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Ring of Gundam
Postado por Laivindil 
em Anime, Atualidades, Cultura, Otaku
às 23:37 de 14/09/2009

Esse ano se comemoram os 30 anos de Gundam. O pai dos Real Robots entra na idade da Loba. E eu,com essa piada, dou mais um passo em direção à redação do jornal O Globo.

Como parte das comemorações,tivemos o tão aclamado Gundam em tamanho real, que reinou absoluto risonho e límpido por mais de um mês, batendo recordes de visitação.  Vejam esse interessante vídeo mostrando o tempo passando para nossa querida estátua.

Também no pacote comemorativo, teve a Big Expo, uma mega exposição dedicada a Gundam e sua história, que durou 3 dias no Tokyo Big Sight. Vejam algumas fotos aqui.

Agora chega ao youtube, nada menos que o adeus de Yoshiyuki Tomino à franquia Gundam. Tomino, criador da série original, dirigiu esse curta em 3D,que se passa no Universo Central, o mesmo da série original. A história e o curta em si são confusos, mesmo porque o troço é em japonês. Mas dá vontade de gritar “Toma essa, Michael Bay!!!” . Esse curta possui um visual retumbante,  estrambólico e inoxidável, mostrando para Hollywood que animação computadorizada tem muito potencial. Eu gostei de Bolt. Mas por favor,não aguento mais bichinhos engraçadinhos aos montes nos cinemas. Cadê o sangue digital, minha gente.

Voltando ao tema, o curta tem mais brigas de Mechas interessantes do que dois filmes dos Transformers juntos. Aliás,qualquer Dead Fantasy tem coreografias mais legais que metade dos blockbusters gringos. Parece que quando é rápido e indolor, você pode fazer coisas mais legais. Sem mais delongas, Ring of Gundam.

Como esse post ficou curto,vou encher linguiça com esse randômico vídeo da Chinesa no Aeroporto.

Mais fotos do Gundam
Postado por Laivindil 
em Anime, Atualidades, Cultura, Otaku
às 15:10 de 09/08/2009

O Gundam de Odaiba já fez história. Enquanto ninguém sabe direito porque tirarão o moço de lá quando as comemorações dos 30 anos terminarem, e pra onde irá o robô, nós curtimos as fotos. Ou subimos em seu ombro pra tirar uma foto, se pagarmos bem caro por isso.

A shueisha lançou um Photobook especial que documenta todo processo de construção da réplica, e ainda nos deixa imagens de tirar o fôlego.

São 96 páginas e ainda mostra entrevistas com os realizadores.

Como achei somente essas imagens do livro, complemento esse post com outras fotos super legais do bichão. Nada mais para dizer, só me deixem babar.

Dica pra quem tiver passando por lá: espere anoitecer, pois é aí que o espetáculo começa. Acho que já postei esse video em algum lugar, mas em todo caso, posto de novo. Gundam nunca é demais.

O Ex-Diretor de Suzumiya Haruhi…e calcinhas!
Postado por Darkonix 
em Anime, Otaku
às 23:47 de 20/07/2009

Yutaka Yamamoto já foi diretor da Kyoto Animation. Os quatro primeiros episódios de Lucky Star são dele, e quem assistiu deve ter percebido que possuem um ritmo mais lento, sem tantas referências pesadas. Porém, Yutaka foi afastado após o primeiro mês do anime, segundo a KyoAni por “não ser um diretor totalmente formado”.

Não formação no sentido acadêmico, obviamente. O estúdio quis dizer que ele não estava a altura. Yamamoto então deixou o KyoAni e partiu para o A-1 Pictures, o estúdio da Aniplex. Lá, foi responsável por Kannagi, fazendo um bom trabalho.

Essa semana ele participou de um painel no evento americano Otakon e, após ser questionado sobre sua saída do Kyoto Animation, resolveram perguntar se ele sabia que Haruhi tomaria o rumo que tomou com Endless Eight. Yamamoto foi produtor da primeira temporada de Haruhi, e também redigiu, dirigiu e fez o storyboard de alguns episódios, além da lendária ending, Hare Hare Yukai. Ele então respondeu que sim, estava informado da extensão de Endless Eight para seis episódios, e era contra a decisão. Ele inclusive pede desculpas, que eu não aceito por estar em paz com o Agosto Sem Fim. Assistam no vídeo abaixo:

Eu confio muito no Kyoto Animation. Eles possuem essa obsessão artística por suas próprias visões, enquanto Yamamoto é do tipo que gosta de agradar os fãs, vide Kannagi, que é bem legal, mas não instiga como algumas obras do KyoAni. Qual dos dois eu prefiro? Fico muito feliz que a indústria da animação japonesa possua lugar para ambos, mesmo com os mais artísticos possuindo um espaço muito mais estreito, construído normalmente ao custo de muito suor. É meio frustrante ver episódios “desperdiçados” depois de tanto tempo esperando por novidades, mas o que está sendo feito possui um valor artístico e narrativo não muito palatável para o público que espera algo mais dinâmico, mas de grande ousadia e importância. E bem, os americanos disseram que serão 6 episódios, e Yamamoto não contestou, então essa semana devemos ver a conclusão do arco.

Ah, Yamamoto também se retificou em seu blog, dizendo que a melhor tradução para o que ele disse não seria “em nome do comitê de produção da Brigada SOS” e sim “como um antigo membro da Brigada SOS”. Perceba também que o clima da entrevista é bem descontraído, e até mesmo irônico, mas como todo bom japonês que não entende ironia muito bem, Yamamoto parece relativamente sério em suas respostas, apesar de uma brincadeira ou outra.

Mas já que a notícia é bem rápida e não passa de um complemento da anterior, vamos falar de algo mais edificante.

Calcinhas. Fofinha ela, não? Quero uma pra mim. Não, eu ainda não virei um maníaco lolicon, nem tenho nenhuma grande pretensão em virar. Essa calcinha, na verdade, possui uma função muito específica: limpar óculos! Não só óculos, como telas de celular, monitores, psps e o que mais for de vidro.

Eu achei super legal a idéia de eu puxar uma calcinha de criança do meu bolso em pleno ônibus pra limpa meu óculos, não acham? Todo mundo já me olha estranho mesmo, não faz diferença.

Falando de calcinhas, quem assistiu K-On! sabe a relação que a tigela de arroz acima mantêm com as roupas íntimas da queridinha de todos, Mio Akiyama. Outra calcinha (kind of) que quero: uma versão real será vendido na Comiket 76!

Não só ele, como também todo um joguinho temático, com talheres personalizados, hashis e…as castanholas da Yui, que simplificam todo o conceito de Keiongaku na mente perturbadoramente despreocupada da garota!

Calma gente, eu ainda não cheguei nesse nível que vocês estão pensando, mas pensem se não seria legal ter a tigela-shimapan da Mio, as castanholhas da Yui e uma calcinha limpa-óculos em casa…

A Destruição de Suzumiya Haruhi
Postado por Darkonix 
em Anime, Otaku
às 22:01 de 18/07/2009

Essa semana foi ao ar o quinto episódio da segunda temporada de Haruhi entitulado Endless Eight. Isso mesmo, cinco episódios seguidos, com o mesmo título. Você, que não está acompanhando, se pergunta: como assim? Eu explico.

A história Endless Eight faz parte da novel Suzumiya Haruhi no Bousou, composta de várias histórias curtas originalmente publicadas na revista The Sneaker. Nela, Haruhi faz com que a segunda metade do mês de agosto se repita para sempre, por não querer que as férias acabem. Porém, a história original só possui vinte páginas, como pode já ter rendido 5 episódios?

O esperto que disse “a história se repete em cada episódio, em loop” acertou. O elenco de Haruhi está vivenciando o Dia da Marmota. Muitos podem dizer que é preguiça do estúdio, mas não: cada episódio é reanimado em ângulos diferentes, e alguns acontecimentos, ou a roupa dos personagens, variam.

No início foi um episódio. Tá, nenhuma citação ao loop, já entendi o que eles vão fazer. Segundo episódio. Ok, mais um e fecha. Terceiro. Quarto. Quinto. Captaram a idéia? Engraçado que não estou me irritando. O KyoAni está fazendo o público sentir uma pequena parcela do que a Nagato está sentindo, sentimentos esses que justificam Suzumiya Haruhi no Shoushitsu. Mas mesmo assim, me pergunto até quando, até mesmo pra saber que histórias esperar ainda nessa temporada.

Porém, como vocês podem ver acima, nem todo mundo pensa assim. Eu até pensei que os japoneses estivessem mais tranquilos do que os vários ocidentais que reclamam toda semana, mas esqueci de como os otakus são radicais. Já pipoca por todo o 2ch fotos de coleções destruídas, como a chacina acima, ou as novels rasgadas abaixo. Eu, particularmente, prefereria que todos os itens fossem enviados para meu humilde lar, ao invés de destruídos.

Há quem diga que o sexto Endless Eight será o último. Há quem diga que se estenderá por mais três episódios, fechando oito e fazendo referência ao título. E há os extremistas, que dizem que vai ser assim até fechar a cota de 14 episódios. Eu descarto parcialmente a última possibilidade, mas não completamente, pois se tratando de Haruhi nunca se sabe. Se a primeira for verdadeira, espero ver Shoushitsu e, talvez, Tameiki ou Snow Mountain Syndrome (esse último, uma esperança vã de minha pessoa);  se forem 8 episódios, com certeza a temporada fecha com Shoushitsu…espero.

Mamoru Oshii X Toshio Suzuki
Postado por Darkonix 
em Anime, Cinema
às 13:47 de 15/07/2009

Hoje trago algo um pouco diferente para o JCast. Uns 3 dias atrás, o kransom, do blog welcome datacomp, transliterou e traduziu para o inglês uma conversa entre Mamoru Oshii, diretor de clássicos como Ghost in the Shell, e Toshio Suzuki, produtor e presidente dos estúdios Ghibli.

Segundo kransom, há um ano ele estava na universidade Kyoto Seika, em uma palestra do mangaká Takekuma Kentaro, quando o palestrante mencionou um programa de rádio com Mamoru Oshii e Toshio Suzuki. Um ano depois, kransom descobriu que o programa em questão era o Suzuki Toshio no Ghibli Asemamire, e que várias mp3s estavam disponíveis no site oficial. Rapidamente, ele resolveu fazer uma tradução não-oficial do programa de agosto de 2008, onde os dois artistas discutem várias coisas, como suas obras mais recentes, Ponyo e The Sky Crawlers, o futuro da animação no Japão e até mesmo Indiana Jones.

Imediatamente, ao ler a tradução, resolvi compartilhar essa discussão tão interessante com o público do JCast. Mandei um email para o kransom, e ele me deu autorização para traduzir sua tradução. Aconselho que vocês leiam ouvindo o áudio original (outros áudios do programa podem ser encontrados aqui), pra ficar menos cansativo e vocês pegarem melhor a emoção da conversa. Pra quem quiser, a tradução em inglês está aqui. O post vai ser bem longo, mas tenham paciência e leiam, pois é muito interessante ver dois grandes artistas da indústria do anime debatendo suas obras e outras questões tão distantes do nosso mundo ocidental, e ao mesmo tempo tão presente em nossas vidas.

Obs.: Sempre que houver um T.N.: dentro de parênteses, é uma nota ou explicação feita por mim.

Suzuki: Já assistiu [o novo] Indiana Jones?
Oshii: Não.
S: Você devia assistir. Basicamente, é o Harrison Ford de hoje em dia como Indiana Jones, e seu filho já crescido que ele teve com uma de suas historinhas amorosas do passado, certo? Então, eu tava pensando, por que todo mundo tem feito filmes sobre pais e filhos? Olha, Miya-san (T.N.: Sim, Hayao Miyazaki) tem feito, você tem feito…Se eu quisesse ser crítico, olharia para vocês três e diria que o que é interessante em seus filmes é que eles se passam no céu, ou no oceano…em territórios inexplorados.
O: Isso mesmo.
S: Então, o que está aqui e agora não te interessa. Eu achei isso interessante, você não acha?
O: É o padrão, sofisma característico de Suzuki Toshio de mais alta escala.
(Todos riem)
O: Me explique exatamente o que você achou interessante, ok?
S: Eu só estava pensando. Foi só uma idéia.
O: Uma idéia? Não é óbvio que alguém que está envelhecendo fará histórias sobre pais e filhos?
S: Sim, exatamente! Miya-san tem 67 anos, certo? E Spielberg uns 62, 63?
O: Uns 63.
S: Certo? E Oshii-san, você tem 58?
O: 57!
(risos)
Equipe: Olha, isso o tira do sério! (risos)
S: Então, todos vocês estão trabalhando com o mesmo tema, certo? Os detalhes entre um filme e outro são diferentes, óbvio. Mas mesmo assim, isso me surpreende. O que eu estava pensando é que, não importa se suas histórias são no céu, no mar, ou em terras desconhecidas, são todas a mesma coisa. São todas sobre a vida após a morte.
O: Bem, isso é inevitável.
S: Hein?
O: Se você tem mais de 50 anos e faz filmes que não mexem com a vida após a morte de alguma forma, tem algo de errado com você.
S: Sim, sim, sim. (Impressionado)
O: Eu assisti Ponyo outro dia e me toquei de uma coisa. Eu percebi, “Oh, Suzuki Toshio não teve nada a ver com esse filme”, e tive certeza disso.
Equipe: Nada a ver? (riso contido)
O: Foi um filme 100% do Miya-san.
S: É, realmente foi um filme do Miya-san.

O: Foi um filme totalmente feito pelo Miya-san.
S: Sim, isso mesmo.
O: Você não colocou um dedo nele. Aposto até que, talvez, você não teve permissão pra isso. Por isso não é um filme completo. O que eu quero dizer é que todos os filmes do Miya-san até agora, o único motivo deles serem filmes de verdade é porque Toshio Suzuki estava lá, ou porque Takahata Isao estava lá.
S: Hum.
O: Não havia ninguém supervisionando Ponyo pra juntar aquilo tudo como um filme dessa vez.
S: Ah (impressionado)
O: É um vôo arriscado. Eu iria além, e diria que o filme é uma explosão de desejos, certo? É um filme de revigoração, não é?

S: Ponyo foi ruim?
O: Hein? Em que sentido?
S: O filme foi ruim?
O: Não, ele foi interessante de assistir. O que eu quero dizer é que a parte selvagem de Miya-san são interessantes. O problema é que não era um filme de verdade. Não foi montado como um filme de verdade, nem um pouco.
S: Você não precisa repetir isso tantas vezes (risos).
O: Mas é a verdade! (risos)
S: Por que você continua repetindo! (risos)
O: Porque é a verdade! (risos)
S: Não dá pra falar de uma forma mais doce? (risos)

O: O filme não explica nada sobre Fujimoto.
Equipe: (riso contido) É verdade…
O: Nada mesmo.
S: Fujimoto… Ele parece muito com você, Oshii-san.
O: Como assim?

S: Você está se sentindo bem, não está, Oshii-san?
O: Hum?
S: Você está com energia.
O: Estou. Me sinto cheio de energia, fisicamente e mentalmente.
S: The Sky Crawlers foi um filme interessante.
(Todos riem)

O: Eu vim aqui por uma única razão. Queria perguntar porque você abandonou Ponyo!
Equipe: Então esse é o tema de hoje (risos)
O: Você enjoou dele?
S: Não, não não não.
O: O que foi então?
S: O problema é o estado mental de Miya-san.
O: Miya-san não está ouvindo o que as pessoas dizem, está?
S: Olha, o estado mental de Miya-san… Ele carregava essa maldição chamada Takahata Isao (T.N.: Outro diretor do Ghibli), certo? Ele trabalhou com o cara por 15 anos. Mas mesmo depois disso, Isao ainda o perseguia, como um fantasma.
O: Sim, e-
S: Mas um dos temas mais recorrentes nos filmes do Miya-san é sobre como ele consegue se livrar disso, certo?
O: É, o que eu percebo é que, pelo menos um pouco, ele reconhece que seus filmes precisam da lógica de Suzuki Toshio, ou a motivação de Takahata Isao. Pelo menos até certo ponto, provavelmente.
S: Sim.
O: Mesmo ele não querendo admitir. No fim, é algo que ele precisava. Então o que ele tentou fazer foi eliminar essas coisas, fazer um filme, e ver no que dá. É isso que estou dizendo, eu reconheço que ele é um maestral criador de ilusões. O mais incrível criador de ilusões do Japão – não, do mundo. Isso é óbvio.
S: Essa foi a idéia.
O: Humm.
S: Então, basicamente, o que ele quis fazer foi juntar tudo que ele pensou, e fazer um filme com isso. Entende o que quero dizer?
O: Mas sabe, não dá pra fazer um filme assim. Cada ilusão criada é absurdamente interessante. Estão todas transbordando expressividade. Os primeiros dez minutos são impecáveis. Sabe a cena que ela emerge, montada em uma água-viva? Eu achei aquela cena muito boa. Como eu falei, cada cena, individualmente, é sublime
S: É como você disse: queríamos animar nossas ilusões pessoais.
O: Uhum. Por que a mãe voltou para a casa?
S: Hein?
O: Aquela mãe, que motivos ela tinha pra voltar para a casa?
S: Voltar para a casa?
O: É, depois que ela volta pra casa, ela volta mais uma vez para o Jardim dos Girassóis.
S: Ahh…
O: Então o que eu quero dizer é: por que ela não ficou o tempo todo no Jardim dos Girassóis?
S: Bem, é porque-
O: Que motivos ela tinha pra voltar pra casa?
S: Bem, a gente queria que ela interagisse com Ponyo e Sousuke.
(Todos riem)
O: O que eu tô tentando perguntar é que razões ela tinha dentro do mundo do filme para voltar (risos)
S: Como eu estou dizendo-
O: Uma cena sem motivação alguma não devia cativar o público. Mas, mesmo assim, as pessoas se envolvem com a cena, e é por causa do magnânimo poder expressivo que o filme tem.
S: E é esse o tipo de obra que queríamos fazer.
O: Hein?
S: Um filme assim.
O: Bem, seus filmes possuindo temas pertencem a um passado distante.
S: Você está certo em dizer que queríamos fazer um filme sem nenhuma estrutura real.
O: Não é que vocês estão tentando fazer filmes sem senso de estrutura–
S: Eu admito, foi isso que fizemos. O que isso tudo significa é que quem cada estrutura para nossos filmes era Takahata-san.
O: Sim.
S: Isso siginifica que, enquanto nossos filmes tiverem alguma forma de estrutura, Miya-san nunca conseguirá se desvincular de Takahata-san.
O: E isso é o estranho aqui.É isso.
S: Eu não tenho certeza se isso é algo estranho ou não (risos)
O: Apesar de que ele mesmo poderia ter dado uma estrutura ao filme.
S: Sim, Foi isso que me surpreendeu. Normalmente, nos filmes de Miya-san, existe um personagem principal, que nós seguimos e descobrimos todas essas coisas diferentes com ele. Ele traz o público para seu mundo. É como um filme de mistério. Mas agora, nós acompanhamos vários personagens diferentes, certo? Quando você começa a achar que a história é sobre Ponyo, ela muda para Sousuke. E quando você começa a acreditar que é sobre Sousuke, Fujimoto aparece. Um monte de gente aparece no longa, mas não é o tipo de filme que você é imerso no cenário ao aprender sobre ele junto aos personagens.
Equipe: Sim.
S: Normalmente, em um filme como esse, você começa explicando as coisas para o espectador, como o que está acontecendo, e sobre o lugar onde as coisas acontecem. Depois disso, você vai para cada personagem em separado, e eles cumprem seus papéis. É o padrão, certo?
O: Sim.
S: Então, Ponyo não segue esse caminho.
Equipe: (risos)
S: Oshii-san, seu filme também destoa de seus outros trabalhos.
O: Em que sentido? Eu tentei fazer algo diferente de meus filmes antigos, intencionalmente.
S: Dessa vez não tem muito diálogo, né?
Equipe: Isso mesmo, não tem tantos diálogos.
O: Foi intencional.
S: Não tem muito. Me pergunto o que mudou em sua mente pra que isso acontecesse.
O: Bem, eu queria mostrar algo diferente pras pessoas com esse filme.
Staff: É, Oshii-san, dessa vez você fez um romance, e o romance–isso pode ter vindo do roteiro original, mas–os personagens principais são crianças que não envelhecem. Então, após te ver fazendo um filme de romance sobre crianças, eu fiquei pensando…
O: Você sabe, não importa a que ponto a animação chegue, será sempre um meio de símbolos, com certeza.
S: Sim. Mas, de certa forma, não pare com uma peça bunraku (T.N.: Teatro de fantoches japonês)?
Equipe: Bem, as expressões dos personagens não me pareceram particularmente expressivas.
S: Personagens como esses, se movimentam da forma como se movimentam-deixando de lado a natureza artística disso-dá pra perceber que  alguém dirige suas ações e move seus corpos. É uma peça de bunraku.
Equipe: (Impressionado)
O: O que define bunraku é que, dependendo do ângulo em que o personagem é visto, as expressões mudam. É o mesmo que o noh ou outras formas de arte tradicionais, é uma parte da tradição artística japonesa.
S: Sim, e o filme é extremamente japonês, é o ponto que quero chegar.
O: Expressão através da forma, e apenas da forma, é parte do Japão- bem, do senso estético japonês. Um tipo de expressão privilegiado. Expressão transmitida não por movimento, ou performance, mas expressão pela forma. (T.N.: essa sentença define muito bem a expressão artística japonesa, que o ocidente não consegue captar, principalmente em um material mais pop como o anime)
Equipe: Mas, bem… essa é uma opinião pessoal, mas a não-existência de uma abertura para o filme, mostrando apenas um grupo de pessoas lendo jornais, bebendo cerveja, fumando…me deixou a impressão que o que você estava tentando explicar o mundo e os personagens para a juventude através de uma extensão de seus próprios sentimentos pessoais, de seu próprio mundo.
S: Também percebo isso.
O: E é verdade.
S: Isso foi algo que me interessou. Cada personagem, bem, eles falam, certo? De forma inexpressiva. Então há um corte, e sua mão os move. Eles tocam o cabelo, ou se viram um pouco. Todo o tempo acontece algo assim. Me pergunto o que aconteceria se você eliminasse essas partes (risos).
O: Se você tirar essas partes, o filme ficaria vazio.
Equipe: Ah.
O: Eu tentei criar uma expressão do tempo em que os jovens vivem hoje em dia.

S: Oshii Mamoru fazendo uma história de amor. Você está apaixonado?
Equpe: (risos)
O: Sim, eu já estive! (riso contido)
S: Não, não, digo recentemente. (risos)
O: Ei, me deixa em paz! (risos)
Equipe: (gargalhadas)
S: Amor em uma idade avançada? Foi o que me pareceu.
O: É, amor na terceira idade é-
S: Bem, não é só a frase assim, sozinha, mas-
O: Amor na terceira idade permite uma exposição da ess~encia do amor. Quanto mais velho você é, sabe-
S: Não, eu achei interessante. Sério.
O: Quanto mais velhos você é, mas inclinado para o sei (kanji para sexo) você fica. Tanto a parte “vida” (o kanji para sexo é composto de dois outros, e o lado direito significa “vida”), quanto a parte “coração” (o lado esquerdo, significando coração/mente). Esse é o significado.
Equipe: Hmmm…(refletindo)
O: Normalmente nós, velhos, não possuimos nenhuma arte pela qual podemos expressar isso, e é por isso que muita gente paga colegiais para ter sexo. Sendo franco, você começa a se interessar mais por mulheres.
S: Sim, sim, sim, sim.
O: Então, é isso.
S: Ah… (Impressionado)
O: É como o que Ootsuka-san (T.N.: Yasuo Ootsuka, animador dos estúdios Ghibli) falou um tempo atrás, lembra? Quando a gente tava bebendo com Ootsuka-san e Miya-san, Miya-san foi ao banheiro e Ootsuka-san disse “É, assim que Miya-san passar dos 60, algo incrível pode acontecer. Seria o máximo se ele começasse a ficar maluco por mulheres!” (T.N.: Sobre essa parte da terceira idade e do sexo, é muito interessante ver a forma dos japoneses tratarem certos assuntos, livres dos nossos milenares costumes ocidentais).
Equipe: (Gargalhada)
O: Ele disse como se quisesse que isso acontecesse. Ficou claro.
S: Hmm…
O: De todos aqui, Ootsuka-san seria o mais desinteressado, o mais indiferente perante esse tipo de coisa.
S: Ahh…
O: Mas ele é bem realista. Eu pensei na mesma coisa. Mas Miya-san não tem culhões para esse tipo de coisa.
Equipe: (risos)
O: E sua esposa me dá medo (risos), muito medo. Mas ele nunca faria algo assim na verdade, então ele junta todos esses sentimentos e pensamentos que fariam dele um Don Juan e coloca no mundo da animação. Isso- tenho certeza que tudo isso foi para as plantas, e as águas-vivas, e a vida marinha.
S: Sim, sim, sim, sim. Pareceu ser essas coisas, mas era tudo sobre a velhice! (risos)
O: Isso mesmo. Tudo aquilo, seja a água-viva, o peixe, ou as garotas de 5 anos, é tudo o mundo de um velho. O que eu quero dizer é que, por todo o filme, você só vê crianças e velhos. Tem o pai e a mãe, mas além deles…pra onde foram os outros adultos?
S: O bom e velho Mamoru Oshii. O interessante em você, Oshii-san, é que uma pessoa lógica e teórica como você ainda se interessa por ate. É porque você se interessa por arte. Sendo completamente honesto com você, no início o que mais me surpreendeu nas cenas de ação foi aquela cena do carro. Um personagem lambe seu sorvete, e então o carro aparece do nada, certo? Então ele canta pneu. O que mais me surpreendeu foi como não houve intensidade alguma nisso.
Equipe: (risos)
S: Realmente me surpreendeu. Eu pensei “Hein? Ok, e agora!?”, me senti dessa mesma forma quanto à história. Tem toda a gritaria, Lisa! Lisa! Lisa!, e várias coisas acontecem, e aí você pensa “Ok, e agora…”, e então, do anda, tudo se resolve, certo? Tem vários momentos assim no filme.  É o vôo ousado, certo? A história se constrói e bam, bam, bam, bam.
O: Eu me senti dessa mesma forma na cena da água-viva. Aquelas águas-vivas eram muito boas.
S: Sim, elas eram.
O: Aquilo me chocou.
S: Tanaka Nacchan quem fez. (T.N.: Naoya Tanaka, diretor de arte e artista de cenário do Ghibli)
O: Quando eu vi as águas-vivas-
S: São muito boas mesmo.
O: Viu, isso–
S: Aquela cena teve mais ou menos uns 1600 frames. 1600.
O: Eu vi a água-viva, e o peixe nadando em volta, e a irmãzinha do Ponyo nadando também, e pensei, “Ah, então é esse o mundo em que ele está agora.”
Equipe: Por exemplo, Oshii-san, você estava fazendo Innocence, que se passava em um mundo de bonecas, mas agora você migrou para um mundo de humanos. É mais ou menos assim?
S: Bem, você sabe, é porque ele tá ficando velho.
Equipe: (risos) Eu não-
S: Humanos e bonecas, ou humanos e cachorros, daí por diante…Você tinha a obrigação de fazer isso, certo? Acabou virando sua marca registrada. E pender para uma marca assim é algo que os jovens costumam fazer.
Equipe: Ahh… (Impressionado)
S: É isso que significa. Mas agora, a partir do momento que ele passou a trabalhar apenas com humanos, e como quando Mamoru Oshii…como dizer? O momemnto em que ele pisou no seu fumi-e (T.N.: uma mesa com imagens cristãs, onde os suspeitos de cristianismo da era Edo eram forçados a pisar, para provar sua incredulidade.)
Equipe: Seu fumi-e…?
S: Isso. É parte da velhice. Se você me permite, está conectado ao que eu disse inicialmente sobre Indiana Jones. Eu vi os três filmes, e sempre voltei para o mesmo lugar, pensando a mesma coisa. Que tipo de filmes os jovens de hoje em dia fazem? Mas, sendo franco, além do que eu disse sobre Ponyo e Sky Crawlers, eu também achei Indiana Jones interessante. Todas essas coisas incríveis estavam lá no filme, e essas pessoas que se proclamam cinéfilos, ou fãs do Indiana Jones, estavam todas reclamando. Mas se você olhar a progressão do que Spielberg fez em toda a sua vida, é realmente fascinante.
Equipe: Nossa.
S: Sim. E a coisa mais incrível sobre Indiana Jones é que não é filosofia, nem religião. Quando vi, pensei “Então é nessa que ele está agora!”.
O: Eu não irei discutir com isso, não mesmo. Meu envelhecer está sim, de certa forma, relacionado com virar e encara tudo diretamente em meus filmes.
S: Mas Miya-san ainda não percebeu isso ainda, né? Não percebeu. Quando assisti Ponyo, não importa o que estava na tela, o jeito como ele desenha as coisas é o mesmo. Ele é tão persistente que chega a ser incrível, não?
O: Sabe, eu acho que o anúncio de que ele faria tudo a mão é como o que Miya-san me disse na última vez que nos encontramos, uns 2 anos atrás, “de agora em diante, nós voltaremos a trabalhar com artistas. Todo mundo que trabalha com computadores será demitido!”
S: Ele nunca disse isso (risos). Até mesmo Miya-san sabe que, não impota se feito a mão ou no computador, o que é bom é bom.

Equipe: Oshii-san, dessa vez, em Sky Crawlers, as cenas aéreas foram feitas em CG, com as cenas no chão em 2d. E bem, eu percebi que foi intencional, mas me perguntei por que você decidiu seguir esse caminho?
O: Bem, pra começar, devemos ser realistas: era o único jeito disso ser feito. Quwr dizer, não existem muitos animadores por aí que nos permitiriam fazer tudo desenha a mão.
S: Sim…
O: Não existem animadores por aí destemidos o suficiente para animar aqueles caças, ou até mesmo mover aquelas nuvens.
S: Eles desapareceram?
O: Eles não estão mais por aí.
S: Mm…
O: Quem desenharia aqueles caças? Ninguém desenharia.
S: Mesmo depois de tudo…
O: Foi nossa única escolha. Quer dizer, é a nossa única escolha, então integramos isso ao modo como o filme foi concebido. Por isso que os mundos acima e abaixo das nuvens são bem distintos entre si.
S: Hmm…
O: Foi tudo que pudemos fazer.
S: Eu entendo.
O: Por isso que, quando a cena está acima das nuvens, os personagens usam óculos e máscaras que cobrem seus rostos. O que eu quero dizer-tentamos cobrir os traços de animação 2d o máximo possível, e não mostrar as expressões faciais, e-
S: Você não mostra os rostos, mas ainda é possível sentir as emoções.
O: E isso é porque essas linhas foram traçadas a mão.
S: Agora sim, isso é interessante.
O: Quando desenhamos os personagens, é isso que coloca alma nesses caças em 3d. Nosso cara responsável pelo 3d Hayashi-kun, viu e ficou emocionado. Ele disse “a partir do momento que algo foi desenhado, de alguma forma a cena passou a ter sentimento.”
S: Hm…
O: Então nos forçamos a fazer dessa forma. Mas não sei se alguém ainda vai querer fazer algo assim de novo. Se você parar pra pensar em quanto trabalho existe nesse processo, ninguém toparia fazer algo assim.
S: Ah… (impressionado)
O: Sabe, eu acho-não, eu sei que se um jornal fosse escrever sobre Miya-san voltando ao básico, retornando ao mundo da animação feita a mão, seria um artigo escrito como um conto comovente, maravilhoso. Mas isso está errado. O mundo da animação japonesa feita a mão já se tornou inútil faz tempo, em termos de conquistas e talento. O que vai ao ar hoje em dia na televisão pode ser feito mecanicamente , produzido em massa.
S: Mas se você tentar fazer algo de qualidade, e tentar a mão, seria inútil. Pelo menos com um filme, talvez fosse possível com um curta de 10 ou 20 minutos. Não há a possibilidade de Miya-san não ter percebido isso ainda. Mas ele me disse, “mesmo assim, iremos fazer dessa forma”. Miya-san e Ghibli podem ter quase não conseguido fazer algo como Ponyo, mas mesmo assim, a cena da água-viva? Se fosse feita em CG, ela seria uma água-viva linda, que poderia até mesmo ser confundida com uma de verdade, uma quantidade enorme delas inclusive, mas não teria o mesmo sentimento da cena feita a mão. Não há dúvidas quanto a isso. Com certeja, há um certo mérito nos arte-
S: Oshii-san, você já se referiu à animação como artesanato no passado, não é mesmo?
Equipe: Ah, um artesanato. Como se fosse parte da tradição das artes japonesas.
O: Eu realmente penso em animação como uma forma de artesanato. Se você me perguntar, é parecido com o milagre de um carpinteiro de templos. Você faz idéia de quantas pessoas são descartadas até que uma só seja eleita um carpinteiro de templos qualificado? Quanto treino é necessário? É por isso que comparo animação com a carpintaria de templos: você não pode produzí-los em massa. Mas agora, estamos chegando ao nosso limite. Se você quer saber porquê, o motivo é que todos os animadores talentosos que ainda sustentam o mundo da animação feita a mão, os mais ou menos 20 existentes, já passaram dos 40 anos.
S: Sim, já têm até 50.
O: Devem estar perto dos 50, é verdade. Fim dos 40. Pelo menos dos 40 eles já passaram. Então pense um pouco, em 10 anos, o que irá acontecer?
S: E existe alguém para tomar seus lugares? Não, não existe.
O: O bom dos carpinteiros de templos é que eles são um grupo de trabalhadores intinerários
Equipe: Com certeza…
O: Constroem uma pagoda de 5 andares aqui, um salão principal ali, são intinerários
S: IG (T.N.: O estúdio, Production I.G., onde Mamoru Oshii trabalha) não estava tentando estimular essa forma de trabalho?
O: Estávamos, mas não apareceu ninguém.
S: Não sei se vai dar certo, mas é por isso que queremos lançar um desafio no Ghibli de novo. Recrutar sangue novo. Porque sabe, olhando pro passado, quando Oshii-san ou eu tinhamos, sei lá, uns 20 anos – foi nessa época que começou o chamado anime boom, e, se você analisar essa époda, tinha um monte de gente por aí, batendo de porta em porta nos estúdios. Várias pessoa entrando na indústria todo o tempo. Isso fez com que vários tipos diferentes de pessoas se envolvessem com esse mercado. Pensando dessa forma, nós estamos conectados à vários tipos de indústrias. Vários.
O: A diferença, porém, é que naquela época ninguém precisava recrutar pessoas como nós, nós mesmos aparecíamos nos estúdios. Isso parece óbvio, mas se você parar pra pensar no porqueê disso, é que nós não tinhamos mais pra onde ir. Pelo menos comigo foi assim. Eu não tinha nenhuma outra opção, eu realmente queria criar algo como um filme, e trabalhar com filmes, e depois de pesquisar algumas alternativas, acabei trabalhando em um estúdio de anime. Surpreendentemente, se você realmente quer fazer algo, é possível transformar qualquer coisa em realidade.
Equipe: Hmmm.
O: O que estou tentando dizer é que…hum, bem, não importa quantas pessoas talentosas você ache, será possível voltar para aquela era? Quer dizer, essas pessoas se achavam e se juntavam naturalmente. Atualmente, eu não acho que algo vá acontecer até que as pessoas não só percebam a situação em que a indústria está, e como a qualidade das animações tem decaído, mas também se levantam pra fazer algo. Não é possível recriar artificialmente as coisas como eram naquela época.
S: É como a História costuma funcionar
O: Sim. Na verdade, analisando a situação atual, até mesmo em um nível pessoal, se você quiser fazer um filme é preciso considerar todos os métodos disponíveis, sejam eles quias forem. Se não dá pra fazer animação manual, então o jeito é fazer em CG. Se eu não tivesse começado como um pintor, ou um desenhista, eu seria apenas um simples cineasta, por isso uso de todos os artifícios.

Pra que esses olhos tão grandes…?
Postado por Darkonix 
em Anime
às 21:45 de 13/07/2009

Um post rápido, porém interessante. Todos nós, ao entrarmos em contato com o anime/mangá pela primeira vez, ficamos sabendo que uma das principais características do estilo são os olhos grandes, para ressaltar as emoções.

Obviamente muita gente critica a “cara de et” dos animes, e que essa conversa de ressaltar as emoções é balela. Eu devo dizer que, originalmente, a intenção era sim ressaltar as emoções; com o tempo que foi se transformando em uma convenção do estilo, sem ser sempre explorado da forma devida.

Pois bem, mas e se nossos animes favoritos tivessem olhos em proporções reais? Foi pensando nisso que o vídeo abaixo foi postado no NicoDouga, trazendo personagens de Haruhi e K-On! com olhos pequenininhos. Confiram:

O mais engraçado é que só com essa comparação que podemos perceber como o character design de K-On é mais realista que o de Haruhi. Enquanto a Haruhi parece ter síndrome de down, a Mio só rejuvenesce uns 10 anos, ficando com cara de criança. Isso é devido às proporções do rosto, que são muito mais exageradas na Haruhi e na Nagato do que na Mio e na Yui.

P.S.: Sim, eu estou acompanhando a segunda temporada de Haruhi. E não, eu não estou tão revoltado quanto todo mundo. Quem leu a novel sabe que Endless Eight é uma história chave para justificar Suzumiya Haruhi no Shoushitsu e, como eu disse no twitter, a idéia do KyoAni é genial, só que é o tipo de coisa que só japonês pra aceitar sem reclamar. Enfim, se no final tiver Snow Mountain Syndrome (não sei porque, essa história me cativou com força), o KyoAni pode fazer 20 episódios só mostrando a Nagato encarando a “câmera” que tá ótimo.

Quem quiser me dar um presente…
Postado por Darkonix 
em Anime, Games, Mangá
às 18:22 de 09/07/2009

…tem uma lista de possibilidades aí embaixo! Vale tudo: dia das crianças, aniversário, natal…você pode até me pedir em namoro e me dar no aniversário de um mês. O que importa é que eu quero. TODAS!

ultra-violence é uma marca com design de Jun Okubo que, certo dia, resolveu fazer uma homenagem ao clássico – e infinito, sendo publicado até hoje – JoJo’s Bizarre Adventure, com uma série de camisas utilizando personagens da série. E vocês podem comprá-las online na loja oficial, por uma média de 7140 yen, o equivalente a 153 reais (é, doeu em mim também).

Sério, se eu tivesse um cartão internacional eu estaria falido nesse momento. Olha que fodástica essa última, do Vanilla Ice (não, não é o rapper, nem uma piada que você não entendeu, é o nome do personagem mesmo)! Só que não parou por aí. Com o sucesso das camisas de JoJoBA, a marca resolveu lançar uma grife especializada em camisas de heróis, seja dos animes, mangás ou games: HEROISM. Um dos homenageados foi o clássico de terror infantil, GeGeGe no Kitaro.

Ah, vale lembrar que, quando são frente e costas mas possuem cores diferentes, significa que são camisas diferentes, que eu botei de outra cor só pra mostrar a variedade. Além de Kitaro, Halo (provavelmente um dos poucos jogos ocidentais que possuem algum reconhecimento no Japão) e Street Fighter também ganharam camisas:

As camisas da HEROISM estão custando 6090 yen (mais ou menos 130 reais), e também podem ser compradas no seu respectivo site oficial. Deixei o último homenageado pro fim para que eu pudesse expressar minha indignação. Ele é Hi no Tori, conhecido no ocidente como Phoenix, uma das obras mais renomadas do mestre Osamu Tezuka.

Minha revolta é que não tem como eu ter acesso à obra! Ninguém lançou aqui no Brasil, e teria sido uma boa depois de Buda; como todos sabem, não tenho um puto no bolso pra importar; e, por fim, por ser material disponível faz tempo nos states, ninguém faz scan! É um problema recorrente de quase todas as obras do Tezuka. Mas elas não são lançadas aqui por conta do público, que repudia material clássico. Por mais que eu goste de moe, visual e light novels, e toda essa estética pop, mangá e anime não são só isso. Não se esqueçam dos clássicos, muito da riqueza do mangá (que vai além dos rostinhos bonitos), em caráter narrativo e sequencial, está ali, em seu estado mais puro.

Fãs de Anime são Escrotos
Postado por Laivindil 
em Anime, Atualidades, Mangá
às 22:45 de 22/06/2009

Ou será que escrotos são os usuários da Internet? Comecemos pelos fatos e julguem por si mesmos.

Uma das discussões mais antigas na comunidade “Otaku” ocidental é a que se refere ao download ilegal de propriedade intelectual japonesa. Não estou me referindo ao download de mentes preservadas em soluções de DNA robótico ( anotando idéia pra história futura ), mas ao velho e bom conceito de “vou baixar” que faz parte de nossas vidas.

Qual nossa justificativa? Eu melhor que ninguém posso responder, já que cansei de falar sobre isso por escrito e em voz alta: se a gente não baixa animes, vai assistir aonde? Se quisermos assistir animes legalmente no Brasil, teremos que ir ver reprise de digimon na Globo, ou então pagar uma nota pela Animax. É justo, se você se contenta com isso, vá em frente.

Se ao menos nosso mercado fosse como o Norteamericano, nossas desculpas seriam menores. Lá eles têm uma indústria mais forte, vários títulos disponíveis em DVD, os boxes são baratos e você ainda pode alugá-los pela Netflix, um sistema de locadora virtual, video-on-demand, essas coisinhas que estão na moda hoje em dia. Mesmo assim eles não estavam felizes, animes que saem agora no Japão ainda demoram um ano pra chegar às prateleiras. Toma-lhe downloads.

A indústria reagiu. Se adaptou. Começou a aprender a usar esse novo e brilhante brinquedinho chamado Internet. Uma caixa de surpresas, de potencial ilimitado, mas que acaba crescendo mais que a própria capacidade humana de se proteger dela. Ninguém até hoje sabe exatamente como controlar conteúdo na internet, ninguém sabe exatamente como ganhar dinheiro com ela. Ela simplesmente está lá, e serve de culpada maior para a queda das gravadoras, distribuidoras, estúdios. Mas ainda assim, os humanos tentam domá-la.

Já falamos aqui de sites como Hulu, Crunchyroll, e o site de vídeo da Funimation. Funimation Entertainment é uma das companhias distribuidoras de anime mais fortes por lá. Sobrevive firme e forte enquanto as outras caem a seu redor. Fundada em 1994, ela lançou Dragon Ball, Fullmetal Alchemist, e vários outros títulos que se tornaram manias. Com um histórico de agressividade e perseguição para com as fansubbers, a companhia foi meio que pioneira em apresentar um novo serviço de Streaming de animes novos, geralmente com um dia de diferença com relação ao japão, completamente grátis e em alta qualidade.

Alguns, e eu estou nessa podem reclamar: eu gosto de ter os animes comigo, eu gosto de revê-los quando eu quiser. Mas okay, em breve os títulos serão lançados em DVD e você poderá comprá-los. Não é ótimo? Na verdade isso é tão legal, que eu ainda quero uma forma ilegal de assistir legalmente a esses streamings! Infelizmente nosso IP é bloqueado nos ditos sites, com algumas excessões. Já tentei de tudo, nada parece funcionar.

Só que nós somos tão idiotas que fazemos questão de mostrar nosso poder enquanto usuários da internet. Algum babaca entra nos servidores da Funimation, e eis que um episódio legendado e pronto para ser disponibilizado, de One Piece, vaza na rede. E o pior: antes mesmo de ser exibido no Japão! Quem fez isso não poderia simplesmente esperar mais um dia? Vale a pena fazer isso só porque você pode fazer isso? Funimation então encerrou o serviço por tempo indeterminado até que tudo se resolva. Japoneses ficaram com muita raiva, todo mundo ficou chateado.

Não é que acontece de novo? Agora com um episódio de Phantom: Requiem for the Phantom, falamos desse anime no reviews dessa semana. Ambas as notícias são antigas, pelos padrões informativos atuais, mas trouxe essa questão depois de ler e ouvir outras pessoas comentando e refletindo pela net afora.

Companhias estão certas, os fãs de anime são mesmo responsáveis pela queda da indústria, no fim das contas? Não somos os vilões da história, mas apenas parte de uma fatia maior da população que sente prazer em invadir e vazar informações só porque é divertido? O pessoal do site da Funimation consegue ser mais incompetente que isso? São muitas as reclamações. Todo mundo torce para que Funimation não desanime do sistema só por causa de casos isolados, já que segurança de conteúdo na internet é uma questão e tanto para todo mundo, cinema, televisão, literatura, etc. Resta saber se os japoneses seguirão apoiando a iniciativa.

E quanto a nós? Nós brasileiros nos encontramos em uma posição muito tranquila. Não gastamos dinheiro com anime e nem temos como. Os títulos disponíveis oficialmente são muito poucos, os animes da temporada nunca verão a luz do sol aqui. Quando falamos de Tokusatsu então, a consciência nem pesa. Só agora a Redetv voltou a investir nesse meio, e Dvd´s serão lançados, mas é tudo muito tímido.

Mas e se tudo mudar? E se amanhã sites como Hulu fizerem parcerias com companhias brasileiras, disponibilizando conteúdo em alta qualidade grátis pra todo mundo? Se mais e mais Dvd´s forem lançados, boxes com preços razoáveis? Deixaremos os downloads de lado? Qual desculpa arrumaremos? Ah, está caro. Será? Aquela pizza custou 30 reais mais o refrigerante, porque não deixar de sair um final de semana e comprar alguns mangás?

Enfim, só pra pensar mesmo. Nada com que se preocupar. Nós, teoricamente, não podemos fazer nada para impedir a queda na indústria dos animes, mas eu gostaria que as empresas nos dessem essa oportunidade. Eu tentaria não deixá-los na mão.

Que Salvation que nada!!!
Postado por Laivindil 
em 1.0, Anime, Assuntos Randômicos, Atualidades, Bizarrices, Cultura
às 15:00 de 18/06/2009

Americanos tentam mas não conseguem. Há anos o governo tem subornado produtores da Tv e do Cinema para que ridicularizem os ET’s, distraindo a atenção das pessoas para o fato de que eles existem e inventaram o Grill George Foreman! Em 1984, o ano de meu nascimento, James Cameron recebeu uma alta quantia para mostrar máquinas domindando o mundo, e sendo destruídas pelos seres humanos. Nascia Terminator e morria qualquer chance de algum ser humano normal acreditar que as máquinas estão tomando o controle!!! Claro que minha missão continua. Tenho feito vários posts, e se torna muito apropriado, no mês de estréia de mais uma enganação chamada Terminator Salvation, atualizar as notícias mais quentes do front. Ninomiya-kun tem 1 metro de altura, e ele pode ler.  Produzido pela Universidade de Waseda, ele possui olhos mecânicos que reconhecem através de um software interno os caracteres das páginas dos livros, e os reproduz em voz alta. A voz é assustadoramente robôtica, o bichinho é todo de metal, mas ainda assim os desenvolvedores pretendem um dia liberá-lo para ler contos para crianças. amp;feature Os caras estão tentando dar mais emoção ao rapazinho, mas o problema permanece: na era dos e-books, qual é o ponto de se ter um robô inteirinho só pra ler um livro? Em nenhum nível isso é legal ou construtivo! Parece mesmo coisa de futuro dos jetsons, ou qualquer outra série que se passa no longínquo ano de 1997. Acho que esse robô deve ter uma sub-rotina secreta, quem sabe ativada pelo código 666. WAHHA GO GO é perfeito em todos os sentidos! Ridículo e aparentemente inofensivo na medida certa para não despertar a suspeita de ninguém. Você roda o disco, ele respira fundo e dá risada. Os caras da Maywa Denki, empresa que produz esses seres sem noção não esperam que um dia aquele disco de metal vá se converter em uma arma mortal. E ele te matará rindo e dançará sobre sua tumba. amp;feature Esse eu não sei o nome. Mas ele faz sushi e integrou uma exposição de robôs que fazem comida. Os que não comem sushi, como eu, podem ficar tranquilos. Mas se os próximos modelos evoluirem, e começarem a fazer brigadeiro, aí teremos umproblema. Essa não é bem um robô, mas ainda assim é uma máquina, e já que falei de comida, achei por bem apontar outra coisa essencial de nosso dia-a-dia que será entregue aos cuidados de um ser não-vivo. A princípio a idéia é genial: uma máquina que recicla toneladas de papel inútil de escritório e transforma em papel higiênico. Desenvolvida pela Nakabayashi Co., essa máquina pede 1.800 folhas de A4 usado para te entregar dois rolos de papel higiênico. A natureza agradece, mas eu me preocupo. Quando o Goo… digo a Skynet tomar o controle, e essa máquina perceber que nós dependemos bastante dela, será que continuará digerindo papel sem cobrar nada? Esperem e verão. Esse até que é legal. Um Tachikoma de Ghost in The Shell, em tamanho real. Se ele não adquirir consciência, pode ser uma bela arma da resistência. Agora a pergunta que não quer calar: De que lado nosso amigo Gundam de Odaiba ficará? Porque ele também tem protocolos secretos que farão com que se ative pra valer quando necessário. Por enquanto ele tá lá, posando, tirando foto, acendendo luzinha, movendo a cabecinha, mas no dia do julgamento, ele vai voar dali. Olha pra essa coisa linda! Dá até vontade de ser morto por ele!

Mas nada disso importa realmente. Não sabemos com precisão se realmente essas coisas acontecerão, então sem preocupações. Vamos nos entreter com esse lindo anime sobre fadinhas em forma de cocô e suas crises existenciais.

Indústria da esmola
Postado por Darkonix 
em Anime
às 17:36 de 01/06/2009

Você já parou pra pensar em quanto um animador japonês recebe? Aqui no JCast, tanto no blog quanto no podcast, já comentamos que não é muita coisa, mas quanto exatamente seria? Pouco, muito pouco. E foi pra discutir isso que ocorreu um simpósio com a presença de vários grandes nomes da indústria.

O simpósio foi organizado pela JAniCA (Japanese Animation Creators Association), e divulgou também o resultado de uma pesquisa com 700 profissionais da área, animadores e diretores, e o resultado é surpreendente. A média de salário anual entre os animadores com 20 anos, em início de carreira, é e 1,1 milhão de yen (11,6 mil dólares, aproximadamente 950 dólares por mês); aos 30, a média anual é de 2,14 milhões de yen (22,6 mil dólares, aproximadamente 1850 dólares por mês); os veteranos ganham em média 3 milhões de yen (31 mil dólares, aproximadamente 2500 dólares por mês). Além disso, 47% dos entrevistados disse não ter um contrato firmado com nenhuma produtora.

Esses números podem até parecer razoáveis para a nossa realidade brasileira, mas pra se ter uma idéia: a média de salário anual dos japoneses é de 4,5 milhões de yen; entre os jovens de 20 a média é de 3,5 milhões, enquanto entre os veteranos é de 4,8 milhões. Ou seja, um veterano da indústria dos animes ganha menos que um novato na maioria dos empregos. Vale lembrar também que a carga horária deve ser vem pesadinha. Então, o que então levaria esses animadores a continuarem com esse trabalho, e não irem procurar outra coisa? Acredito eu que a paixão. A grande maioria deles com certeza é otaku, e provavelmente não consegue se ver trabalhando em outra coisa.

O simpósio foi composto por nomes como Toyoo Ashida, diretor de Vampire Hunter D; Sachiko Kamimura, character designer de City Hunter; e Satoshi Kon, diretor de Paprika, e juntos chegaram a conclusão que a indústria está ameaçada perante esses dados. Cada vez menos pessoas querem seguir a carreira, e ainda por cima existem poucos programas de treinamento e profissionalização para a área. Eu concordo plenamente, e isso me parece muito mais ameaçador do que a queda nas vendas, que não passa do resultado de uma bolha que estourou. Isso é “fácil” de resolver: troque quantidade por qualidade. Agora, como resolver o problema de uma possível falta de mão de obra? O simpósio chegou ao fim concluindo que a JAniCA irá colaborar com as produtoras para melhorar a situação dos animadores, e gradativamente resolver esse problema. Um primeiro passo talvez, espero que leve a algum lugar.

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