foi Astro Boy. Muitos se tornaram médicos por causa de Black Jack.”

Mais próximo de Tezuka do que um mero subordinado deveria ser, Matsutani permanecia com ele durante as longas horas de trabalho. O mangaká se envolvia profundamente com seu trabalho, e relutava em ir pra casa. Matsutani era o fiel escudeiro.

“Ele dizia que não trabalharia mais em animação, mas queria fazer isso, então acabava aceitando quando lhe pediam. Após uma noite inteira de trabalho, eu pensava em me demitir, mas não conseguia depois que ele sorria e dizia ‘ me desculpe’. Ele era bom em manter seus empregados a seu lado”.

Tezuka desenhava 600 páginas por mês, um ritmo alucinante de trabalho que durou até seus últimos dias. Matsutani diz que o deus do mangá via seu trabalho com uma missão. Frequentemente aceitava ir a entrevistas, apenas para fazer adultos entenderam a extensão do apelo que o mangá poderia ter.

Tezuka teria confidenciado a Matsutani que “Mangá no Japão alcançou um nível muito bom”. O empresário diz que o país hoje é focado no mangá, mas não pelo esforço de Tezuka apenas. Fevereiro marcou o aniverário de 20 anos de morte de Tezuka, que também confidenciou a Matsutani que o mangá só tende a melhorar no futuro.

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