Robôs no Japão Feudal

Postado em 05/08/10 na categoria Blog, Cultura, por

Pelo título da notícia, muitos devem pensar que se trata de alguma obra de ficção esdrúxula que resolveu colocar robôs na história antiga japonesa, mas não é disso que se trata: os tais robôzinhos existiram mesmo! O histórico do Japão no mundo da robótica é conhecido por todos, e às vezes é erroneamente atribuído como um interesse pós-Segunda Guerra, mas isso não é verdade. Existe um histórico de robôs no Japão desde o século 17!

Eles são conhecidos como Karakuri ningyo. Karakuri seria um mecanismo feito com o intuito de enganar, como os que os ilusionistas usam, e ningyo seria algo como “em forma de gente”. As primeiras provas de que tais bonecos foram construídas datam do século 17, durante o Período Edo, com relíquias e documentos sobre sua construção, mas existem histórias de mecanismos em forma de bonecos desde o século 12. O interesse teria vindo da China, que sempre possuiu uma mecânica utilizando engrenagens bastante avançada. O exemplo mais clássico é a Carruagem que Aponta para o Sul, mecanismo que traz uma miniatura de carruagem com um bonequinho em cima, que sempre aponta para o sul, não importa o quanto você ande com o carrinho. A primeira prova histórica da construção de um desses mecanismos na China data da era dos Três Reinos, mas sua real origem é desconhecida, sendo atribuída pelos chineses ao Imperador Amarelo, uma figura mítica importantíssima para a história do país que teria vivido no século 3 antes de Cristo. Vejam abaixo uma recriação da carruagem em lego:

Mas voltando aos karakuri, eles eram utilizados basicamente para três funções, que definiam seu tipo. o primeiro deles são os Zashiki Karakuri, utilizados em casa para funções domésticas simples, normalmente para impressionar os visitantes. O modelo mais famoso é o Chahakobi Ningyo, usado para carregar chá. O dono da casa colocava o copo de chá em sua bandejinha, o que ativava o mecanismo e fazia com que ele andasse até o visitante, com direito a cumprimento de cabeça e tudo. Depois que o visitante bebesse o chá, ele colocava o copo de volta na bandeja, o que novamente ativava o bonequinho, fazendo com que ele voltasse e devolvesse a xícara ao anfitrião. Os Zashiki Karakuri são considerados os de mecânica mais complexa, e o ápice seria o Yumihiki Doji, uma boneca arqueira, que atirava flechas em um alvo. Confiram abaixo uma reconstrução desse modelo:

Os outros dois tipos são os Butai Karakuri, utilizados no teatro e responsáveis por popularizar os bonecos entre o povo japonês da época, e os Dashi Karakuri, utilizados em festivais religiosos, de forma bem próxima àqueles relógios com soldadinhos que encenam uma cena a cada hora completa. Hoje em dia a arte dos Karakuri foi ressuscitada, e muitas pessoas em todo o mundo dedicam seu tempo livre a recriar tais bonecas seguindo manuais da época, e até mesmo inventar algumas novas. Abaixo temos o primeiro vídeo que encontrei, de um karakuri em um programa de variedades que escreve kanjis, e uma coletânea de recriações de vários modelos que eram usados no Período Edo (ao som de “Sakura Sakura” música folclórica japonesa que gruda na cabeça de qualquer um).

Sakura Sakura yayoi no sora wa~~

  • Jun-01 says:

    Isso só reforça a minha teoria de que é uma questão de tempo até que boa parte da população japonesa seja composta de versões anabolizadas de karakuri ningyos, visto que fazer filhos não é prioridade há um bom tempo por lá. Quando unirem a tecnologia robótica com “Love Plus DX Extra +’, acontecerá o “rise of the machines”, e logo depois o “judgement day”…

    Oh, o terror, o terror (menos para os adoradores de waifus).

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