Censura-tan chega ao Japão

Postado em 23/06/09 na categoria Otaku, Política, por

Houve todo um burburinho por causa de Rapelay, feministas inglesas reclamaram, e no final jogos envolvendo estupro (popularmente conhecido como RAEP) de forma descarada sofreram uma série de pequenas censuras no Japão. É a chegada da Censura-tan!

Nós, como mídia extremamente competente e qualificada, acompanhamos o caso, mas não falamos um ai sobre isso aqui no blog. Como já tá passando da hora, lá vai um resumo: tudo começou com RapeLay, jogo em 3D cujo objetivo é estuprar uma família de mulheres, sendo vendido na Amazon inglesa. O correspondente britânico para o político-chato-que-pega-no-pé-dos-games, existente em todo país que se preze, disse que esse jogo era um exemplo de como o conteúdo dos jogos deve ser regulado. Logo o grupo de ativistas Equality Now ficou sabendo, e mandou um protesto diretamente à produtora do game, Illusion, e ao ministro Taro Aso, que gosta da coisa mas tem que fazer média e fingir que é um ser humano normal, que não coleciona figures e vira a noite jogando eroge.

O que esse povo não sabe (aliás, acho que ninguém da mídia ocidental sabe), é que o jogo possui um final secreto! Eu já o conhecia faz tempo, e muito já tinha pesquisado. Não cheguei a jogar porque minha máquina não rodava, mas utilizei de cobaias, como o irmão de 15 anos da minha ex. Espero não ser preso por isso. Enfim, o jogo possui um final, ativado por uma sequência de ações, onde a mulher estuprada puxa uma faca e apunhala o estuprador. Sentindo o gostinho da vingança, ela entra em frenesi e continua a apunhalar o atacante, agora embebido em sangue, até a morte. Infelizmente o vídeo foi deletado do Youtube, junto com vários outros, então se quiser ver vai ter que baixar o jogo e descobrir como ativar o evento.

Voltando; O Japão, pra não ficar mal na fita, resolveu regulamentar os jogos envolvendo essa temática. Segundo o Laivindil, as regras ficaram assim: palavras como “escravo”, ou “treinamento”, se referindo a outras pessoas, não poderão constar na embalagem. Animação envolvendo estupro não poderá exceder o limite de 20% da animação do jogo. Mesmo se não chegar a 20%, qualquer jogo que promova algum tipo de crime não será permitido. Qualquer jogo que promova estupro, confinamento, perseguição, violência doméstica, e mostre tais coisas de forma que o perpetrador ganhe algo com isso não será permitido.

Até então eu pouco estava ligando pra tudo isso. Na verdade o meu medo é o que poderia vir a acontecer. Todo mundo que conhece Visual Novels sabe que, frequentemente, elas mexem com temas obscuros, em tramas normalmente muito bem estruturada, de forte carga dramática e até mesmo de certo valor literário. Além disso, se a coisa cedo ou tarde se estendesse para o loli, temos Kodomo no Jikan, um mangá com apelo visivelmente lolicon, mas ao mesmo tempo possuindo uma boa narrativa, não sendo gratuito, pelo menos não em sua totalidade. E se essas regras ficassem mais restritas, e obras que mexem com o tema de forma artística, e não gratuita, fossem proibidas pelos simples fato de equilibrarem isso com as taras bizarras dos nossos queridos otakus?

Bem, logo saiu uma lista dos primeiros jogos que sofreram uma leve censura, tendo que mudar de título, Pela lista, fiquei tranquilo: apenas as coisas mais esdrúxulas e descaradas estão sendo cortadas, com títulos que vão desde “Inferno do Estupro da Garota Escravizada”, passando por “Espiando a Professora Adormecida – Diário de Estupro de Mihoro-sensei” e chegando ao cúmulo “Pai Brutal 2 – Um Bruto Como Você Não é Meu Pai!”. Até aí, tudo bem bizarrices como essas sofrerem uma censura, até porque nem proíbidas foram, só sofreram uma censura nos nomes, e eu sou como o Laivindil: não gosto, mas é bom saber que existe liberdade no mundo o suficiente para que exista gente ainda mais bizarra do que a gente. Só que uma notícia recente me deixou com um certo receio.

A empresa Norn costuma envolver sempre temas como gravidez em seus títulos. Seu último jogo, Inugami-sama, já foi lançado faz um tempo via distribuição online, mas a sua versão física só ganharia as lojas agora. Isso mesmo, ganharia, pois a produtora resolveu fazer algumas modificações no jogo. A alegação oficial foi que “no futuro, jogos eróticos com personagens não-humanas e gravidez podem não ser mais permitidos”. Poxa, pera lá! O eroge não tinha nenhuma referência, nem mesmo de leve, ao estupro, e a personagem principal, como pode ser visto acima, é completamente normal aos olhos otakus, até mesmo ocidentais: inumimi e um rabinho. Eu dei uma olhada nas CGs do jogo, e a coisa mais chocante é uma cena de sexo com a personagem grávida, envolvendo leite materno. Pelo que eu sei tem até pornô “convencional” com mulher grávida, não? Segundo o Google Imagens sem SafeSearch, tem sim, e muito!

Eu realmente espero que seja só paranóia da empresa, e que não esteja rolando, por baixo dos panos, a possibilidade de uma proibição mais séria. Se for assim, um ótimo jogo como Yume Miru Kusuri logo não seria mais permitido, por envolver gravidez, drogas, problemas psicológicos, bully e suicídio, tudo com menores de idade. E olha que esse eu joguei, e posso dizer que possui um ótimo enredo, com valor literário, levando várias questões morais e sociais importantíssimas, e com o sexo quase em segundo plano, muitas vezes utilizado como recurso narrativo, de forma quase nunca gratuita.

Por fim, uma explicação sobre o título: Censura-tan, originalmente chamada de CHUANG-bar-YAN (nome inventado por mim, agora), é a representação moe da censura, criada pelos chineses, esses pobres bilhões de infelizes que precisam usar proxy pra acessar a internet de verdade.

  • (|/#|/#|/-(I G O R)-\|#|\#) says:

    O nome para definir essa censura toda é hipocrisia, esses grupos ativistas são todos uns hipócritas.

    Eu nunca joguei Rapelay, mais sei sobre as porcarias(pra mim e uma porcaria para outros não) que tem nele, e qual o problema com o jogo? eu acredito que o ser humano e livre para gostar do que quiser, contando que não cause danos ao próximo(eu penso assim), isso é apenas um jogo não e real, logo não causara danos a niguem.
    Rapelay não e o tipo de jogo que eu goste, mas caso alguma pessoa goste desse tipo de jogo eu não teria nada contra essa pessoa, agora quando essa mesma pessoa gostar desse tipo de jogo e passar a querer fazer a mesma coisa na realidade, ai sim eu terei algo serio contra essa pessoa.

    GTA IV, GTA San Andreas, CS, Bully, True Crime, e mais uma tonelada de jogos que eu poderia dizer são muitas vezes ate 10x piores que esses jogos pois contem chacinas, guerras, apologia a assaltos, apologia a assassinatos etc, porque proibir tipos de jogos como esse Rapelay e não proibir os do tipo que eu citei? a resposta e hipocrisia. =D

    Eu adoro jogos de tiros e sangrentos como Resident Evil, e não é por isso que vou sair por ai matando todo mundo a facadas e tiros pensando que são zumbis kkkkkk. pra começar esses grupos de ativistas deveriam se juntar e tentar combater crimes reais, não crimes dentro jogos. =P

    Continuando sobre a hipocrisia, no Brasil a mesma coisa, censuram animação Japonesa, mas não censuram o Pica-pau com uma pistola na mão atirando na cabeça do Zeca Urubu (esse cara e imortal). XD

    E realmente uma pena que agora o Japão esteja cedendo a censura sobre pressão dos estrangeiros e dos gaijin…
    Eu estou preocupado com os mangás, animes, novels etc, os animes já estão indo por esse rumo da censura, corte de cenas violentas, sangue, troca de diálogos um pouco pesados.(nem todos mais alguns sim), daqui a pouco isso vai acabar se estendendo a os mangás e assim por diante, mas eu tenho esperança que um dia tudo isso vai passar e que isso tudo seja apenas passageiro.

    Porra escrevi muito O_O
    cansei…

  • cynthia says:

    não sou a favor da censura, eu preferia q os jogadores desses jogos se dessem conta q violencia contra as mulheres não é divertido, e um anime lolicon jamais deveria ser mainstream, como acontece com kodomo no jinkan… a maioria dos blogs tratou o caso rapelay como se fosse mais um caso de políticos chatos interferindo no mundo dos games, mas não é, estupro é um crime horrível, e o fato da protagonista do game se vingar no final não minimiza nada =/

  • Darkonix says:

    Concordo sobre o estupro ser um crime horrível, pra mim isso é tão óbvio que nem precisa ser dito. A vingança da protagonista só ocorre em um final secreto, se fosse no final principal minimizaria sim, pois, por mais que o tarado satisfizesse o “guilty pleasure” durante o jogo, algo ainda o lembraria que aquilo é errado, por via das dúvidas. É aquela velha questão, eu não acho que jogos assim influenciem alguém a nada, mas também não vejo com bons olhos jogos focados totalmente nisso. O que eu defendo é o direito de usar esses temas como recurso narrativo, para contar a história. Já pensou se fosse proibido usar o tema estupro? Em qualquer lugar: filmes, livros, jogos, qualquer um. Isso não seria uma violação da liberdade de expressão e, PRINCIPALMENTE, uma limitação artística?

    Aí caímos em Kodomo no Jikan. É um mangá visivelmente feito para agradar lolicons, assim como qualquer anime com garotos bishonen com uma forte amizade que beira o absurdo é feito pra agradar fujoshi: não é decretado, mas fica claramente subentendido. Só que, em momento algum, o mangá levanta a bandeira lolicon. São personagens adultos normais, e crianças com a mente muito desenvolvida pra sua idade, como todo mundo bem sabe que acontece hoje em dia. E o mangá não faz nada mais do que mostrar a relação entre esses personagens, claro que sem pudor algum em mostrar nudez das garotinhas. O clima do mangá não é de fanservice, o lolicon está ali, mas não é gratuito, tanto que acompanho o mangá e, inclusive, RECOMENDO, por ser uma história de qualidade, com ótimos personagens e questionamentos psicológicos que raramente são levantados em qualquer lugar.

  • Cristie says:

    Eu também sou totalmente contra jogos/séries/whatever que usem violência grave como meio diversão, principalmente o estupro. São jogos que não tem conteúdo. Acho que isso não traz nada de bom.
    No entanto, sou contra essa censura em séries que só abordam o tema. Estupro existe e deve ser mostrado, mas não como um divertimento.
    Na verdade, eu nem liguei muito para o jogo Rapelay quando soube dele. Não acho certo, mas não ligo que ele exista, portanto que os jogadores só estuprem meninas e mulheres 2D e não perturbem famílias de verdade. Cada um tem direito de gostar do que gosta.
    O mesmo para o Lolicon e o Shoutacon… Portanto que seja só na imaginação e ninguém saia ferido, eu não tenho do que reclamar.
    Censura nunca é bom. Só porque você não mostra um crime, não quer dizer que a pessoa não vai cometer esse crime. Tudo depende da mentalidade da pessoa… Isso não é culpa do jogo, qualquer coisa poderia motivar essa pessoa a cometer tal ato.

    Enfim… Amei a Censura-tan. Só assim para mim gostar dela. xD

  • Lux says:

    "Só porque você não mostra um crime, não quer dizer que a pessoa não vai cometer esse crime". Concordo, Cristie. Dando uma escapadinha, tenho uma amiga que tem fantasias sendo estrupada, isso mesmo. =X

  • Lux says:

    *Desculpa, errata, confundi o texto. Pelo inverso, só porque mostra uma coisa bizarra não quer dizer que a pessoa deve realizar, é só imaginação, fantasia. Não gosto de estupro também, não me excito com esses jogos, mas tem gente que gosta apenas do jogo, não mistura realidade com fantasia que é o caso de alguns filmes para adultos. Como eu escrevi aí em cima, tenho uma amiga que tem essa fantasia bizarra, claro que ela não gostaria de ser violentada, mas apenas como uma fantasia… ;)

  • Alfredo says:

    O final q consegui é diferente….

    tipow a mina do cabelo grande(ñ lembro o nome dela…)no meio da transa
    em vez de gozar continua pulando e começa a rir de forma assustadora
    a tela escurece aos poucos e eu… parei de jogar aquilo pra nunca mais

  • kacio tenshi says:

    voce falou que um jogo que envolver gravidez, drogas, problemas psicológicos, bully e suicídio
    possui ótimo enredo e com valor literário, cara eu não falo ingles nem japones, não vou entender nada da historia do jogo,jogos que não falo a limgua dele eu jogo por dedução e tentativa e erro.
    se eu jogar um jogo desse não vou ta nem ai pra enredo e valor literario (tanbem porque não vou consegir entender) e so querer saber mesmo é da fudeção e putaria.
    BRINCADEIRA EU NÃO JOGO ESSE TIPO DE JOGO,acho esses jogos uma gande besteira, e me da vergonha ver esse mundo bizarro que os otakus fanaticos estão construindo.
    estão transformando as coisas que eu mais gosto no mundo em chacota pra otras pessoas.

  • mmechks says:

    Poxa tudo vai depender da lei da oferta e procura no fim das contas, as pessoas que curtem isso só vão pagar mais caro por jogos sem censura…

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