Ah, ela é fofa sim, vai

Postado em 07/11/10 na categoria Anime, Blog, por

Essa semana aconteceu algo raro nos (poucos) blogs de anime do Brasil: uma troca de opiniões. Tudo começou quando saiu o quinto episódio de Ore no Imouto ga Konna ni Kawaii Wake ga Nai – ou OreImo, pelo bem do meu ctrl+V. Como o Yohan atrasou com as primeiras impressões (shame on you, boy!), lá vai uma pequena sinopse: OreImo, basicamente, é sobre um irmão que descobre que sua irmã mais nova, popular, linda e mimada, na verdade é uma otaku enrustida com uma estranha predileção por galges e eroges envolvendo irmãs mais novas, mesmo ela sendo uma, no fim das contas. O irmão, Kyosuke, acaba virando um tipo de conselheiro para a irmã, e compra sua briga, se expondo ao ridículo várias vezes para defender a vida secreta de sua irmãzinha de 14 anos.

Comecemos por ele. A Lilian, do Mundo Mazaki, acabou apontando um ponto interessante, falando sobre como Kyosuke é um personagem neutro. Isso não é novidade alguma, vários protagonistas masculinos da última década estão ali apenas para servir como elo de ligação entre aquelas garotas, que são as verdadeiras protagonistas da história, e o solitário otaku que as assiste do lado da tela que fica no mundo real – exatamente o mesmo papel do protagonista de um eroge. Porém, considero o Kyosuke a forma correta de fazer esse tipo de personagem. Como o Kyon, de Haruhi, ele possui uma personalidade que não só justifica sua neutralidade, como adiciona à trama.

OreImo é uma série perigosa, que balança entre vários extremos, desde o ecchi ao dramalhão mexicano. Confesso que depois de assistir o primeiro episódio tive a mesma preocupação que todo mundo, daquilo se tornar mais um siscon pautado em fan service. Porém, conhecendo o estilo de narrativa normalmente utilizado nas light novels, confiei e, ao contrário da grande maioria, não me decepcionei.

A partir daqui, spoilers.

Nesse quinto episódio, a trama retoma de onde parou no anterior: quando Kirino, a irmã, é descoberta em frente ao Tokyo Big Sight (ou Ocean Sight, a versão de Ore no Imouto) saindo da Comiket, por sua amiga modelo, Ayase, e precisa dar um jeito pra contornar essa situação. Porém, todo o esforço vai por água abaixo quando Ayase começa a agir de uma forma um tanto quanto descontrolada, e descobre vários doujins na bolsa de nossa protagonista. O resto do episódio mostra a reação de Kirino após ter o seu segredo descoberto, e os esforços de Kyosuke pra tentar contornar a situação.

O que incomodou? Imagino que a cena final, onde Kyosuke admite seu amor por sua imouto (uma mentira, até segunda ordem), para que Ayase passasse a considerá-lo culpado pelo hobby de Kirino, restaurando assim a amizade das duas. Esse grau de devoção do irmão pela irmã parece ser o que mais incomoda, e eu concordo que ele atinge níveis bem absurdos, como fingir ser otaku para encobrir a irmã para o pai. Porém, OreImo possui um roteiro de uma maturidade contida, que passa despercebida nas entrelinhas, e tais atitudes condizem muito com o personagem. Aqueles personagens parecem ser mais complexos do que a trama entrega abertamente, e a impressão que tenho de Kyosuke é que ele está vivendo a vida da irmã para preencher o vazio da sua própria vida, já que ele sempre se esforçou pra ser uma pessoa normal e não chamar muita atenção. Por isso ele se arrisca e se dedica tanto à protege-la, é um propósito pra ocupar sua vida sem graça, mesmo que ele não admita isso. O nível do roteiro da série, que balança entre extremos e a todo momento parece estar prestes a cair em um deles, é incrível – ao ponto de me convencer a olhar com bons olhos um possível Complexo de Irmã por parte de Kyosuke. A cada episódio ele mergulha mais na vida dela, e não duvido que em algum momento comece a se perguntar se as histórias que inventa para proteger Kirino não estariam se tornando realidade. Aliás, isso me parece bastante plausível, e não duvido nada que aconteça, para o desespero geral da nação.

Mas confio na trama, e tenho certeza que tal temática será abordada de forma que atraia seu público, enquanto é inserida nesse cenário plausível que a série construiu. Na verdade, algo assim já aconteceu no episódio 4. Nele, em toda uma epopéia para que Kirino não abrisse uma caixa cheia de erodoujin por engano na frente de suas amigas modelos, acabamos por nos deparar com a mais clássica cena ecchi dos animes nos últimos 20 anos: Kyosuke tropeça e cai por cima de Kirino, levantando sua blusa acidentalmente e caindo com a mão bem nos peitos da moça. O problema que tal cena acontece do nada, sem a narrativa nos preparar para o clichê, e isso surtiu um efeito incrível em mim. Ver tal situação ocorrer com personagens que pra mim são tão críveis desencadeou uma reação de revolta, mas que durou menos de 3 segundos; logo em seguida, ao ver a reação dos envolvidos, senti o constrangimento que algo desse tipo traria se acontecesse na vida real (e, acreditem, já passei por algo bem parecido, o sentimento é esse mesmo).

Muito mais fora de prumo me pareceu as reações de Ayase, que encarna uma clássica yandere bipolar ao questionar Kirino sobre o que ela faz ali, em frente à Comiket. Quem dirá então sua reação ao perceber que os eroges e doujins são de importância crucial na personalidade de sua amiga. Particularmente, suas ações exageradas só são justificáveis em um único caso, que eu gostaria muito que fosse explorado: que a personagem tenha um histórico trágico com otakus, com um sister complex, ou pelo menos com perversões em geral. Suas reações são dignas de alguém que possui algum trauma ou problema muito sério com o assunto, então espero que isso seja explicado antes do fim da série.

Outro ponto que quero salientar: o DidCart, do MBB Anime Kenkyuukai (que eu considero quase um Ogiue Maniax nacional, principalmente quando ele resolve falar de Genshiken), comparou OreImo à Genshiken em suas primeiras impressões. Esse parece ter sido outro causador da revolta, as pessoas parecem ter entendido errado a proposta do anime. Ore no Imouto ga Konna ni Kawaii Wake ga Nai (o título completo é pra impactar, e pra testar se eu decorei) pra mim é um ótimo exemplo dos rumos que a indústria tem tomado. Ele possui vários elementos herdados dos animes no estilo de Genshiken, que tiveram seu impacto lá por 2004; possui também elementos dos animes pós-Haruhi, que unem esse auto-retrato otaku ao conceito de superflat e ao conceito de moe. Enquanto o KyoAni agora segue outro rumo com K-On, esse filho deixado pra trás evoluiu, e hoje é praticamente um diálogo metalinguístico entre o anime e seu fanbase, que se tornou bastante restrito. Mas falarei mais sobre isso em outro post, e sobre a mal-interpretada “K-Onificação”, que vem sido usada tão erroneamente por aí.

O ponto é: OreImo é um diálogo metalínguistico com seu público que questiona a grande mistificação por trás da cultura otaku ao abordar o assunto pelo ponto de vista de uma família tradicional. Mais do que isso, essa família possui um membro com a mente aberta o suficiente pra descobrir que sua irmã é uma otaku das mais hardcore, e mesmo assim analisar e conhecer esse hobby sem seguir preconceitos estabelecidos pelo meio social e pela mídia. Em seu irmão, Kirino encontra um abrigo para lutar contra a idéia que otakus são seres humanos desfuncionais, martelada há umas duas décadas no imaginário popular, e que acaba sendo incorporado e alimentado pelos próprios otakus, que se segregam mais e mais.

Ore no Imouto até agora pegou clichês do gênero e inseriu em um contexto realista de forma primorosa. Porém não nego que, como também disse a Lilian, quanto maior a subida, maior a queda. Espero mesmo que a série consiga amarrar toda a trama da forma que espero, ou provavelmente ficarei bastante decepcionado, pois quanto mais me empolgo com os rumos da trama, mais perigosa ela fica. Se isso ocorrer (ou não), volto a dar meu parecer por aqui. O Yohan tem razão: apesar de eu gostar de assistir meus animes numa tacada só, assistí-los semanalmente permite um maior diálogo com o resto do pessoal que acompanha.

Para mais opiniões blogosfera à fora, visitem: MBB Anime Kenkyuukai, Mundo Mazaki e Subete Animes.

  • Jun-01 says:

    Eu estou acompanhando Oreimo (Deus abençoe a mania de abreviar dos japas). No início também achei que ia ser puro siscon, mas é bem equilibrado até. Como irmão mais velho de uma adolescente na vida real (e não um siscon pervertido que é filho único e/ou não tem a mínima noção do que é uma relação típica entre irmãos), considero algumas das ciladas que Kyosuke se mete por causa da irmã de certa forma possíveis numa relação irmão X irmã real e… saudável (ou não). Mas como você disse, esse é um equilíbrio instável, sempre tendendo perigosamente pro siscon moè.

    Não aguentei a curiosidade e procurei resumos das novels alguns dias atrás. Sem falar de spoilers, a trama parece se desenvolver de forma saudável até certo ponto, mas então sinais de harém ficam meio evidentes . O último volume te deixa de novo na dúvida: será que vai desencanar pro siscon de vez? Eu espero que seja só um artifício do autor pra deixar o leitor ansioso pra continuar lendo e ver como as coisas terminam.

    Uma coisa que me preocupa é quanto ao desenvolvimento de personagem de Kyousuke, e mais ainda de Kirino. Kyosuke se fode muito pra ajudá-la e arruina sua própria imagem perante às pessoas ao seu redor como consequência (falta do que fazer leva a pessoa a fazer cada besteira…). Kirino até agora não fez muita coisa pra compensar essa situação de escudo/servente a que seu irmão está se submetendo. Se eu estivesse no lugar dele, ia cansar disso uma hora e deixaria ela na mão quando a situação ficasse insuportável. E acho que, ou Kyosuke irá fazer isso uma hora, ou Kirino irá cair na real, pois chega uma hora na vida que a pessoa (no caso Kirino) tem que aprender a lidar com os ganhos e perdas da vida de forma madura e responsável, além de assumir as consequencias por seus atos (isso vale para Kyousuke também). Seria muito interessante se Kirino uma hora percebesse que não pode ficar usando o irmão como escudo humano para sempre e crescesse um pouco por conta disso.

    Mas como na vida real, essa relação irmão X irmã é ingrata, portanto de certa forma estou preparado para o pior :D

    • Jun-01 says:

      Quanto à essa comparação com Genshiken, eu acho meio furado desde o começo. É interessante explorar o mundo otaku devido ao leitor típico que irá ler a novel. Mas quem apostou na comparação mencionada anteriormente quebrou a cara: Oreimo está longe de ser um Genshiken.

      Pessoalmente encaro o hobbie de Kirino apenas como um recurso pra uma relação mais aberta entre os dois irmãos. O que me interessa mesmo é até que ponto a relação entre os dois será afetado por conta disso, o que isso mudará em suas vidas e no caráter de cada um, e como as pessoas à volta dos dois irão reagir quando conhecê-los melhor, ou descobrirem o fato da Kirino curtir um hobby "condenável". O segredinho da menina e o mundo otaku são apenas catalisadores para a trama.

  • Adriano says:

    Me desculpe mas tem muita gente em alguns blogs brasileiros que fala muita besterira, Oreimou continua fazendo muito sucesso tanto no cidente como no japão,é possível notar isso ao acompanhar as comunidades internacionais relacionadas ao tema, na minha opinião particular também a série ainda não cometeu grandes erros e está cada vez melhor, o problema é que tem um pessoal que cria espectativas infundadas em torno de um título e quando as mesmas não se concretizam estas espectativas tais pessoas tornan-se exageradamente criticas, e também não se deve levar em consideração a opinião de pessoal de 4chan lugar formado 100% de trolls, mais outro aviso, se o anime seguir fielmente as novels no final das contas Oreimo vai ser SISCON SIM, mas um pouco mais realista abordando o tema "Otaku em familia" e menor conteúdo ecchi(não no mangá), na novel fica ainda mais claro que Kyosuke se deu conta de que suas ações e sentimentos vão além dos compativeis ao relacionamento irmão/irmã e isso é recíproco.

  • Tentei assistir a série, mas perdi o interesse já no 2º episódio. Achei bastante cliché apesar do traço e animação serem de primeira linha.
    Eu sinceramente não estou a fim de ver OUTRO anime sobre otakus complexados em situações constrangedoras. Ao contrário do Darko, achei os personagens muito rasos e inespressívos, ainda mais quando comparados com os de obras similares como NHK ou Genshiken (que na minha opinião são vastamente superiores).

  • kwijibo says:

    A Manami é fofa demais… Ela mostrou no epi 6 como é bom ter uma pessoa normal em casa, comparado as conversas malucas com a Kirino, falar sobre coisas como ir pra mesma faculdade é, bem, um alivio

  • tabaca de nega says:

    so uma pergunta pelo que entendi esse anime e pura pederastia entre irmãos(serio nunca vou entender isso),mais parece que debaixo dessa nojeira tem uma historia complexa de auto descobrimento.

  • marivone says:

    Assim, sério, tirando a história irmão x irmã (que achei bem interessante), NINGUÉM acha estranho a questão da pedofilia? Sim, o fato de haver eroges/galges (MESMO QUE PARA MAIORES) que defende a relação entre irmãs menores e irmãos mais velhos é pedofilia, crime em qualquer lugar do mundo… Sério. Isso eu não aguentei na série. Todo o anime é lindo, o desenho é lindo, a relação entre os irmãos é linda, MAS os desenhos que a menina assiste são um estímulo à pedofilia, cara…

    ;(

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