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Mamoru Oshii X Toshio Suzuki
Postado por Darkonix 
em Anime, Cinema
às 13:47 de 15/07/2009

Hoje trago algo um pouco diferente para o JCast. Uns 3 dias atrás, o kransom, do blog welcome datacomp, transliterou e traduziu para o inglês uma conversa entre Mamoru Oshii, diretor de clássicos como Ghost in the Shell, e Toshio Suzuki, produtor e presidente dos estúdios Ghibli.

Segundo kransom, há um ano ele estava na universidade Kyoto Seika, em uma palestra do mangaká Takekuma Kentaro, quando o palestrante mencionou um programa de rádio com Mamoru Oshii e Toshio Suzuki. Um ano depois, kransom descobriu que o programa em questão era o Suzuki Toshio no Ghibli Asemamire, e que várias mp3s estavam disponíveis no site oficial. Rapidamente, ele resolveu fazer uma tradução não-oficial do programa de agosto de 2008, onde os dois artistas discutem várias coisas, como suas obras mais recentes, Ponyo e The Sky Crawlers, o futuro da animação no Japão e até mesmo Indiana Jones.

Imediatamente, ao ler a tradução, resolvi compartilhar essa discussão tão interessante com o público do JCast. Mandei um email para o kransom, e ele me deu autorização para traduzir sua tradução. Aconselho que vocês leiam ouvindo o áudio original (outros áudios do programa podem ser encontrados aqui), pra ficar menos cansativo e vocês pegarem melhor a emoção da conversa. Pra quem quiser, a tradução em inglês está aqui. O post vai ser bem longo, mas tenham paciência e leiam, pois é muito interessante ver dois grandes artistas da indústria do anime debatendo suas obras e outras questões tão distantes do nosso mundo ocidental, e ao mesmo tempo tão presente em nossas vidas.

Obs.: Sempre que houver um T.N.: dentro de parênteses, é uma nota ou explicação feita por mim.

Suzuki: Já assistiu [o novo] Indiana Jones?
Oshii: Não.
S: Você devia assistir. Basicamente, é o Harrison Ford de hoje em dia como Indiana Jones, e seu filho já crescido que ele teve com uma de suas historinhas amorosas do passado, certo? Então, eu tava pensando, por que todo mundo tem feito filmes sobre pais e filhos? Olha, Miya-san (T.N.: Sim, Hayao Miyazaki) tem feito, você tem feito…Se eu quisesse ser crítico, olharia para vocês três e diria que o que é interessante em seus filmes é que eles se passam no céu, ou no oceano…em territórios inexplorados.
O: Isso mesmo.
S: Então, o que está aqui e agora não te interessa. Eu achei isso interessante, você não acha?
O: É o padrão, sofisma característico de Suzuki Toshio de mais alta escala.
(Todos riem)
O: Me explique exatamente o que você achou interessante, ok?
S: Eu só estava pensando. Foi só uma idéia.
O: Uma idéia? Não é óbvio que alguém que está envelhecendo fará histórias sobre pais e filhos?
S: Sim, exatamente! Miya-san tem 67 anos, certo? E Spielberg uns 62, 63?
O: Uns 63.
S: Certo? E Oshii-san, você tem 58?
O: 57!
(risos)
Equipe: Olha, isso o tira do sério! (risos)
S: Então, todos vocês estão trabalhando com o mesmo tema, certo? Os detalhes entre um filme e outro são diferentes, óbvio. Mas mesmo assim, isso me surpreende. O que eu estava pensando é que, não importa se suas histórias são no céu, no mar, ou em terras desconhecidas, são todas a mesma coisa. São todas sobre a vida após a morte.
O: Bem, isso é inevitável.
S: Hein?
O: Se você tem mais de 50 anos e faz filmes que não mexem com a vida após a morte de alguma forma, tem algo de errado com você.
S: Sim, sim, sim. (Impressionado)
O: Eu assisti Ponyo outro dia e me toquei de uma coisa. Eu percebi, “Oh, Suzuki Toshio não teve nada a ver com esse filme”, e tive certeza disso.
Equipe: Nada a ver? (riso contido)
O: Foi um filme 100% do Miya-san.
S: É, realmente foi um filme do Miya-san.

O: Foi um filme totalmente feito pelo Miya-san.
S: Sim, isso mesmo.
O: Você não colocou um dedo nele. Aposto até que, talvez, você não teve permissão pra isso. Por isso não é um filme completo. O que eu quero dizer é que todos os filmes do Miya-san até agora, o único motivo deles serem filmes de verdade é porque Toshio Suzuki estava lá, ou porque Takahata Isao estava lá.
S: Hum.
O: Não havia ninguém supervisionando Ponyo pra juntar aquilo tudo como um filme dessa vez.
S: Ah (impressionado)
O: É um vôo arriscado. Eu iria além, e diria que o filme é uma explosão de desejos, certo? É um filme de revigoração, não é?

S: Ponyo foi ruim?
O: Hein? Em que sentido?
S: O filme foi ruim?
O: Não, ele foi interessante de assistir. O que eu quero dizer é que a parte selvagem de Miya-san são interessantes. O problema é que não era um filme de verdade. Não foi montado como um filme de verdade, nem um pouco.
S: Você não precisa repetir isso tantas vezes (risos).
O: Mas é a verdade! (risos)
S: Por que você continua repetindo! (risos)
O: Porque é a verdade! (risos)
S: Não dá pra falar de uma forma mais doce? (risos)

O: O filme não explica nada sobre Fujimoto.
Equipe: (riso contido) É verdade…
O: Nada mesmo.
S: Fujimoto… Ele parece muito com você, Oshii-san.
O: Como assim?

S: Você está se sentindo bem, não está, Oshii-san?
O: Hum?
S: Você está com energia.
O: Estou. Me sinto cheio de energia, fisicamente e mentalmente.
S: The Sky Crawlers foi um filme interessante.
(Todos riem)

O: Eu vim aqui por uma única razão. Queria perguntar porque você abandonou Ponyo!
Equipe: Então esse é o tema de hoje (risos)
O: Você enjoou dele?
S: Não, não não não.
O: O que foi então?
S: O problema é o estado mental de Miya-san.
O: Miya-san não está ouvindo o que as pessoas dizem, está?
S: Olha, o estado mental de Miya-san… Ele carregava essa maldição chamada Takahata Isao (T.N.: Outro diretor do Ghibli), certo? Ele trabalhou com o cara por 15 anos. Mas mesmo depois disso, Isao ainda o perseguia, como um fantasma.
O: Sim, e-
S: Mas um dos temas mais recorrentes nos filmes do Miya-san é sobre como ele consegue se livrar disso, certo?
O: É, o que eu percebo é que, pelo menos um pouco, ele reconhece que seus filmes precisam da lógica de Suzuki Toshio, ou a motivação de Takahata Isao. Pelo menos até certo ponto, provavelmente.
S: Sim.
O: Mesmo ele não querendo admitir. No fim, é algo que ele precisava. Então o que ele tentou fazer foi eliminar essas coisas, fazer um filme, e ver no que dá. É isso que estou dizendo, eu reconheço que ele é um maestral criador de ilusões. O mais incrível criador de ilusões do Japão – não, do mundo. Isso é óbvio.
S: Essa foi a idéia.
O: Humm.
S: Então, basicamente, o que ele quis fazer foi juntar tudo que ele pensou, e fazer um filme com isso. Entende o que quero dizer?
O: Mas sabe, não dá pra fazer um filme assim. Cada ilusão criada é absurdamente interessante. Estão todas transbordando expressividade. Os primeiros dez minutos são impecáveis. Sabe a cena que ela emerge, montada em uma água-viva? Eu achei aquela cena muito boa. Como eu falei, cada cena, individualmente, é sublime
S: É como você disse: queríamos animar nossas ilusões pessoais.
O: Uhum. Por que a mãe voltou para a casa?
S: Hein?
O: Aquela mãe, que motivos ela tinha pra voltar para a casa?
S: Voltar para a casa?
O: É, depois que ela volta pra casa, ela volta mais uma vez para o Jardim dos Girassóis.
S: Ahh…
O: Então o que eu quero dizer é: por que ela não ficou o tempo todo no Jardim dos Girassóis?
S: Bem, é porque-
O: Que motivos ela tinha pra voltar pra casa?
S: Bem, a gente queria que ela interagisse com Ponyo e Sousuke.
(Todos riem)
O: O que eu tô tentando perguntar é que razões ela tinha dentro do mundo do filme para voltar (risos)
S: Como eu estou dizendo-
O: Uma cena sem motivação alguma não devia cativar o público. Mas, mesmo assim, as pessoas se envolvem com a cena, e é por causa do magnânimo poder expressivo que o filme tem.
S: E é esse o tipo de obra que queríamos fazer.
O: Hein?
S: Um filme assim.
O: Bem, seus filmes possuindo temas pertencem a um passado distante.
S: Você está certo em dizer que queríamos fazer um filme sem nenhuma estrutura real.
O: Não é que vocês estão tentando fazer filmes sem senso de estrutura–
S: Eu admito, foi isso que fizemos. O que isso tudo significa é que quem cada estrutura para nossos filmes era Takahata-san.
O: Sim.
S: Isso siginifica que, enquanto nossos filmes tiverem alguma forma de estrutura, Miya-san nunca conseguirá se desvincular de Takahata-san.
O: E isso é o estranho aqui.É isso.
S: Eu não tenho certeza se isso é algo estranho ou não (risos)
O: Apesar de que ele mesmo poderia ter dado uma estrutura ao filme.
S: Sim, Foi isso que me surpreendeu. Normalmente, nos filmes de Miya-san, existe um personagem principal, que nós seguimos e descobrimos todas essas coisas diferentes com ele. Ele traz o público para seu mundo. É como um filme de mistério. Mas agora, nós acompanhamos vários personagens diferentes, certo? Quando você começa a achar que a história é sobre Ponyo, ela muda para Sousuke. E quando você começa a acreditar que é sobre Sousuke, Fujimoto aparece. Um monte de gente aparece no longa, mas não é o tipo de filme que você é imerso no cenário ao aprender sobre ele junto aos personagens.
Equipe: Sim.
S: Normalmente, em um filme como esse, você começa explicando as coisas para o espectador, como o que está acontecendo, e sobre o lugar onde as coisas acontecem. Depois disso, você vai para cada personagem em separado, e eles cumprem seus papéis. É o padrão, certo?
O: Sim.
S: Então, Ponyo não segue esse caminho.
Equipe: (risos)
S: Oshii-san, seu filme também destoa de seus outros trabalhos.
O: Em que sentido? Eu tentei fazer algo diferente de meus filmes antigos, intencionalmente.
S: Dessa vez não tem muito diálogo, né?
Equipe: Isso mesmo, não tem tantos diálogos.
O: Foi intencional.
S: Não tem muito. Me pergunto o que mudou em sua mente pra que isso acontecesse.
O: Bem, eu queria mostrar algo diferente pras pessoas com esse filme.
Staff: É, Oshii-san, dessa vez você fez um romance, e o romance–isso pode ter vindo do roteiro original, mas–os personagens principais são crianças que não envelhecem. Então, após te ver fazendo um filme de romance sobre crianças, eu fiquei pensando…
O: Você sabe, não importa a que ponto a animação chegue, será sempre um meio de símbolos, com certeza.
S: Sim. Mas, de certa forma, não pare com uma peça bunraku (T.N.: Teatro de fantoches japonês)?
Equipe: Bem, as expressões dos personagens não me pareceram particularmente expressivas.
S: Personagens como esses, se movimentam da forma como se movimentam-deixando de lado a natureza artística disso-dá pra perceber que  alguém dirige suas ações e move seus corpos. É uma peça de bunraku.
Equipe: (Impressionado)
O: O que define bunraku é que, dependendo do ângulo em que o personagem é visto, as expressões mudam. É o mesmo que o noh ou outras formas de arte tradicionais, é uma parte da tradição artística japonesa.
S: Sim, e o filme é extremamente japonês, é o ponto que quero chegar.
O: Expressão através da forma, e apenas da forma, é parte do Japão- bem, do senso estético japonês. Um tipo de expressão privilegiado. Expressão transmitida não por movimento, ou performance, mas expressão pela forma. (T.N.: essa sentença define muito bem a expressão artística japonesa, que o ocidente não consegue captar, principalmente em um material mais pop como o anime)
Equipe: Mas, bem… essa é uma opinião pessoal, mas a não-existência de uma abertura para o filme, mostrando apenas um grupo de pessoas lendo jornais, bebendo cerveja, fumando…me deixou a impressão que o que você estava tentando explicar o mundo e os personagens para a juventude através de uma extensão de seus próprios sentimentos pessoais, de seu próprio mundo.
S: Também percebo isso.
O: E é verdade.
S: Isso foi algo que me interessou. Cada personagem, bem, eles falam, certo? De forma inexpressiva. Então há um corte, e sua mão os move. Eles tocam o cabelo, ou se viram um pouco. Todo o tempo acontece algo assim. Me pergunto o que aconteceria se você eliminasse essas partes (risos).
O: Se você tirar essas partes, o filme ficaria vazio.
Equipe: Ah.
O: Eu tentei criar uma expressão do tempo em que os jovens vivem hoje em dia.

S: Oshii Mamoru fazendo uma história de amor. Você está apaixonado?
Equpe: (risos)
O: Sim, eu já estive! (riso contido)
S: Não, não, digo recentemente. (risos)
O: Ei, me deixa em paz! (risos)
Equipe: (gargalhadas)
S: Amor em uma idade avançada? Foi o que me pareceu.
O: É, amor na terceira idade é-
S: Bem, não é só a frase assim, sozinha, mas-
O: Amor na terceira idade permite uma exposição da ess~encia do amor. Quanto mais velho você é, sabe-
S: Não, eu achei interessante. Sério.
O: Quanto mais velhos você é, mas inclinado para o sei (kanji para sexo) você fica. Tanto a parte “vida” (o kanji para sexo é composto de dois outros, e o lado direito significa “vida”), quanto a parte “coração” (o lado esquerdo, significando coração/mente). Esse é o significado.
Equipe: Hmmm…(refletindo)
O: Normalmente nós, velhos, não possuimos nenhuma arte pela qual podemos expressar isso, e é por isso que muita gente paga colegiais para ter sexo. Sendo franco, você começa a se interessar mais por mulheres.
S: Sim, sim, sim, sim.
O: Então, é isso.
S: Ah… (Impressionado)
O: É como o que Ootsuka-san (T.N.: Yasuo Ootsuka, animador dos estúdios Ghibli) falou um tempo atrás, lembra? Quando a gente tava bebendo com Ootsuka-san e Miya-san, Miya-san foi ao banheiro e Ootsuka-san disse “É, assim que Miya-san passar dos 60, algo incrível pode acontecer. Seria o máximo se ele começasse a ficar maluco por mulheres!” (T.N.: Sobre essa parte da terceira idade e do sexo, é muito interessante ver a forma dos japoneses tratarem certos assuntos, livres dos nossos milenares costumes ocidentais).
Equipe: (Gargalhada)
O: Ele disse como se quisesse que isso acontecesse. Ficou claro.
S: Hmm…
O: De todos aqui, Ootsuka-san seria o mais desinteressado, o mais indiferente perante esse tipo de coisa.
S: Ahh…
O: Mas ele é bem realista. Eu pensei na mesma coisa. Mas Miya-san não tem culhões para esse tipo de coisa.
Equipe: (risos)
O: E sua esposa me dá medo (risos), muito medo. Mas ele nunca faria algo assim na verdade, então ele junta todos esses sentimentos e pensamentos que fariam dele um Don Juan e coloca no mundo da animação. Isso- tenho certeza que tudo isso foi para as plantas, e as águas-vivas, e a vida marinha.
S: Sim, sim, sim, sim. Pareceu ser essas coisas, mas era tudo sobre a velhice! (risos)
O: Isso mesmo. Tudo aquilo, seja a água-viva, o peixe, ou as garotas de 5 anos, é tudo o mundo de um velho. O que eu quero dizer é que, por todo o filme, você só vê crianças e velhos. Tem o pai e a mãe, mas além deles…pra onde foram os outros adultos?
S: O bom e velho Mamoru Oshii. O interessante em você, Oshii-san, é que uma pessoa lógica e teórica como você ainda se interessa por ate. É porque você se interessa por arte. Sendo completamente honesto com você, no início o que mais me surpreendeu nas cenas de ação foi aquela cena do carro. Um personagem lambe seu sorvete, e então o carro aparece do nada, certo? Então ele canta pneu. O que mais me surpreendeu foi como não houve intensidade alguma nisso.
Equipe: (risos)
S: Realmente me surpreendeu. Eu pensei “Hein? Ok, e agora!?”, me senti dessa mesma forma quanto à história. Tem toda a gritaria, Lisa! Lisa! Lisa!, e várias coisas acontecem, e aí você pensa “Ok, e agora…”, e então, do anda, tudo se resolve, certo? Tem vários momentos assim no filme.  É o vôo ousado, certo? A história se constrói e bam, bam, bam, bam.
O: Eu me senti dessa mesma forma na cena da água-viva. Aquelas águas-vivas eram muito boas.
S: Sim, elas eram.
O: Aquilo me chocou.
S: Tanaka Nacchan quem fez. (T.N.: Naoya Tanaka, diretor de arte e artista de cenário do Ghibli)
O: Quando eu vi as águas-vivas-
S: São muito boas mesmo.
O: Viu, isso–
S: Aquela cena teve mais ou menos uns 1600 frames. 1600.
O: Eu vi a água-viva, e o peixe nadando em volta, e a irmãzinha do Ponyo nadando também, e pensei, “Ah, então é esse o mundo em que ele está agora.”
Equipe: Por exemplo, Oshii-san, você estava fazendo Innocence, que se passava em um mundo de bonecas, mas agora você migrou para um mundo de humanos. É mais ou menos assim?
S: Bem, você sabe, é porque ele tá ficando velho.
Equipe: (risos) Eu não-
S: Humanos e bonecas, ou humanos e cachorros, daí por diante…Você tinha a obrigação de fazer isso, certo? Acabou virando sua marca registrada. E pender para uma marca assim é algo que os jovens costumam fazer.
Equipe: Ahh… (Impressionado)
S: É isso que significa. Mas agora, a partir do momento que ele passou a trabalhar apenas com humanos, e como quando Mamoru Oshii…como dizer? O momemnto em que ele pisou no seu fumi-e (T.N.: uma mesa com imagens cristãs, onde os suspeitos de cristianismo da era Edo eram forçados a pisar, para provar sua incredulidade.)
Equipe: Seu fumi-e…?
S: Isso. É parte da velhice. Se você me permite, está conectado ao que eu disse inicialmente sobre Indiana Jones. Eu vi os três filmes, e sempre voltei para o mesmo lugar, pensando a mesma coisa. Que tipo de filmes os jovens de hoje em dia fazem? Mas, sendo franco, além do que eu disse sobre Ponyo e Sky Crawlers, eu também achei Indiana Jones interessante. Todas essas coisas incríveis estavam lá no filme, e essas pessoas que se proclamam cinéfilos, ou fãs do Indiana Jones, estavam todas reclamando. Mas se você olhar a progressão do que Spielberg fez em toda a sua vida, é realmente fascinante.
Equipe: Nossa.
S: Sim. E a coisa mais incrível sobre Indiana Jones é que não é filosofia, nem religião. Quando vi, pensei “Então é nessa que ele está agora!”.
O: Eu não irei discutir com isso, não mesmo. Meu envelhecer está sim, de certa forma, relacionado com virar e encara tudo diretamente em meus filmes.
S: Mas Miya-san ainda não percebeu isso ainda, né? Não percebeu. Quando assisti Ponyo, não importa o que estava na tela, o jeito como ele desenha as coisas é o mesmo. Ele é tão persistente que chega a ser incrível, não?
O: Sabe, eu acho que o anúncio de que ele faria tudo a mão é como o que Miya-san me disse na última vez que nos encontramos, uns 2 anos atrás, “de agora em diante, nós voltaremos a trabalhar com artistas. Todo mundo que trabalha com computadores será demitido!”
S: Ele nunca disse isso (risos). Até mesmo Miya-san sabe que, não impota se feito a mão ou no computador, o que é bom é bom.

Equipe: Oshii-san, dessa vez, em Sky Crawlers, as cenas aéreas foram feitas em CG, com as cenas no chão em 2d. E bem, eu percebi que foi intencional, mas me perguntei por que você decidiu seguir esse caminho?
O: Bem, pra começar, devemos ser realistas: era o único jeito disso ser feito. Quwr dizer, não existem muitos animadores por aí que nos permitiriam fazer tudo desenha a mão.
S: Sim…
O: Não existem animadores por aí destemidos o suficiente para animar aqueles caças, ou até mesmo mover aquelas nuvens.
S: Eles desapareceram?
O: Eles não estão mais por aí.
S: Mm…
O: Quem desenharia aqueles caças? Ninguém desenharia.
S: Mesmo depois de tudo…
O: Foi nossa única escolha. Quer dizer, é a nossa única escolha, então integramos isso ao modo como o filme foi concebido. Por isso que os mundos acima e abaixo das nuvens são bem distintos entre si.
S: Hmm…
O: Foi tudo que pudemos fazer.
S: Eu entendo.
O: Por isso que, quando a cena está acima das nuvens, os personagens usam óculos e máscaras que cobrem seus rostos. O que eu quero dizer-tentamos cobrir os traços de animação 2d o máximo possível, e não mostrar as expressões faciais, e-
S: Você não mostra os rostos, mas ainda é possível sentir as emoções.
O: E isso é porque essas linhas foram traçadas a mão.
S: Agora sim, isso é interessante.
O: Quando desenhamos os personagens, é isso que coloca alma nesses caças em 3d. Nosso cara responsável pelo 3d Hayashi-kun, viu e ficou emocionado. Ele disse “a partir do momento que algo foi desenhado, de alguma forma a cena passou a ter sentimento.”
S: Hm…
O: Então nos forçamos a fazer dessa forma. Mas não sei se alguém ainda vai querer fazer algo assim de novo. Se você parar pra pensar em quanto trabalho existe nesse processo, ninguém toparia fazer algo assim.
S: Ah… (impressionado)
O: Sabe, eu acho-não, eu sei que se um jornal fosse escrever sobre Miya-san voltando ao básico, retornando ao mundo da animação feita a mão, seria um artigo escrito como um conto comovente, maravilhoso. Mas isso está errado. O mundo da animação japonesa feita a mão já se tornou inútil faz tempo, em termos de conquistas e talento. O que vai ao ar hoje em dia na televisão pode ser feito mecanicamente , produzido em massa.
S: Mas se você tentar fazer algo de qualidade, e tentar a mão, seria inútil. Pelo menos com um filme, talvez fosse possível com um curta de 10 ou 20 minutos. Não há a possibilidade de Miya-san não ter percebido isso ainda. Mas ele me disse, “mesmo assim, iremos fazer dessa forma”. Miya-san e Ghibli podem ter quase não conseguido fazer algo como Ponyo, mas mesmo assim, a cena da água-viva? Se fosse feita em CG, ela seria uma água-viva linda, que poderia até mesmo ser confundida com uma de verdade, uma quantidade enorme delas inclusive, mas não teria o mesmo sentimento da cena feita a mão. Não há dúvidas quanto a isso. Com certeja, há um certo mérito nos arte-
S: Oshii-san, você já se referiu à animação como artesanato no passado, não é mesmo?
Equipe: Ah, um artesanato. Como se fosse parte da tradição das artes japonesas.
O: Eu realmente penso em animação como uma forma de artesanato. Se você me perguntar, é parecido com o milagre de um carpinteiro de templos. Você faz idéia de quantas pessoas são descartadas até que uma só seja eleita um carpinteiro de templos qualificado? Quanto treino é necessário? É por isso que comparo animação com a carpintaria de templos: você não pode produzí-los em massa. Mas agora, estamos chegando ao nosso limite. Se você quer saber porquê, o motivo é que todos os animadores talentosos que ainda sustentam o mundo da animação feita a mão, os mais ou menos 20 existentes, já passaram dos 40 anos.
S: Sim, já têm até 50.
O: Devem estar perto dos 50, é verdade. Fim dos 40. Pelo menos dos 40 eles já passaram. Então pense um pouco, em 10 anos, o que irá acontecer?
S: E existe alguém para tomar seus lugares? Não, não existe.
O: O bom dos carpinteiros de templos é que eles são um grupo de trabalhadores intinerários
Equipe: Com certeza…
O: Constroem uma pagoda de 5 andares aqui, um salão principal ali, são intinerários
S: IG (T.N.: O estúdio, Production I.G., onde Mamoru Oshii trabalha) não estava tentando estimular essa forma de trabalho?
O: Estávamos, mas não apareceu ninguém.
S: Não sei se vai dar certo, mas é por isso que queremos lançar um desafio no Ghibli de novo. Recrutar sangue novo. Porque sabe, olhando pro passado, quando Oshii-san ou eu tinhamos, sei lá, uns 20 anos – foi nessa época que começou o chamado anime boom, e, se você analisar essa époda, tinha um monte de gente por aí, batendo de porta em porta nos estúdios. Várias pessoa entrando na indústria todo o tempo. Isso fez com que vários tipos diferentes de pessoas se envolvessem com esse mercado. Pensando dessa forma, nós estamos conectados à vários tipos de indústrias. Vários.
O: A diferença, porém, é que naquela época ninguém precisava recrutar pessoas como nós, nós mesmos aparecíamos nos estúdios. Isso parece óbvio, mas se você parar pra pensar no porqueê disso, é que nós não tinhamos mais pra onde ir. Pelo menos comigo foi assim. Eu não tinha nenhuma outra opção, eu realmente queria criar algo como um filme, e trabalhar com filmes, e depois de pesquisar algumas alternativas, acabei trabalhando em um estúdio de anime. Surpreendentemente, se você realmente quer fazer algo, é possível transformar qualquer coisa em realidade.
Equipe: Hmmm.
O: O que estou tentando dizer é que…hum, bem, não importa quantas pessoas talentosas você ache, será possível voltar para aquela era? Quer dizer, essas pessoas se achavam e se juntavam naturalmente. Atualmente, eu não acho que algo vá acontecer até que as pessoas não só percebam a situação em que a indústria está, e como a qualidade das animações tem decaído, mas também se levantam pra fazer algo. Não é possível recriar artificialmente as coisas como eram naquela época.
S: É como a História costuma funcionar
O: Sim. Na verdade, analisando a situação atual, até mesmo em um nível pessoal, se você quiser fazer um filme é preciso considerar todos os métodos disponíveis, sejam eles quias forem. Se não dá pra fazer animação manual, então o jeito é fazer em CG. Se eu não tivesse começado como um pintor, ou um desenhista, eu seria apenas um simples cineasta, por isso uso de todos os artifícios.

Diz aí, seu caminhão
Postado por Laivindil 
em Atualidades, Cinema
às 23:36 de 14/07/2009

David Letterman é tipo o Jô Soares americano. Ele tem um Talk Show, toma bebidas misteriosas em uma canequinha, fala gracinhas que algumas pessoas riem. A diferença? Bem, Jô Soares pode ter entrevistado Inri Cristo, mas Letterman recebu Optimus Prime, e isso ganha de qualquer um.

Optimus Prime tem que se redimir. Ele fez muito feio em Transformers 2. Aliás, eu prefiro não mencionar esse filme, porque ele me ofende profundamente. No geral, até que os personagens em si são bons, e o legal nesse vídeo que eu achei, é que, diferentemente do filme, você pode de fato ver Optimus e apreciar seu design. No filme é só uma montanha de ferro se contorcendo e fazendo barulho.

Trata-se de uma participação no Late Show de Letterman, e o tema é o seguinte: Dez coisas que ficam mais legais quando ditas por um robô. Eu geralmente postaria isso como um extra de um post maior, mas hoje o dia foi corrido. Fiquem só com o Optimus e não reclamem.

Que as Lendas ganhem Vida
Postado por Laivindil 
em Cinema
às 15:09 de 22/02/2009

Vamos recapitular agora, alguns dos motivos que teremos para chorar em 2009. Tirem suas franjas dos olhos, e vamos analisar as últimas novidades envolvendo adaptações de anime para o cinema que estão em produção.


A primeira que quero falar um pouco, é Street Fighter: The Legend of Chun Li. Tá, não é anime, mas vocês entenderam. Saiu na rede um vazamento, não sei se proposital ou não, de algumas das cenas. Se você não liga pra spoiler, ou é realista e sabe que nada de muito misterioso vai rolar nesse filme, assiste ai. As sequências não são tão impressionantes assim, e as lutas são “pé no chão”, o que faz sentido pro universo SF, mas eu bem que preferiria algo mais anti-gravitacional. Lembrando que são cópias cruas, provavelmente ainda carecem de melhor edição e sonorização.

Agora essa tem relação com Cowboy Bebop. Se vocês acompanham as news por aí, principalmente as do animeforces, que são as mais completas e interessantes, já sabem que Hollywood meteu as patinhas nesse anime, e Keanu “cara de cera”Reeves vai fazer Spike Spiegel. Por mim ele faria o Klaatu pra sempre, de longe seu melhor papel até hoje, mas o cara pôs na cabeça que tem o carisma suficiente pra segurar o tranco. Se sua atuação será suficiente não dá pra prever, mas alguém na net resolveu checar o visual e photoshopou uma perucona bizarra nele. E aí, igualzinho não? Haja spray.

Agora um dos mais divertidos para se falar mal, Dragonball: Insatisfaction. Rolou de tudo por essas semanas, fotos dos bonecos, que são péssimamente horríveis, com direito a um Oozaru com pinta de brinde do Habib´s, anúncio por parte de Justin “Goku”Chatwin de que uma sequência já estaria sendo escrita, e uma turnê asiática com o elenco e diretor. Os americanos sentiram a pressão negativa dos fãs e isso é um fato: por mais que neguem, Picollo era branco naquele primeiro trailer, e ele existe online, eu posso provar!

A explicação “oficial”, seria que nas gravações, não utilizaram maquiagem verde, pois ela poderia se misturar com os fundos verdes usados para serem substituidos por efeitos especiais, a técnica conhecida por Chromakey. Isso faz um sentido absurdo, e eu fico desesperado pra achar uma falha que a torne uma desculpa esfarrapada, já quero odiar esse filme, SO BADLY! A única coisa que me ocorre, é que eles poderiam usar uma tela azul para os efeitos. Daí vem um e rebate, dizendo que talvez essa mudança de cor faça parte do roteiro de alguma forma.De todo modo, não deveriam tê-lo divulgado assim, cru, logo a primeira impressão de um dos personagens mais queridos.

Eu não creio nisso. Seria muita incompetência técnica.Do nada, o vemos verde no novo trailer e nas fotos promocionais. O subtítulo “Evolution” foi adicionado, tudo isso com a clara intenção de separar as histórias e conter um pouco o ódio dos fãs. E o mais surpreendente disso tudo, acho que eles meio que conseguiram. Explicando: com essa avalanche de informações, e imagens, e a empolgação dos japoneses pelo material, começo a achar que talvez, ênfase no “talvez”, esse filme possa ser uma boa diversão. É uma péssima adaptação, e tudo o que foi mostrado até agora deixa isso muito claro. Temos uma outra história, com outros personagens, e apenas os mesmos nomes. Porém, como filme isolado, certamente renderá boas duas horas sentado domingo de tarde comendo pipoca. Não será um filme memorável, pelo contrário, mas provavelmente seguirá a linha desses filminhos inofensivos, que a gente sempre assiste toda vez que passa na Tv, e não sabe exatamente o motivo.

De semelhanças com o material original, temos novas especulações: os bonecos nos revelaram que Oozaru deve mesmo aparecer, ainda que não seja um macaco gigante, Goku é um Sayajin, ainda que isso não seja explorado a fundo, teremos aura de Ki, de acordo com um dos técnicos de efeitos especiais recentemente entrevistado. Ah claro, aquilo que o Goku solta no final do trailer, com uma mão só, não é o Kame Hame Ha. E temos novas fotos recém divulgadas, incluindo muitas do Piccolo, verde, branco, amarelo, símbolo da parada gay.

Outra possível adaptação que foi noticiada, seria a do mangá Pluto. O próprio autor, Naoki Urasawa, de 20th Century Boys e Monster, teria dito que foi procurado por estúdios hollywoodianos interessados na história. A trama é no mínimo curiosa: trata-se de uma outra visão de Astro Boy, transformando um dos seus arcos em uma trama policial, protagonizada por Gesicht, um robô detetive da Europol. Isso pode ser interessante,enquanto isso, o filme em CGI de Astro Boy continua em um vai-não-vai, embora o estúdio negue até a morte os boatos de falta de dinheiro para seguir com o projeto.

De tudo isso, a que mais empolga é a que menos deveria existir: The Last Blood, versão Live Action  de Blood: The Last Vampire, cujo trailer foi lançado faz um tempinho já.

Esse teaser sim te dá vontade de sair voando na hora pela sua janela, e matar alguns bandidos com sua katana gigante, efeito que as demais adaptações que citei deveria provocar, mas nem todo mundo é perfeito né. Só nos resta aguardar, e até lá, especular muito pois é extremamente divertido.

Os 15 filmes que influenciaram Metal Gear
Postado por Darkonix 
em Cinema, Games
às 14:35 de 26/01/2009

Hideo Kojima, criador da série Metal Gear, fez uma parceria com a rede de locadoras japonesa Tsutaya. Juntos, liberaram uma lista dos 15 filmes que influenciaram a série, em fatores maiores ou menores. Segue a lista, com alguns detalhes. Título original, com título em português entre parênteses.

The Guns of Navarone (Os Canhões de Navarone)
The Great Escape (Fugindo do Inferno)
Goldfinger (007 contra Goldfinger)
2001 (2001: Uma Odisséia no Espaço)
Planet of the Apes (Planeta dos Macacos)
The Deer Hunter (O Franco Atirador)
Dawn of the Dead (Despertar dos Mortos)
Full Metal Jacket (Nascido Para Matar)
Die Hard (Duro de Matar)
Heat (Fogo Contra Fogo)
Predator (O Predador)
Black Hawk Down (Falcão Negro em Perigo)
Children of Men (Filhos da Esperança)
The Bourne Identity (Identidade Bourne)
Casino Royale (007 – Casino Royale)

A explicação para a inspiração de alguns desses filmes:

Os Canhões de Navarone: de onde veio o conceio básico de infiltração do jogo;
2001: origem do verdadeiro nome de Otacon, Hal;
O Franco Atirador: de onde veio a bandana do Snake;
Planeta dos Macacos: o filme onde Kojima percebeu que uma mensagem crítica à sociedade poderia existir em uma obra de entertenimento;
Predador: o design do ocotocamo de Metal Gear Solid 4 foi baseado nele;
Falcão Negro em Perigo: o clima e iluminação do quarto jogo da série Solid foram inspirados nesse filme;
E os filmes do 007, a maior inspiração para Metal Gear segundo Kojima, principalmente os de Sean Connery.

Parece bobeira, mas é uma informação interessantíssima para os fãs da série, como eu. Aliás, o JCast está aceitando doações para a compra de um PS3 e MGS4, entrem em contato que daremos o número da nossa conta.

The Legend of Chun Li, trailer americano revelado
Postado por Laivindil 
em Cinema
às 00:45 de 16/01/2009

Alguns estão chiando, eu inclusive, pois adaptações de games não costumam ter um histórico muito positivo. Porém, frente a DragonBall: Evolution, e a esse novo trailer agora em inglês, sinceramente acho que Street Fighter: The Legend of Chun Li pode ser bom.

Além da ação ser boa, das mudanças não serem tão grandes assim, a maior mesmo seria o fato de Chun Li não ser chinesa ( ela não tem coxas sobre-humanas, e quem quiser isso tem é que levar muita porrada), o filme é escrito por Justin Marks. Esse cara é considerado uma revelação no mundo dos roteiristas Hollywoodianos, tendo feito scripts que, se não são produzidos, pelo menos são elogiadíssimos pelos que tiveram acesso. Alguns deles, como a nova versão de He-man, uma adaptação do anime de mecha Voltron, e o esperado filme do Arqueiro Verde já ganharam reviews mais que positivos pela internet.

Ou seja, existe uma equipe legal por trás, existe o fantasma do último filme, e a vontade de se fazer algo bom. Negócio é esperar e torcer bastante. O filme estréia em fevereiro nos Estados Unidos.

Watchmen-Tan
Postado por Laivindil 
em Bizarrices, Cinema, Cultura
às 23:51 de 12/01/2009

Existem muitas “Tans” por aí. Nos primórdios, falamos da Afuganisu-tan, por exemplo, a mascotinha sofrida que nos encantou. E pela mente dos otakus desocupados da rede mundial de computadores ( frase do fantástico) não param de surgir idéias. Qualquer objeto inanimado, ícone pop, sentimento abstrato, tem um potencial oculto de Moe ilimitado.

As mais novas criações são as Watchmen-tan. Para os alienados, Watchmen é a graphic novel clássica do mestre Alan Moore, que redefiniu o mundo dos quadrinhos, e é mega-cultuada até hoje dentro e fora desse meio. Esse ano ganharemos uma adaptação cinematográfica da obra, ainda sem data de estréia devido a problemas judiciais entre a Warner, produtora do filme, e a Fox, que alega possuir os direitos do filme.

Informações históricas e jurídicas à parte, no que concerne a nós, pseudo-otakus babões, Watchmen é uma boa fonte de inspiração para os “4channers” da vida.

Watchmen o filme estréia ainda esse semestre, mas o dia certo está na mão do Juiz. Tomara que os filhos dele curtam quadrinhos, e dêem uma pressionada. Para ver os personagens originais e comparar com suas contrapartes fofinhas, dêem umna olhada nos links ali em cima.

Jcast NÃO recomenda: Kanashimi no Belladonna
Postado por Laivindil 
em Cinema, Cultura
às 00:14 de 08/01/2009

Pouca gente sabe, mas o grande Osamu Tezuka, o Pai do Anime, o Walt Disney japonês, o inventor dos grandes olhos, e de toda a base para o que se tornou a indústria de animação japonesa, também cometeu seus pecadinhos.

Nós nunca falamos muito de Tezuka aqui no Jcast, e certamente o faremos em futuros especiais, Mark II´s, e coisas assim, já que sua carreira merece, e muito. Sendo assim, é quase que injusto essa primeira menção ser focada  em um mico histórico.

Os que curtem arte, e acham que qualquer porcaria pode ser chamada disso que me perdoem: mas Kanashimi no Belladonna é uma bomba, levou sua produtora à falência, e me assusta profundamente.

Antes de mais nada, isso não é um review. Reviews quase sempre serão feitos por áudio, em seu segmento específico, e revisaremos coisas que de fato assistimos. Sim meu povo, eu não vi Kanashimi no Belladonna. E não verei, jamais. É aquela filosofia do não vi, não quero ver, tenho raiva de quem viu, e matei os que insistiram em me contar spoiler.

Osamu Tezuka nem teve contato tão direto com esse filme, no entanto. Ele produzia animações para a Toei, mas se desligou da companhia para montar a sua própria, chamada Mushi Productions. Sob o selo desse estúdio, Tezuka produziu várias adaptações de obras originais suas, como Astro Boy e Kimba The White Lion.

Querendo explorar um público mais adulto, a Mushi Pro lançou uma trilogia chamada Animerama. O primeiro dos três, Senya Ichiya Monogatari, é de 1969, e foi baseado nos contos das mil e uma noites. Tem um estilo de animação bizarro, a música me dá arrepios na alma, e rola muito, muito sexo.

O segundo é Cleopatra. Ou melhor, Kureopatora, ou melhor, Cleopatra: Queen of Sex, título americano do longa, lançado originalmente em 1970, com um estilo de animação bizarro, música que me dá arrepios até a alma, e com muito, muito sexo. Obs: Julio César é verde.

E, em 1973, chegamos nesse que entra pra historia. Ninguém viu essa merda. E não conheço ninguém que goste. Okay, ouvi aqui e ali depoimentos de pessoas que tiveram o desprazer de ter visto, e todas são unânimes: nesse filme  não há simplesmente animação bizarra, mas sim pinturas, painéis postos em sequência, com mínimo movimento, tudo muito psicodélico e entorpecente. Também não se contenta apenas com música que dá arrepios,  ele nos deprime com acordes melancólicos que quase me fizeram arrancar os olhos, ainda que fosse mais coerente os ouvidos. E não tem só muito sexo, tem muito sexo esquisito, e eu quero conhecer alguém que tenha se excitado com isso. E não me venham com argumentos pseudo-artísticos de bicho-grilo: se sexo é arte, Gretchen é Monet. Você sabe, pelo conjunto abstrato e deformado.

Os ingleses têm preconceito de anime por causa, em grande parte, desse lançamento. A Mushi faliu em 1973, porque nem os tarados japoneses entenderam esse filme. E Tezuka teve a sorte de ter abandonado o barco a tempo, não sendo nem ao menos creditado. Eu nem me abalei procurando pra baixar, já que nunca vou assistir, mas existe aos pedaços no youtube.

Por falar em Tezuka, e mudando de assunto, já que é sempre bom lembrar dos bons momentos de sua carreira, saibam que ele é ameguênho do Maurício de Souza. Se bem que, depois da Mônica em mangá, o pobre mestre deve estar se revirando no túmulo, lamentando-se por não ter conseguido ensinar muita coisa pros brazucas.

Uia, tô nojento hoje.

Spike Reeves?
Postado por Darkonix 
em Cinema
às 22:26 de 19/12/2008

E Keanu Reeves, também conhecido como Mr. Anderson, disse estar super afim de encarnar Spike Spiegel. O quê??? Não ficou sabendo??? Minina, senta aí pra eu te contar essa fofoca!

Em julho desse ano, a IF Magazine soltou em seu site que um passarinho azul tava espalhando por aí a possibilidade de um live-action hollywoodiano de Cowboy Bebop, produzido pela Fox. Um tempinho depois, o produtor Erwin Stoff, também conhecido como empresário do Keanu “Estátua de Cera” Reeves, falou que a idéia estava ainda dando seus primeiros passos.

Tudo ficou por isso mesmo até que, uns dias atrás, alguém resolveu perguntar pro Sêo Keanu sobre o boato de que ele faria o Spike, e não é que o cara tá super empolgado? Ele disse que gosta muito da mistura cinema noir/faroeste/cyberpunk da série, e admitiu ser um grande fã do Shinichiro Watanabe, diretor da série pra quem eu babo ovo descaradamente, e Keiko Nobumoto, compositora de Bebop.

Além disso, ele também disse que a equipe já contratou um roteirista, que já começou a escrever uma história tendo como elemento base a droga Red Eye, citada e não muito explorada no anime, que dá superpoderes e uma percepção de tempo mais lenta para o usuário. Keanu diz saber como é difícil adaptar uma série tão episódica em um longa, mas acredita que um bom trabalho possa ser feito.

Eu acho que Cowboy Bebop é a série que mais tem elementos que podem agradar o público ocidental sem perder muito do original, mas concordo que fazer uma adaptação, que é necessário pra quebrar a narrativa episódica e tornar o filme uma só história, vai ser um trabalho difícil e não sei se vão conseguir fazer algo bom. Sem contar que o Keanu pra mim não é lá a melhor escolha pra um Spike, fisicamente ele é muito compatível, mas não sei se o Mr. Anderson vai conseguir fazer aquele sorrisinho. Qualquer outra pessoa seria capaz, mas nunca vi o Reeves com outra cara que não seja a mesma cara de bosta. Enfim, ainda acho que tem menos potencial pra ser uma BOMBA do que Akira, então vamos esperar pra ver.

Novo Trailer de Evolution
Postado por Darkonix 
em Cinema
às 11:20 de 10/12/2008

Sim, Evolution, sem Dragonball, porque de Dragonball isso só tem o nome e as bolas. Ok, pra quem ainda não estava sabendo, o filme de nossa tão amada série recebeu o criativo nome de Dragonball Evolution. Claramente se trata de uma evolução negativa que resultará na extinção da espécie.

Mas o que interessa (ou melhor, o que não interessa) é que lançaram um novo trailer, mostrando pra quem ainda não tinha certeza que esse filme pode até fazer sucesso, mas deveria se chamar Kung Fu Balls. Ou Um Cara de Kimono Laranja Muito Louco.

Ok. Se recuperaram do choque? Então vamos lá. Eu ouvi um kamehameha, vi algo que pode ser uma capsula hoi-poi ou apenas uma moto compacta, tem um bicho que se transforma nos outros (Oolong? O.o) e pintaram o Piccolo de verde na foto promocional só pra enganar ou é meu monitor ruim? E que história é essa de criadores das esferas e invasão alienígena, provavelmente de Namekusei, querendo destruir a Terra??

Sem contar que Dragonball Evolution parece nome daqueles sites de fã de 2001, com lista de poder de luta de todos os personagens e guia de raças e planetas. Fora isso, até que o Mestre Kame tá simpatiquinho vai. Me surpreenda Hollywood, e traga pelo menos o Shen Long!

Em 2009, sai antes do fim do mundo.

Picollo com vitiligo
Postado por Laivindil 
em Anime, Cinema
às 08:40 de 10/09/2008

O SITE omelete postou um tempo atrás as primeiras imagens do trailer do filme de Dragonball. E o que mais chamou a atenção de todos, foi o visual do Picollo, finalmente revelado. Eis que, depois do Mestre Kame com cabelo e sem barba, depois do Goku sem rabo e da Chi Chi patricinha que namora o capitão do time de futebol, temos um Picollo branco, sem anteninhas e nada de turbante.

Estou soando um pouco como esses fanzoides que nada entendem de cinema, e ficam detonando toda e qualquer mudança. Todos sabemos que quando se transpõe uma obra de uma mídia para outra, mudanças são necessárias, por isso se chama “adaptação”. Nem tudo pode ser literal, algumas coisas funcionam em livros, outras em quadrinhos, outras em cinema. A essência da obra, porém, deve ser mantida, e em alguns casos, ocorrem mudanças que não são necessárias. Se o Picollo do filme também não é um humano, porque diabos ele não pode ser verde? O filme ainda carece de maiores informações para fans, mas eu já estou aqui no meu cantinho, com uma nuvem nublada sobre a minha cabeça, chorando. Que a Fox saiba o que está fazendo, porque nenhum membro da produção parece saber.

EIS que novas gracinhas envolvendo a frase sem graça do Fukuda-San surgiram, e posto aqui duas, não por seu interesse, mas porque somos todos posers que amamos modinhas japonesas de internet.

CARTAZES de cinema inteligentes. Vai demorar uns quarenta anos pra chegar ao Brasil, provavelmente estaremos com cinemas projetados para conversas em tempo real com os personagens do filme, quando os primeiros protótipos defeituosos dessa pequena brilhante idéia desembarcarem por aqui, e apenas em São Paulo. Mas lá ma terrinha já está sendo posto em prática, se o seu celular tiver esse chip especial que está à venda, e você chegar perto do cartaz do filme que for equipado com o sistema equivalente, seu aparelho recebe automaticamente informações diversas a respeito da produção, como trailers, e demais promos que estiverem disponíveis. Os primeiros testes foram realizados com o robozinho emo da Pixar, o WALL.E, que por sinal eu ainda não ASSIST.E. Tosco, mas rimou.

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