OpenManga: solução ou utopia?
Postado em 19/07/10 na categoria Blog, Mangá, por DarkonixFaz algumas semanas que passei a usar o Steam, com o incentivo do nosso querido Luan. Team Fortress tava em promoção, saindo por 7 verdinhas, e a gente não perdeu tempo: caímos de cabeça nessa ferramenta, que ainda não descobri se é de ordem divina ou demoníaca. De lá pra cá, comprei uns 8 joguinhos indies que juntos me custaram pouco mais de 10 reais, e estou bastante satisfeito com a forma como tudo funciona.

Basicamente você cria uma conta e compra os jogos em formato digital, via cartão de crédito internacional ou Paypal. Efetuada a compra, você baixa o jogo e tá tudo pronto pra jogar. No caso do Team Fortress, você ainda pode jogar online sem precisar pagar nenhum tipo de mensalidade, pela própria rede do Steam, que também fornece suporte à chat de voz e um IM pra trocar mensagens com seus amigos.
Enquanto o Steam parece ser a plataforma ideal para venda online de jogos, os animes também parecem ter encontrado sua casa, que ainda não é tão impecável quanto a dos games, mas parece estar no caminho certo: o Crunchyroll. Lá você não compra a unidade, mas paga uma mensalidade que te dá direito a assistir todos os animes disponíveis, ou todos os doramas disponíveis, ou os dois. A distribuição é via streaming, com a qualidade SD aberta pra todo mundo e as de 480p e 720p só para assinantes. Mais o que você leva de exclusivo se resolver pagar a mensalidade? A maioria dos episódios só é aberta ao grande público uma semana depois do lançamento, e algumas séries são exclusivas do pessoal pagante.

Quais seriam os pontos negativos do Crunchyroll? Em parte por meu espírito colecionador, mas por outros motivos também, seria bom poder baixar o material, mesmo que ele fosse acessível apenas por meio de um programa específico. Além de eu não poder ter pelo menos uma listinha do que é meu e exercitar minha possessividade, o player do streaming é meio bugadinho, como todos os players da internet, e é péssimo pra avançar/retroceder. O outro problema eu explicarei com um exemplo: coloquei o primeiro episódio de Occult Gakuin pra carregar e fui dormir, pois sabia que a minha net de meros 600k demoraria séculos pra carregar todo o vídeo. No dia seguinte, abri a página todo pimpão, na esperança de tomar café da manhã assistindo anime…e o pc tava todo travado! O Firefox, pelo menos aqui em casa, tem sérios problemas com aplicativos em flash (como o player do Crunchyroll) abertos por muito tempo, principalmente se for um aplicativo pesado. Ou seja, no fim das contas, o player não funcionava mais e fiquei sem assistir meu Occult Gakuin em 720p, tornando a opção inviável pra qualquer pessoa que não tenha, pelo menos, umas conexão de 2M.
Mas qual o motivo pra toda essa minha dissertação sobre meios de distribuição online? Na verdade, minha grande motivação em escrever o último post foi listar quais opções existem para leitura online de mangás de forma legal, pra poder falar nesse sobre o que eu imagino que tenha um grande potencial pra ser a grande ferramenta para venda online de mangás: o OpenManga. Quem escutou o último News sabe superficialmente que se trata de uma plataforma para que os próprios autores (ou as editoras, se elas quiserem) publiquem suas obras no formato digital, e recebam por isso.
Num post recente, o blog do OpenManga explicou mais ou menos como eles irão funcionar. Pra quem não domina muito o inglês, eu resumo. Basicamente, todos os títulos estarão disponíveis de graça para leitura online, a não ser que o autor ou editora não queira, só que os servidores gratuítos terão uma banda limitada, o que gerará lentidão e talvez até algumas quedas do serviço, além de muita propaganda. Quer ter o serviço direito, sem dor de cabeça? Então o jeito é pegar. Serão 3 pacotes diferentes de assinatura, pra que você escolha o que melhor vai suprir suas necessidades.

No primeiro pacote, será possível assinar o material exclusivo de um ou mais artistas, tanto capítulos quanto volumes, tendo acesso às imagens em tamanho original e em vários formatos, desde pro seu pc até para o iPad ou para o Kindle. Além disso, não haverá nenhum tipo de limitação de banda ou propaganda nas páginas dos artistas assinados. A segunda opção é pro pessoal mobile: todo o site em versão mobile, para iPod, iPhone, iPad, Kindle, celulares, o que for. Será também possível baixar os arquivos para o aparelho, pra caso você vá pra algum lugar sem internet. Por fim, o pacote completo, com todo o site disponível sem limites de banda ou nenhuma propaganda, tanto para aparelhos móveis quanto pra computadores.
Além dessas opções, também existirá o OpenManga Marketplace. É o que foi menos revelado sobre, mas já se sabe que será possível comprar créditos e comprar capítulos e volumes específicos com eles, além de poder doá-los diretamente para o artista, sem que nenhuma porcentagem da sua doação fique pro site ou pra editora. O pagamento dos autores será feito conforme sua popularidade, tirando o caso das assinaturas específicas por autor, onde ele receberá uma porcentagem maior do valor. Ou seja, o autor receberá por seu material vendido no Marketplace, doações e uma porcentagem em cima de cada tipo de assinatura, correspondente a sua popularidade em comparação aos outros artistas.
Claro que esse padrão parece bem voltado ao artista independente e que as grandes editoras provavelmente não se interesserão em um primeiro momento, mas se o formato começar a dar retorno e elas verem que estão perdendo ao manter suas obras apenas no mundo offline, talvez aos poucos possamos ver o mangá devidamente representado no meio digital pelo OpenManga. Eu devo dizer que a forma como eles trabalharão é bastante animadora, e, mesmo se não se tornar a grande plataforma legal para leitura online de mangás, pelo menos vai servir de incentivo pra muito artista independente, iniciante ou não, ganhar dinheiro com a sua arte.
Mangá online dentro da lei
Postado em 06/07/10 na categoria Blog, Mangá, por DarkonixTodo mundo que escuta o JCast já tá sabendo, e todo mundo que lê mangás pela internet já percebeu: a coisa tá complicada. Há algumas semanas foi aberta a temporada de caça aos scanlations, promovida por mais de 30 empresas americanas e japonesas. Que isso talvez não resulte em nada, já que a maioria do pessoal que lê mangá por scan ou não tem acesso ao material oficial, ou não vai comprar de qualquer jeito, todo mundo já sabe; que nós, e todos os outros países que não possuem um leque tão amplo de títulos na banca sofreremos mais com isso, também. Então, pra não chover no molhado, resolvi fazer uma pequena listagem. Eles querem nos tirar os scans, mas o que nos oferecem em troca? Basicamente, o mesmo que nos é oferecido há mais de 60 anos: quadrinhos em papel.
Porém, mesmo que de forma bem tímida, algumas editoras aos poucos vão colocando um ou outro material na internet. Pra quem não sabe, os EUA ensaiam o formato japonês de antologias com versões yankees das revistas nipônicas, e algumas delas estão tentando, aos poucos, entrar no mercado online. A Shonen Jump americana disponibiliza alguns dos capítulos da última edição lançada, além das 2 edições anteriores pra quem é assinante da revista, o que não faz lá muito sentido, se você for parar pra pensar. O leitor online é péssimo, sem zoom e bastante incômodo, servindo muito mais como um preview do que como material de leitura.
A Shonen Sunday americana acerta um pouco mais, trazendo todos os capítulos que ainda não foram lançados em tankohon. O problema é que pouquíssimas séries seguem esse modus operandi, a maioria apenas disponibilizando o primeiro capítulo e mais nada. O leitor é quase o ideal, mas eu, por exemplo, gosto dos meus mangás com zoom de 100%, e o site não mantêm essa configuração. Ou seja: a cada página tenho que aumentar o zoom, o que é cansativo demais. Aliás, é interessante frisar que tanto a Sunday quanto a Jump saem nos EUA pela Viz, o que me leva a crer que, pra mesma editora seguir estratégias tão diferentes nas duas linhas, os japoneses são muitas vezes responsáveis por esse atraso do mercado em migrar para o meio digital.

Mas a iniciativa americana mais interessante se chama Signature Ikki. A idéia é a de uma antologia que não existe em papel, apenas na internet. Seu material é disponibilizado de graça no site, e fica lá até o lançamento do tankohon. Saindo o volume, os capítulos referentes a ele são removidos, ficando apenas o primeiro de cada. Ainda não é lá essas coisas, e mais uma vez te dá o produto físico como única alternativa de posse, mas só da internet ser essencial no processo de publicação já é um avanço. Também existem antologias japonesas exclusivamente onlines, como a Gangan Online, da Square Enix, mas elas só disponibilizam os 2 ou 3 capítulos mais recentes e os primeiros da série, o tankohon continua sendo o produto principal.
Muitos podem pensar que no Japão é diferente, mas não é bem assim. Praticamente todas as editoras japonesas, em seus catálogos online, disponibilizam o primeiro capítulo de cada tankohon para leitura online, mas não vai muito além disso.
A Shonen Jump japonesa tem uma abordagem bem estranha pra distribuição online, que já foi comentada aqui pelo JCast, provavelmente em áudio: você baixa um programa e baixa o mangá em um formato feito especialmente pra rodar nesse programa. Você lê o mangá, e quando fecha o programa…o arquivo desaparece! Agora me diz, pra que esse circo todo? Por que não só fazer um leitor online e ponto?
A Shonen Sunday japonesa segue a linha da americana, disponibilizando os capítulos que ainda não viraram tankohon – a diferença é que ela faz isso com todos os títulos, não só com alguns. Além disso, um app para compra de mangás digitais da linha Sunday acaba de ser lançado para IPhone e IPad. Por enquanto só estão disponíveis títulos mais antigos e consagrados, como Urusei Yatsura e Major, saindo dois novos volumes toda semana por 450 yen cada, algo em torno de R$8,50, meio salgadinho pra um produto digital.

Por fim, temos um caso de revolta por parte de um mangaká: Shuho Sato, autor do mangá médico Black Jack ni Youkuso (referência direta ao clássico Black Jack, o desregrado doutor do Osamu Tezuka). Sato estava cheio da vida árdua de um mangaká e da pressão das editoras e resolveu tomar uma atitude, disponibilizando toda sua obra para venda online, em formato digital, por um ótimo preço. Sato comentou, na época, que um autor iniciante chega a ter prejuízo com todo o material que precisa comprar e, como as editoras pagam muito pouco no início, um mangaká só consegue se bancar depois de uns bons anos de carreira. Sua iniciativa deu certo, e em 6 semanas vendendo seu trabalho online de forma independente ele faturou 500 mil yen, algo em torno de 10 mil reais.
Vendo o sucesso da empreitada, Sato resolveu dar um passo adiante, e lançou o MangaOnWeb.com. Na forma de uma loja online, ele abriu espaço pra qualquer mangaká, iniciante ou não, possa vender sua obra de forma independente na internet. É possível visualizar um pequeno preview de todas as obras, e os capítulos custam uma média de 10 a 30 yen, algo entre 30 e 70 centavos de real. Você faz a sua conta e o site trabalha com um sistema de créditos, que você compra quando quiser e usa para adquirir seus mangá de forma 100% digital. O catálogo de artistas que participam do projeto ainda não é muito grande, e por enquanto é quase que majoritariamente formado por mangakás iniciantes, mas tem bastante coisa de qualidade na lista.
Infelizmente as editoras ainda vêem o meio online apenas como uma forma de prévia para a mídia física, o principal e único foco, mas são iniciativas como o MangaOnWeb (e o OpenManga, sobre o qual falarei em breve) que prometem finalmente levar a indústria para o próximo passo. Enquanto isso, continuamos esperando a revolução definitiva, que ainda deve demorar mais alguns anos pra acontecer.
Maravilhas da Mente Humana
Algumas coisas interessantes que garimpei por aí, e que considero como produto de
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Eu nem postei os rankings semana passada, né? Foi mal. Enfim, nem teve Jump mesmo,
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