Postado em 23/06/11 na categoria Blog, Cultura, por Laivindil

Um cientista sempre ganha pontos comigo quando reverte algum processo chato que inicialmente visa o estudo chato de alguma espécie chata na mais bela, bizarra e inútil arte. Afinal, querer saber como o universo funciona é pretensioso. E querer admirar sua beleza num tubo de ensaio é fútil. Entre pretensão e futilidade, grandes concorrentes ao posto de pecado capital, assim que estiverem aceitando inscrições, eu fico com a segunda opção. Geralmente é o caso com pessoas inseguras.
Não que eu esteja dizendo que Iori Tomita seja fútil. Apenas soube aproveitar uma boa oportunidade. Deve ser um grande conhecedor da natureza humana, por isso mesmo se afastou dessa raça e mergulhou nos peixes. Provavelmente estava bem entediado, trabalhando no processo de tornar os espécimes transparentes para estudar seu esqueleto, e levou pra casa um dos bichinhos. Estou só especulando por aqui, você pode pular essa parte se quiser. Bem, ele levou e seus pequenos sobrinhos (ele deve ser solteiro, e bem solteiro) acharam o espécime a coisa mais fascinante do mundo. Então ele resolveu se tornar proeminente em alguma coisa, já que dentro do mundo científico todos são egocêntricos demais.Não dá pra ser especial no seu próprio meio assim tão fácil, não é mesmo, Kal-El?

Voltando aos fatos, ele aprimorou sua técnica e agora lança livros e organiza exposições, retratando seu trabalho pelo Japão e pelo mundo. Durante o processo, que do início ao fim pode levar de 5 meses até 1 ano, Tomita remove as escamas, pinta a cartilagem de azul através de uma solução especial. Usando uma enzima digestiva chamada Trypsin, ele quebra as proteínas e músculos, interrompendo o processo no momento em que se tornam transparentes. Os ossos são coloridos de vermelho e o espécime é preservado em glicerina. Eu já vi parecido em Fringe, mas era com pessoas e todos pareciam bem nervosos com isso.



Supervalorizando seus talentos muito bem, já que marketing pessoal é obrigatórios nesses dias, Tomita diz que “Pessoas podem olhar meus espécimes como material acadêmico, peça de arte ou até mesmo uma porta para filosofia. Não há limites para interpretar seu significado. Espero que vocês observem meu trabalho como uma lente que projeta uma nova imagem, um novo mundo que nunca viram antes”.

Eu sou meio contra utilizar cadáveres para enfeitar a casa e entreter os pequenos. Mas esses cadáveres são adoráveis. Fica aí no ar uma grande idéia para o próximo filme de zumbi que começar a ser produzido. Para maiores detalhes a respeito do processo, das publicações de Iori Tomita,além de mais fotografias, visite seu site oficial bilíngue aqui.