JCast #125
Postado em 27/02/11 na categoria Papers, Podcast, Preview, Rant, por JCastSalve Salve tripulantes da nave JCas… ok, momento jornalista decadente fica pra outra hora. Cá estamos nós para mais uma eletrizante edição do JCast. Só que sem o “eletrizante”. Essa semana temos como missão incutir a depressão nos corações de nossos ouvintes, confrontando-os com a parte mais negra da terrinha japonesa. Não estamos falando do templo budista que recebe visitas de cosplayers masculinos de Lucky Star, mas sim da pobre classe de japoneses que mal têm um canto para cair mortos. Antes disso, no entanto, relaxamos um pouco para falar de OreImo. Só que sem o “relaxamos”. Com tantas opiniões diferentes, resta apenas uma indagação: se este painel estivesse discutindo o futuro da humanidade, teríamos algum futuro? A resposta seria: “sim”. Com tantas coisas horrendas acontecendo no mundo, desde cópias dubladas do filme do Justin Bieber até a cerimônia do Oscar sendo transmitida pela metade na Globo, temos orgulho em representar o último pilar de sanidade e coerência da Terra. Só que sem a “sanidade” e a “coerência”. E a “Terra”.

(00:00:28-00:13:18) Rant: Gaste dinheiro, Oscar, Twitter e Guarujá Shore
Yohan é riquinho. Playboy. Ele acha que é fácil sair gastando dinheiro, que todo mundo acende a lareira com maços de dólar que nem ele. O que ele faz com uma lareira em pleno litoral paulistano ninguém sabe. Manias e excentricidades desses bacanas. Nós, parceiros do gueto, nos recolhemos a nossa insignificância. Por falar em insignificante, nada combina mais com o adjetivo do que a cerimônia do Oscar. Antigamente o MTV Movie Awards era bem mais interessante. Hoje em dia infelizmente só Crepúsculo ganha todas as categorias então não sobraram boas premiações. Talvez o Garoto e Garota *insira-seu-bairro-aqui*. Pelo menos você está inserido no meio e pode rir de verdade das piadas internas. E não tem tradução simultânea. Nem Rubens Ewald Filho. Brincadeirinha. Ele é ótimo. Alguém que esteve no elenco de Amor Estranho Amor e que escreveu a adaptação para a Tv de Éramos Seis não pode ser má pessoa.

(00:13:56-01:06:45) Review: Ore no Imouto ga Konna ni Kawaii Wake ga Nai
Mais um exemplar da temporada passada. Um olhar dentro do mundo Otaku. Sim, mais um. Teria esse anime algum diferencial? Seria mais do mesmo? Seria mais do mesmo só que pior do que o habitual? Uma coisa é certa: não assista com a sua irmãzinha do lado. Não que o anime incite ao sister complex. Pelo contrário. Nossa protagonista inocentemente repreende qualquer insinuação nesse sentido, batendo o firme o pé com suas bochechas rosadas e seus olhos apertados, e sua justa roupinha de dormir que deixa escapar um vislumbre de sua calcinha rendada. Já mencionei que ela ainda não possui 15 primaveras completas? Claro que não, pois isso não tem relevância pra história nem para o review. Somos imparciais aqui. Ouçam e tirem suas próprias conclusões.

(01:07:24-01:34:08) Papers: Pobreza no Japão
Japoneses sem-teto são um problema cada vez mais comum. Nós também temos sem-tetos aqui, então porque diabos analisar os sem-tetos de lá? Simples. Os daqui não criam comunidades alternativas e usam um uniforme especial com estilosas roupas esfarrapadas sobrepostas e em delicados tons pastéis. Outro motivo é a tranquilidade da consciência. Esses sem-teto estão do outro lado do mundo. Não é problema nosso. Não precisamos nem podemos fazer nada a respeito. Dá pra empinar o nariz e analisar, usando o documentário da BBC “Japan – A Story of Love and Hate” como espinha dorsal, o que faz um país tão rico abrigar pessoas tão pobres, miseráveis e doentes? Ouça, pense, e resolva se quer ou não adotar um homeless japonês. Eles sabem cozinhar bem, usando sobras.

E é isso aí, p-p-pessoal. Sendo bem direto: nosso e-mail é o alojcast@gmail.com, enviem pois nas próximas semanas já podemos ter um bloco de Feedback. Já o nosso endereço, pra quem tá na Kombo, é www.jcast.com.br. Até semana que vem!





Eu sou "Team Laivin" com relação a Oreimo, não senti simpatia ou atração pelos personagens ou pela situação deles. Do que entendi da análise de vocês, acredito que o anime tenha sido um experimento tão centrado no público nipônico que aquilo que atrai os fãs de anime no ocidente acabou ficando de fora.
Mas achei interessante a idéia dos finais alternativos. Seria legal se virasse moda, várias vezes ao fim de um anime eu me pergunto como seria se algumas decisões fossem diferentes.
Blocos sobre a vida no japão continuam a me fascinar infinitamente! Como certas coisas que temos por certo no ocidente (não só no Brasil, viu Laivin!) são drasticamente diferentes no Japão — Aquele cara dizendo que vive em um Manga Cafe e dorme em uma cadeira ganhando ¥180.000 (quase R$3.700,00) pode ser usado como uma prova viva de que tem algo de muito errado com o custo de vida deles…
Assisti 10 episódios de Oreimo, depois que recomendaram aqui, mas como falaram apartir do 5º episódio a série cai muito, começam a jogar coisas novas na trama sem resolver o que já tinham colocado no começo, e os personagens são muito rasos.
Vocês analisaram Oreimo bem a fundo, coisa que não tive muita paciência ou vontade de fazer, isso por ver a serie sob uma ótica bem superficial: pra mim trata-se de uma comedia romântica corriqueira, que, por capricho ou idealismo do autor, aborda o universo Otaku, mas sem perder de vista a difícil relação entre irmãos em uma família japonesa estereotipada, que é o verdadeiro foco da trama. Não vi de forma alguma esse experimento segmentado do qual vocês tanto falaram, tanto que a serie foi hype no mundo todo, não só no Japão, e conheço pessoas não tão voltadas para esse meio Otaku ( eu, por exemplo) que gostaram. Mas vai saber; eu provavelmente só não dei atenção às sutilezas da trama. Porém, tendo visto o true route ( que segue a novel) e a forma como o mesmo é conduzido, não creio que minha visão rasa para com Oreimo esteja tão distante das reais intenção do autor. É uma comedia romântica divertida com maior apelo para determinado publico; não acho que seja necessário complicar mais.
O bloco sobre o cotidiano japonês foi interessantíssimo. Esses caras vivem uma realidade a qual não consigo entender. A sociedade deles é doente, e o que faz o câncer se alastrar é a visão dos próprios japoneses, que não percebem que o problema não está neles, e sim em seu meio de convívio.
P.S: xxxHolic acabou, galera. Rola um comentário?
A sociedade deles é doente ? E a brasileira ou ocidental é muito saudável né… ela tem problemas como qualquer outra. A qualidade de vida da grande maioria dos japoneses é ótima, muito melhor que a nossa. Acontece que eles são um país sem recursos naturais então toda riquesa deles depende do trabalho, por isso são tão disciplinados.
Gostaria muito de ver alguma obra que pisasse no calo dos japoneses quanto à essa degradação das relações sociais, a falta de calor humano. Seria muito interessante.
Caramba ia pedir mais um programa sobre a sociedade japonesa, e você vieram antes. Pra quem quer conhecer mais sobre a pobreza no Japão recomendo um filme fantástico Dare Mo Shiranai(Ninguém Pode Saber), conta a vida de 4 crianças abandonadas pela mãe em Tóquio, e eles sobrevivem quase como mendigos por vários anos com a ajuda de um mercadinho e uma estudante.
Achei bizarro o review de Oreimo, dava impressão que que o Darko e o Yohan tavam realmente concordando com todos os defeitos que o Laivindil apontou e ficaram apenas justificando eles. Eu discordei de boa parte do que foi dito, e gostei do anime por razões muito mais simples do que as apontadas, achei bom no sentido de uma comédia romântica com tema diferente, e gostei de verdade dos personagens.
Vocês falam sobre o documentário e não deixam um link pra obter , baixando ou comprando, fail.
Nunca tinha ouvido um podcast de vocês vim aqui por indicação do jovem nerd, mas achei que vocês perderam tanto tempo discordando de concordar que estavam discordando que achei um tanto confuso, ouvirei os episódios anteriores pra formar uma opinião decente antes de continuar acompanhando, ou não.
É o review do Oreimo foi meio fail, mas o JCast é um ótimo podcast — vale a pena dar uma chance, principalmente se você curte cultura japonesa.
Pelo menos a discussão entre o Laivindil e o Yohan não foi tão escruciantemente infrutífera como a do Maurício Saldanha no último episódio do RapaduraCast (aquela deu até vergonha)…
ouch?
Rapaz, fui lá ouvir o Rapaduracast só por causa do seu comentário, tirei ele do meu feed faz um tempo, os caras deixaram de lado a diversão e só pensam na grana, tipo o Guanacast, nada contra ganhar dinheiro, mas prefiro o estilo Nerdcast de ganhar grana, em fim, que bomba esse último podcast deles, até gosto do Saldanha e dos outros mas nesse a coisa foi ladeira abaixo, fez a discussão aqui parecer mesa de acadêmicos no boteco.
Eu continuo ouvindo de qualquer jeito o Rapaduracast, por causa de meu vício por podcasts. Sinceramente não sei nem quem é quem ainda naquele podcast, apesar de já fazer um tempo que adicionei nos feeds.
Vocês falam sobre o documentário e não deixam um link pra obter , baixando ou comprando, fail.
Nunca tinha ouvido um podcast de vocês vim aqui por indicação do jovem nerd, mas achei que vocês perderam tanto tempo discordando de concordar que estavam discordando que achei um tanto confuso, ouvirei os episódios anteriores pra formar uma opinião decente antes de continuar acompanhando, ou não.
Assisti o primeiro cap. de Oreimo e achei um anime completamente blasê. Acho que é aquele problema que o pessoal de Bakuman fala, de que é preciso ter characters que se sobressaltam. Em Oreimo, achei os dois protagonistas sem graça, mas não o sem graça com graça do Kyon. É tipo bolacha água e sal, que quando vc coloca manteiga ele continua sendo água e sal mas com gostinho.
Outra coisa, é que quando estava lá no JP, vi várias lan houses melhores que o quarto de muita gente.
Além do computador, elas forneciam PS3s, biblioteca de jogos, filmes e mangás.
Cada computador fica em um cubículo como aqueles de escritórios, com paredes altas e portinhas.
Alguns tem cadeiras. Outros tem sofás (diz a lenda ser comum casais indo "jogar" juntos). E alguns o "chão" todo é um grande colchonete (fácil ouvir roncos trilhando o ambiente).
O negócio da bebida grátis é o drink bar, várias máquinas de bebidas espalhadas num canto da sala… mas não vi nenhum alcóolico. O que mais tinha era leite com toddy e raspadinha de fanta melão.
Alguns até te deixam tomar banho por 300 ienes (por aí, em 2005). Eles limpam direitinho o banheiro antes de tu usar e até te dão shampoo tipo hotel. Meu, se tiver um combini do lado e vc for um ferrado, dá pra viver fácil na lan. =)
(continuando… história bizarra… texto gigante)
Um dia combinei de encontrar um camarada em ocha no mizu, uma cidade universitária perdida mais ou menos perto de tokyo. Perdemos o último trem e tivemos que passar a noite em uma lan house, lá conhecida como internet café. .
Cidade desconhecida, tivemos que perguntar onde havia uma para o funcionário da estação. A resposta veio acompanhada de um tom de vergonha, constrangimento e julgamento.
Achamos o lugar, subimos a escada e então um senhor simpático, vestindo roupas sociais veio nos atender. Sorriso falso no rosto e várias palavras japonesas incompreensívels vieram acompanhadas de um gesto bizarramente inconfundível: um S2 feito com as mãos.
Foi quando virei de costas é que entendi o que lan house e "love, love" tinham a ver: enfileirada, lá estava uma dúzia de estantes que devia abrigar todo o catálogo de filmes pornô do Japão na última década.
Era uma tempestade de caras, bocas, peles e fontes coloridas.
Bom, tinha uma única estante de filmes comuns, pra não dizer que não.
O sono e a necessidade de trabalhar no dia seguinte eram maiores que a bizarrice fizeram o dinheiro sair da carteira pra pagar o corujão.
"Vocês querem box separado ou junto", perguntou o atendente com cara impassível.
O esquema do lugar era esse: cinco dvds por vez, com rodízio ilimitado. Bebidas free.
Quando dissemos que cada um queria ir um box separado, ele assentiu e entregou para cada um um cestinho, uma comanda de horário, um controle remoto e uma camisinha.
Subindo até os boxes, vi que havia apenas um banheiro, masculino. Japoneses circulando pelos corredores, constrangidos. E os boxes eram na verdade salinhas fechadas, iluminadas com cores roxas reguláveis. Perto do PS2, colada na parede, uma caixinha de lenços de papel logo acima de um cestinho de lixo.
Muito bom XD
E aí galera do Jcast. Ouvir vcs é muito bom. Nem ia comentar, mas o nível estava tão bom q não tive como não me manifestar. Como vcs mesmo falam não se pode ter preconceito da cultura pop, seja ela, ocidental ou oriental. E as observações que vcs fazem sobre tudo são muito bem expostas e bem argumentadas sempre.
Sobre a pobreza no Japão, ficou muito claro como as coisas funcionam por lá. A cultura do esforço fazendo quase que as pessoas ficarem desumanizadas. Tenho assistido muito a doramas ultimamente e constatei em muitos deles exatamente o q vcs relataram q viram no documentário “Japan – A Story of Love and Hate”.
No dorama "Shiroi Haru" por exemplo há o personagem principal q se utiliza de um café lan house para dormir. Em outro dorama chamado Kekkon dekinai otoko, um dos personagens femininos vai trabalhar meio periodo como club hostess para levantar uma grana.
O Japão tem uma cultura admirável, mas algumas vezes tenho q admitir q ela me assusta. Principalmente depois q vcs a dissecam e a criticam. E isso não é ruim de maneira alguma.
Parabéns pelo ótimo trabalho !
Totalmente excelente (Tottemo Saikou).
Olá Jcasters. Aqui quem fala é o Jun-01 ou Jun Akira, ou Jun-alguma-coisa.
A discussão sobre Oreimo ocupou mais da metade do cast. Esperava que uma metade fosse dedicada ao outro tópico. Só faltava os 3 trocarem tapas na discussão. Tava meio tenso.
Visitar o Japão é divertido, mas viver por lá é uma merda. É assim em todo lugar, não me surpreende. O coroa entrevistado nesse documentário citado por vocês tem razão, e só reforça minha crença de que o Japão é um espelho de como as sociedades ao redor do globo irão ser no futuro. E que os robôs irão dominar o mundo.
Voltando a Oreimo, Concordo em vários pontos com o Darko e o Yohan. Laivindil foi o crítico chato da vez, mas isso não quer dizer que discordei com tudo que ele disse. Tem que lembrar que o animê foi baseado numa Light Novel ainda em publicação. Portanto, o objetivo principal dele é fazer os fãs da Light Novel e os novos fãs conquistados consumirem DVDs, Blu-Rays, games e demais quinquilharias relacionadas. Logo, não me surpreende o animê ter as falhas expostas na discussão.
A qualidade de animação e as músicas cantadas são top. A qualidade narrativa não é constante, como o Yohan disse. Várias situações são forçadas e beiram o ridículo (mas confesse, você riu). Os episódios "filler" serviram apenas para agradar os fãs dos personagens, no melhor estilo BBB. . Mas hey, o animê cumpriu bem o seu objetivo como material de divulgação da obra original (além disso realismo em excesso eu já tenho o suficiente no meu dia-a-dia. Não, muito obrigado)
O que me irrita é gente que assistiu a série e não gostou por achar que Oreimo é um Genshiken FAIL. Não é Genshiken, não tem o objetivo de explorar a cultura otaku. Só porque tem elementos de cultura otaku, não tem que ser um Genshiken, tem que botar isso na cabeça. Os elementos otaku em Oreimo servem de combustível para as interações entre os personagens, e obviamente despertar a atenção do público para o qual a obra é voltada. E só. Não é Genshiken.
Sendo sincero, a história não é lá essas coisas. Se esperar por uma trama revolucionária e personagens profundos, como o Laivindil esperava, é óbvio que você vai se decepcionar. Se a história desse um pouco mais de atenção para o ponto de vista da Kirino e demais personagens, ao invés de só mostrar a história contada pelo protagonista bundão, poderia ser até mais interessante, mas isso não acontece. Por consequência faltou a tal profundidade nos personagens. Ainda dá pra curtir se adotar um comportamento de telespectador de BBB/novela: o que vai acontecer com as relações entre os personagens, não importando o fato da relação entre eles ser desenvolvida de maneira ridícula/forçada, ou se os personagens são superficiais. A história vai te capturar realmente se você se perguntar: como vai ser o desfecho desses personagens? Me preocupa principalmente a imaturidade da Kirino e seu problema de autoafirmação, e o fato do Kyosuke não ter nada de melhor para fazer na vida e só ficar protegendo ao invés de deixar a menina se virar nos 30 às vezes para se tornar mais madura. Fiquei na expectativa da história resolver a situação dos dois protagonistas e demais personagens. Só lendo as novels mesmo.
Bem, é isso, até o próximo Jcast. E a Kirino é uma chata, iguazinha a minha irmã, hahaha. Talvez foi por esse motivo que não simpatizei muito com a menina.
Ps: Quando vai ter Jcast sobre Madoka Magica?
Qual o link desse ultimo cast, eu so os conheços pelso casts de Senna e Heroi.