JCast Reviews #32

Hayao Miyazaki está fora de controle. Ele chegou naquele ponto da carreira de um cineasta, em que qualquer coisa que fizer dará repercussão. Pessoas falarão mal, pessoas falarão bem, mas pessoas falarão e é isso que importa. Ele nem precisa do seu dinheiro. Seus trabalhos são sempre sucessos comerciais e agora ele tem a segurança de escrever e dirigir o que ele bem entender. Ou visualizar durante uma bad trip. Aposto que foi isso que gerou Ponyo. Darko é mais otimista e pensa que talvez um de seus filhos teria sugerido a idéia. Isso pode funcionar com Shyamalan e seu A Dama na Água, mas Miyazaki é japonês, velho e anti-tecnológico. A descrição exata de um usuário de daime.

(00:00:53 – 00:13:50) Introdução

“Se centenas de milhares de sóis nascessem ao mesmo tempo no céu, talvez seu resplendor pudesse assemelhar-se à refulgência dessa forma universal da Pessoa Suprema” (Bhagavad-Gita Cap 6 verso 12.)

“There’s a time when the operation of the machine becomes so odious—makes you so sick at heart—that you can’t take part. You can’t even passively take part. And you’ve got to put your bodies upon the gears and upon the wheels, upon the levers, upon all the apparatus, and you’ve got to make it stop. And you’ve got to indicate to the people who run it, to the people who own it that unless you’re free, the machine will be prevented from working at all.” (Bodies Upon the Gears – Mario Savio)

“Ahhhhh Chico Buarque é tão fofo!” (Minhas amigas em uníssono)

“Quem não sabe sorrir, não deveria abrir uma loja” (Provérbio chinês não relacionado com parte alguma deste podcast)

(00:14:19 – 00:55:46) Gake no Ue no Ponyo

Demorou mas assistimos e finalmente pudemos ter uma opinião pessoal sobre o trabalho mais recente do aclamado diretor e crítico do auto-sexo Hayao Miyazaki. Seria Ponyo uma bagunça sem estrutura narrativa, um momento fraco em sua carreira repleta de sucessos, ou um retorno às raízes e aos bons tempos em que Totoro andava pelo interior japonês dentro de um assustador ônibus-gato? De uma forma ou de outra, terminamos o review ensinando como fazer Ponyo frito, uma iguaria que será debatida anos à fio em tribunais por todo o mundo, que tentarão decidir se é ou não canibalismo. Enquanto as discussões éticas percorrem, aposto meu traseiro magro que os chineses não teriam problema nenhum com isso.

Um ótimo exemplo, muito bem lembrado pelo KillerHell nos comentários, de uma história contada por uma criança:

http://www.youtube.com/watch?v=WFs0gAXsDo8

Ah, o regozijo de um JCast com menos de uma hora de duração. Vocês não sabem como é ótimo postar o programa completinho, já com zip e tudo, antes da meia-noite, e sem ter perdido o dia inteiro com a edição, só algumas horas da minha tarde. Como recompensa, merecemos mensagens de voz para a centésima edição do JCast, e emails, é claro! Ambos vão para [email protected], como de praxe. Até a próxima!

O JCast Reviews #32 foi embalado ao som de:

Gake no Ue no Ponyo Original Soundtrack

Ponyo, Ponyo, Ponyo, sakana no ko! Essa musiquinha gruda que é uma beleza, vai demorar uns dias pra sair, e do jeito que minha sobrinha gostou dela, vai continuar em minha mente por umas semanas. Eu prefiro nem falar sobre a trilha sonora. Ela consegue ditar o clima de uma forma tão espetacular que esse JCast ficou umas 10 vezes mais fofo do que ele realmente é. Então escutem na edição, e baixem depois pra ouvir antes de dormir, ou quando estiverem lendo – todo mundo sabe que são as melhores horas pra se ouvir uma boa trilha sonora.